Crônicas de Bolso: Psíquico e Paranormal - Gothitelle - Pokémon Blast News

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15/02/2017

Crônicas de Bolso: Psíquico e Paranormal - Gothitelle

Olá, galerinha!

Finalmente vamos estrear a segunda temporada das dezoito subséries das Crônicas de Bolso! E isso requer muitas novidades. ^^

Como vocês já sabem, a ordem dos Tipos vai mudar e a primeira subsérie a voltar nesta segunda temporada é Psíquico e Paranormal! No último capítulo da história do Eevee, eu comentei que o Tipo estava mais "para Normal" e o Pokémon do Tipo Psíquico era um dos que foram revelados naquela silhueta composta de cinco Pokémon, lembram? Então... acertou quem pescou tudo e lembrou da Gothitelle!

Ela foi uma sugestão que eu recebi há muito tempo atrás e hoje tive como trazê-la até aqui. Bem, a história de hoje é mais curta e volta ao estilo capítulo único! Então, vale a pena dar uma conferida. =)

Ah, sim. Uma das grandes novidades dessa temporada é a trilha sonora! Sim, teremos música de fundo! Clique AQUI para escutar a música. Espero que ela combine com a crônica de hoje. Boa leitura! =)

***REPOST EM 15/02/2017 DEVIDO AO CONCURSO DE DESENHO***

E se alguém soubesse o dia e a hora de sua própria morte?

Há muitas coisas que não são e nem poderiam ser compreendidas pelos seres humanos. Até mesmo para o próprio bem das pessoas, muitos dos segredos do universo são omitidos de quem não está preparado para recebê-los. Você já olhou para o céu hoje? Pois bem, é nas estrelas que muitos dos mistérios são guardados...


Psíquico e Paranormal: Gothitelle



   Há muito tempo, a humanidade enfrentou um de seus piores momentos, no qual predominavam o medo e a ilusão. Muitos conhecimentos científicos foram perdidos e o povo se afogou em um mar de ignorância e barbárie. Apenas as águas do tempo seriam capazes de lavar todo o sangue derramado naquela época...
   Mesmo com o passar dos séculos, a ferida profunda da era das trevas continuava a causar dor e o processo de retomada dos conhecimentos perdidos levaria anos até ser concluído. Isto é, ignorando o fato de que muito da sabedoria antiga havia se perdido para todo o sempre...
   Foi neste tempo de curar feridas e renascer que Auguste nasceu. Filho de um burguês e uma cigana, já estava sentenciado a viver à margem da sociedade parisiense. Mesmo com as riquezas que seu pai havia juntado, o povo condenava o casamento entre um homem rico e uma viajante que lia a sorte das pessoas.
   No entanto, o amor entre os dois era verdadeiro e duas crianças foram geradas, sendo Estée a primeira, irmã de Auguste. A família viveu sem grandes preocupações durante a infância dos filhos, mas a má reputação do pai se refletiu nos negócios, que já não supriam mais suas necessidades.
   Em um momento de profunda recessão, a família se viu obrigada a vender a casa e retomar a vida errante que a cigana levava antes do matrimônio. Insatisfeito com a impossibilidade de sustentar sua família, a saúde do pai de Auguste e Estée começou a dar sinais de que algo estava errado.
   Os talentos da mãe na arte de adivinhação garantiram o alimento na mesa da família. Encantados com os mistérios do céu, os filhos se envolveram cada vez mais com as práticas paranormais, mas Estée possuía uma aptidão muito maior que seu irmão para ver o futuro. Debilitado, o pai negociava alguns objetos que conseguia durante a viagem e obtinha lucros como o bom mercador que era.
   No entanto, as práticas psíquicas eram condenadas pela sociedade e precisavam ser feitas fora dos olhares atentos das autoridades. Este foi o único erro de Estée...




   Com poderes psíquicos acima da média, a filha superava a mãe e era íntima com os corpos celestes que abrilhantavam o universo. A ingenuidade e o deslumbramento de Estée a fizeram cair em uma armadilha. A menina aceitou oferecer seus dons a um soldado disfarçado de cliente, que, ao constatar as atividades ilícitas da garota, a prendeu para ser executada por feitiçaria ainda naquele dia.
   Um grande abismo se abriu abaixo dos pés de Auguste e seus pais. Eles sequer puderam desmentir as acusações para livrar a filha daquele tórrido destino. A amargura se arrastou por semanas e a vontade de viver desapareceu dos corações de Auguste e seus pais.
   Não lhes restou outra alternativa senão aceitar o vazio que Estée deixou e seguir em frente. O problema é que o menino ainda não estava preparado para lidar com a perda de sua irmã ainda tão moça.
   Certa vez, a família foi acordada no meio da noite por batidas insistentes à porta. Chovia muito e relampejava, mas alguém insistia em bater à porta da carroça onde moravam. Com uma espada em mãos, o pai abriu a porta com um chute e não viu ninguém. Ao olhar para baixo, notou uma pequena Gothita, tremendo de frio e buscando abrigo da chuva.
   Por razões inexplicáveis, Auguste se apegou à Gothita e pediu que seus pais permitissem que ela vivesse com eles. As Gothita eram frequentemente rejeitadas pelas pessoas devido à sua aparência estranha e ao hábito assustador de olharem fixamente para as pessoas, como se elas vissem algo que ninguém mais via...




   A mãe de Auguste consentiu com seu pedido, pois sabia que o filho precisava de algo ou alguém que o fizesse esquecer um pouco da falta que sua irmã fazia, além de compreender o que é ser rejeitada, como uma Gothita. O marido reconheceu que aquilo era o melhor para todos e também concordou.
   O sorriso de Auguste voltou com a chegada de Estelle, nome dado à sua pequena amiga. Os pais do menino não gostaram de sua escolha, pois lembrava muito o nome de sua falecida irmã, mas temiam que a felicidade do garoto fosse interrompida novamente.
   Sendo aceita como membro da família, Estelle começou a ajudar na limpeza da carroça e no preparo das refeições. Auguste e Estelle cresceram juntos e ela naturalmente tornou-se Gothorita, mas foi neste estágio que coisas estranhas começaram a acontecer.
   Estelle possuía uma natureza essencialmente psíquica e conseguia fazer pequenos objetos levitarem, além de aprender a arte de prever o futuro com a cigana. Estelle sabia ler as estrelas do céu melhor do que os humanos. Às vezes, a Gothorita era capaz de levitar durante o sono e isso assustava a todos, por mais que já estivessem acostumados com fenômenos psíquicos e paranormais.
   Apesar das estranhezas, os anos se passaram em tranquilidade. Auguste tornou-se um homem e uniu os talentos de seu pai e de sua mãe, aliando mistério e comércio ao se tornar um mágico viajante. Ele não chegou a desenvolver seus poderes psíquicos tão bem quanto sua mãe, mas algum talento havia herdado. Por outro lado, as experiências místicas de Estelle apenas aumentavam e seus poderes se expandiam.


   Frequentemente, a Gothorita acertava previsões invisíveis até mesmo para os olhos da cigana. Ela era capaz de prever mortes, nascimentos e outras datas importantes da vida de uma pessoa com exímia facilidade. Bastava olhar para o céu para que Estelle soubesse do passado, do presente e do futuro de qualquer pessoa.
   Se isso assustava até mesmo os clientes, não seria diferente com a própria Gothorita. Saber o dia da morte de Auguste e sua família seriam um baque profundo, algo que ela não sabia se estava disposta a saber. Estelle passou a refrear o crescimento de seus poderes psíquicos e prometeu a si mesma que jamais leria a sorte de Auguste, por medo de viver eternamente contando os dias até sua morte.
   Com o tempo, Estelle também tratou de se tornar uma Gothitelle e a família se viu obrigada a disfarçar sua aparência para que ninguém desconfiasse de sua origem. Auguste pediu que sua mãe disfarçasse Estelle com roupas e maquiagens para fazê-la parecer humana.
   No entanto, mesmo que a família vivesse feliz, a dificuldade financeira era uma questão antiga e recorrente. Muitas vezes o pai do menino se viu obrigado a aceitar empréstimos de pessoas de índole duvidosa. E foi o último destes empréstimos cujo pagamento se mostrou caro demais...


   Enquanto Auguste e Estelle estavam se apresentando em uma praça, os capangas de um dos credores atacaram e levaram Auguste como forma de obrigar seu pai a saldar suas dívidas. O burguês e a cigana nada podiam fazer, já tinham certa idade e nem podiam sonhar em pagar o preço exorbitante que o credor exigia.
   Sentindo o desespero dos dois, Estelle ficou ainda mais nervosa, já que foi a única a testemunhar o rapto de Auguste. A Gothitelle se culpou por não ter agido naquela hora e era extremamente sensível às emoções das pessoas à sua volta. Se o casal sofria, o coração de Estelle sentia ainda mais, pois sofria com o coração dos outros.
   O nervosismo não ajudava a cigana a descobrir o paradeiro de Auguste e o pai dele não podia contratar alguém que o resgatasse. A Gothitelle se viu obrigada a recorrer aos seus poderes para desvendar o mistério da localização do rapaz.
   Os poderes psíquicos de Estelle acessavam os conhecimentos do céu de forma tão impressionante que o poder dela facilmente se tornava maior do que ela própria. Estelle sabia que não era humana, por mais que tentassem esconder sua verdadeira aparência e ocultar suas capacidades para seu próprio bem, mas ela precisava parar de se esconder.
   Estelle removeu seu vestido e desmanchou sua maquiagem em frente ao espelho, assumindo sua verdadeira forma, cujo corpo era um manto negro com laços brancos, como as estrelas do céu, suas amigas. Estelle assumiu seu corpo astral e retornou à sua imagem original de Gothitelle.
   No entanto, o grande desafio de Gothitelle era prever a localização de Auguste. Por mais que quisesse obter uma pequena informação das estrelas, ela sabia que seria bombardeada com todas as informações sobre a vida de Auguste de uma só vez e fatalmente saberia o tempo de vida que restava ao rapaz.
   Indo contra seus próprios instintos, Estelle se viu obrigada a ler a sorte de Auguste e o que ela mais temia realmente aconteceu. Por mais que ainda levasse anos, Estelle aprendeu exatamente o momento em que Auguste morreria e foi tomada por uma tristeza tão profunda que a fez chorar imediatamente.



   Estelle deixou a carroça e sobrevoou pelas esquinas de Paris. Seus olhos úmidos estavam arregalados, vidrados na imagem que surgia em sua mente. Era uma pequena cabana em um bosque perto da cidade. A Gothitelle se deslocava pelo ar como uma aparição e chocava a todos os cidadãos que gritavam ao vê-la.
   Sem pensar em nada além de encontrar o paradeiro de Auguste, Estelle passou por ruas, charretes e pessoas, atravessando qualquer coisa em seu caminho. Alguns lhe jogavam frutas podres ao vê-la passar, mas ela simplesmente as enviava de volta sem perder a concentração em seu caminho.
   Estelle sentia que estava cada vez mais próxima de Auguste e começava a sentir o medo que ele tinha de morrer. Por mais que soubesse que ele não morreria ali, aquela sensação era forte demais.
   Quando finalmente chegou ao lugar que aparecia em seus pensamentos, a Gothitelle avançou cuidadosamente para não alarmar os malfeitores. Pouco a pouco, Estelle foi se infiltrando na cabana e desarmava os capangas um a um. Estelle usava sua mente para prendê-los pela garganta de modo a não gritarem e denunciarem o resgate.
   A Gothitelle os prendeu um a um e os manteve imobilizados e suspensos no ar. Quando ela finalmente chegou ao cômodo em que Auguste se encontrava, ela lançou todos os capangas de contra as paredes e os prendeu, ainda os sufocando. Estelle rasgou o lenço que cobria a boca do rapaz e o desamarrou apenas com o poder de sua mente.
   Auguste se levantou e correu em direção a Estelle, abraçando sua salvadora, que o retribuiu com seu afeto. No entanto, a emoção do momento fez com que ela se desconcentrasse e os malfeitores correram para atacá-los. A Gothitelle pressentiu as suas intenções malignas e formou um campo de força ao seu redor, também envolvendo Auguste. Estelle fechou os olhos ainda chorosos e expandiu seu campo de força, esmagando os criminosos nas paredes até que as mesmas ruíssem, fazendo com que toda a cabana desmoronasse.


   A implosão psíquica destruiu aquele lugar e os escombros soterraram os malfeitores. Auguste apertou os braços de Estelle e olhou para ela, tentando acalmá-la. Com o olhar fixo e sem piscar, Estelle continuava chorando e estava em estado de choque. Foi então que a boca da Gothitelle começou a se mexer.

   — Eu sou uma estrela. Eu nunca iria deixar que algum mal te acontecesse. A dor que tu sentiste ao me perder foi a mesma dor que senti quando parti. Eu não suportaria te perder mais uma vez, meu irmão...

   Estelle acabou desmaiando depois de acessar um poder maior que seu próprio corpo, caindo nos braços de Auguste. O rapaz tremia e só conseguia emitir um grito sufocado. Ele estava extremamente abalado, não conseguia acreditar que era Estée dentro do corpo de Estelle. Era a voz de sua irmã. Um frio percorreu a espinha de Auguste, que parecia herdar o olhar atônito e fixo da Gothitelle, que continuava chorando mesmo desmaiada.
   Os talentos paranormais, o jeito fraternal, eram muitas as semelhanças entre Estée e Estelle. Mesmo sem saber, o garoto escolheu um nome que tinha o mesmo significado do nome de sua irmã, ambas eram estrelas. As mesmas estrelas que revelam passado, presente e futuro e que as duas liam naturalmente.
   Agora Auguste sabia exatamente o que era aquilo que Estelle sempre olhava e ninguém mais via...



E assim termina a história de hoje...


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   Estamos de volta, pessoal! E aí, me digam, o que vocês acharam da crônica de hoje? Aliás, alguém reparou que foi a primeira vez que eu dei nomes a personagens humanos? Que estranho! =O

   Então, espero que tenham gostado! Aliás, preciso que me digam o que acharam deste novo formato, se a música foi boa e se encaixou na história e tal. Muita gente já havia pedido uma música de fundo, aí hoje eu resolvi colocar. xD

   Como estamos de volta às subséries, acho que isso significa que as dicas da semana também voltam, né? Então, deixa eu pensar... O que é que anda durante o dia e rasteja durante a noite? Vamos ver quem vai desvendar a charada! Uma ótima semana para todos! ^^






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