Pokémon Black & White oito anos depois: Unova revisitada - Pokémon Blast News

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06/08/2019

Pokémon Black & White oito anos depois: Unova revisitada


Nas últimas semanas eu estava com aquele gostinho por uma jornada Pokémon, mas Sword & Shield só vem em novembro e Pokémon Masters estava sem um lançamento previsto (ainda não havia a opção de VPN para apressadinhos). Então eu decidi tirar a poeira do meu Nintendo DS Lite e revisitar alguns dos meus jogos favoritos da franquia.

Depois de uma longa jornada por Sinnoh com Pokémon Platinum e por Johto/Kanto com Pokémon SoulSilver, eu decidi estender mais ainda a minha aventura e pular para a quinta geração. Pokémon White foi a minha escolha, pois Zekrom é o meu lendário favorito dessa região.

De cara as evoluções da franquia saltam aos olhos. Os novos sprites totalmente animados e as batalhas com uma câmera mais dinâmica são espetaculares. Nos sons também vemos uma melhora significativa na qualidade. Claro que a excelente trilha sonora da quinta geração ajuda bastante, mas os efeitos sonoros também conseguem tirar melhor proveito do hardware do Nintendo DS.
Imagem animada mostrando um trecho de batalha do jogo.
Esses sprites continuam muito divertidos mesmo hoje em dia

Mas o que realmente se destaca é a narrativa (alerta de spoiler). A Equipe Plasma deseja libertar todos os Pokémon do mundo de sua servidão aos humanos e para isso seu rei, N, irá despertar o dragão lendário e provar que é o herói que veio trazer um novo mundo. Com o tempo descobrimos que a coisa não é tão bacana assim e na verdade Ghetsis deseja manipular as massas para ser o único capaz de usar o poder dos Pokémon e, assim, subjugar o resto da humanidade.

N foi criado desde pequeno com a companhia somente de Pokémon que foram maltratados pelos humanos. Como resultado ele se tornou um jovem muito sensível aos sentimentos dos monstrinhos, porém também muito inocente e não percebeu que o plano de Ghetsis era distorcer sua percepção da realidade para que ele se tornasse o herói da lenda e ajudasse cegamente na dominação global da Equipe Plasma.
O jovem N com seus amigos Pokémon

Por trás desta trama de manipulação, tanto das massas como de um herói enganado, se esconde a verdadeira proposta do jogo. Proposta esta que na verdade já fomos apresentados desde o início, ainda na parte em que escolhemos sexo e nome. Naquele momento a Professora Juniper diz que iremos conhecer diversas pessoas, com variados pontos de vista, e que espera que todos esses encontros com diferentes Pokémon e indivíduos ajude em nosso crescimento pessoal.

No decorrer do game podemos ver claramente essa mensagem que os desenvolvedores tentaram passar. Black e White não foram títulos escolhidos à toa. Toda a história gira em torno do conflito entre a verdade e os ideais. Como saber se aquilo que eu acredito é verdadeiro? Como aceitar o verdadeiro se for contra meus ideais?

Se você prestar bastante atenção nos diálogos, principalmente os que envolvem o conflito interno de N, verá que o enredo tenta nos ensinar que nada é tão preto no branco como parece. Que cada situação ou discussão possui diversos tons de cinza antes que algo possa ser considerado absoluto. E que acima de tudo devemos estar sempre dispostos a ouvir o lado do outro e abrir nossas mentes para conhecer um ponto de vista diferente sem preconceitos.
Se até esses dois puderam se entender, por que não nós?

É uma lição extremamente importante para a vida, pois temos a tendência de enxergar as coisas em apenas dois lados. Ou é bom, ou é ruim. Ou é direita, ou é esquerda. E acabamos esquecendo de aprender com o que ambos tem a oferecer. É importante pegar o melhor de cada lado para criar nosso próprio terceiro caminho, único apenas para nós e mais ninguém.

Claro que sempre vamos ter aquele polo com o qual nos identificamos mais, porém é sempre importante nos questionarmos sobre nossas ações e crenças. Da mesma forma que N fez ao longo do jogo, conforme foi descobrindo que a Equipe Plasma não era tão bem intencionada assim e que a relação entre humanos e Pokémon não era de pura servidão, mas sim de amizade e confiança.
Tal qual na filosofia chinesa do Yin Yang, o equilíbrio entre os opostos é fundamental

Esses são os únicos jogos Pokémon onde o embate contra a equipe maligna se estende até os últimos momentos do jogo, com a batalha contra Ghetsis marcando o desafio final antes dos créditos rolarem. Além de ser uma mudança de parâmetros muito bem vinda, essa também é uma forma de mostrar como o enredo e a mensagem por trás dele são importantes ao ponto de receberem todo esse destaque.

Nunca antes Pokémon se aproximou tanto dos clássicos RPGs japoneses, deixando o clímax para o derradeiro final, e é uma pena que a fórmula não tenha se repetido nem mesmo em Black 2 & White 2. Em contrapartida isso torna Black & White ainda mais únicos em toda a história da franquia.

Jamais devemos esquecer daquela vez que Pokémon deu uma segurada nas tradições e nos apresentou Unova, com seu impacto de não ter nenhum monstrinho antigo antes do pós-game e com uma narrativa inesquecível, repleta de lições para a vida real dos treinadores.
Black & White mexeram comigo e me reafirmaram o valor de conhecer diferentes pontos de vista ao mesmo tempo em que se questiona e desenvolve o seu próprio. E vocês treinadores? Que boas lembranças tem desses jogos tão diferentes na franquia Pokémon?

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