A Impossibilidade de Pokémon Rainbow - Pokémon Blast News

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01/09/2016

A Impossibilidade de Pokémon Rainbow

O período de passagem de gerações é algo engraçado. Aquele curto período de tempo que vai desde o anúncio de algo grandioso vindo aí até a revelação da verdade é um dos períodos mais perigosos da franquia. É onde surgem os maiores e encantadores rumores a respeito dos nossos queridos monstros de bolso. Geração vai, geração vem, novos rumores vão tomando o lugar dos antigos e alimentando a vontade dos fãs. Desde a passagem da quarta para a quinta geração um rumor continua firme e forte e retorna em todos os períodos de passagem de geração. Pokémon Rainbow vem aí, e todos sempre esperam que ele venha mesmo. Mas será que Pokémon Rainbow seria mesmo possível?

Proposta

Pra quem não conhece, Pokémon Rainbow seria um jogo para 3DS (ou DS, originalmente) que se passaria em todo o mundo Pokémon. O jogo começaria em Kanto e batalharíamos contra os 8 líderes de ginásio de lá. Após isso haveria uma liga como a do anime e ao vencê-la passaríamos para a Elite dos 4 e o campeão. Ao vencer o campeão ganharíamos o direito de ir para Johto, depois para Hoenn e também Sinnoh. Algumas versões do rumor acrescentam as Ilhas Laranja à aventura. Seria o jogo que os fãs do anime tanto esperaram. Todos os 493 Pokémon (721, nas versões mais recentes) existentes seriam capturáveis em suas respectivas regiões. Seria um sonho virando realidade. Mas não passava disso: um sonho.

Problemas

Um jogo que se passe em quase todas as regiões do mundo Pokémon parece ser uma coisa maravilhosa, mas na prática a coisa é bem diferente. Vamos começar pelos ginásios. Os Pokémon de cada ginásio possuem níveis variados que vão aumentando a medida que os ginásios vão sendo vencidos. E logo depois temos a Elite dos 4 e o campeão com os Pokémon de nível ainda mais alto, sem falar de algum outro treinador final com a equipe mais forte do jogo. Se o jogador vencesse esse treinador e partisse para a outra, eventualmente ele chegaria a um ponto onde os ginásios/Elites dos 4 parariam de subir de nível, o que tiraria uma parte fundamental do jogo que é o treino, já que não seria mais possível subir de nível. Qual poderia ser a solução?

Mudar o sistema de nível para que seja mais demorado subir o nível do Pokémon? Nem pensar! Cada Pokémon possui duas quantidades de experiência. A experiência necessária para subir de nível e a experiência dada quando o Pokémon é derrotado em combate. O valor das experiências muda a medida que o nível do Pokémon vai subindo, mas mantém o mesmo valor desde o jogo de estreia do Pokémon em questão até hoje. Exemplificando, um Ratatta nível 3 de Pokémon Red dá a mesma experiência de um Ratatta nível 3 de OmegaRuby. Seria necessário mexer em toda a programação do jogo para que isso acontecesse. Além do fato de que alguns Pokémon já precisam de muita experiência para subir de nível. Imagine como seria treinar um Dratini levando o dobro, triplo, quádruplo do tempo normal porque o Pokémon precisa de mais experiência que antes e/ou os Pokémon adversários dão menos experiência do que deviam. O que poderia ser feito então?

Aumentar o nível máximo? Absolutamente não. Manter o nível 100 como máximo serve como padrão para outra característica dos jogos que é a conectividade com os spin-offs e os jogos anteriores. Por que vocês acham que alguns odeiam a terceira geração dos jogos? Porque não podiam mais transferir seus Pokémon dos jogos anteriores para os novos devido as mudanças feitas nos IV’s e a adição das natures e habilidades. Por outro lado, a conectividade entre jogos permite que você mande por exemplo um Pokémon de Colosseum para Emerald, para Diamond em seguida e para Battle Revolution no fim, pois os dados base dos Pokémon são os mesmos entre eles.

Fora isso ainda há o fato de que estamos falando de um jogo para o Nintendo DS/3DS. Vocês fazem ideia do tamanho de um jogo de Pokémon para esses sistemas? Ou de quanto um cartucho deles suporta? Vamos lá, o Nintendo DS usava cartuchos de até 2 gigabytes de armazenamento enquanto os de 3DS suportam até 8 gigabytes e ambos reservam um espaço, de geralmente ¼ do total, para salvar o progresso. Comparando com os últimos jogos de cada sistema, Pokémon Black2 & White2 ocupam 512 megabytes, enquanto Pokémon OmegaRuby & AlphaSapphire ocupam 1,7 gigabytes. Agora, estamos falando de um jogo com 4 mapas enormes, 721 criaturas diferentes (fora as de Alola) para serem capturadas de uma vez (nada de monstros exclusivos de uma versão ou outra), 43 personagens fixos (líderes, elite, campeões, rivais), inúmeros personagens secundários (campistas, ladies, super nerds, treinadores ases, etc). Como um jogo como Rainbow poderia caber num desses cartuchos? Não poderia. Então seria melhor lança-lo como jogo para Wii U ou NX? Não.

A ideia de Pokémon é que você possa jogar em qualquer lugar, por isso a série principal é sempre lançada para consoles portáteis, e só alguns spin-offs vão para consoles de mesa (e esses spin-offs nunca carregam os elementos chaves da série principal). Além disso há um outro assunto a ser levado em questão.

Pokémon Rainbow englobaria as quatros primeiras regiões, o que já deixaria o jogo defasado em relação à quantidade de Pokémon, itens e outras coisas existentes. Mesmo lançando uma sequência com os outros Pokémon restantes, ele sempre ficaria pra trás quando uma nova geração fosse lançada e acabaria sendo inviável refazer a mesma jornada sempre com mudanças só perto do final. A solução, aparentemente, seria manter um único jogo Rainbow, que recebesse atualizações/DLC’s futuras que adicionasse a nova região e todas as novidades. Mas isso acabaria desencorajando as pessoas a comprarem os jogos da série principal pois seria mais viável pagar apenas uma DLC pelo conteúdo novo do que pagar um jogo inteiro e um portátil novo. O que poderia ser o fim da nossa franquia.

Pokémon Rainbow era uma coisa interessante numa primeira olhada, mas acaba por ser uma impossibilidade. Ainda sim, nada nos impede de sonhar com ele, desde que fique claro que algo assim é praticamente impossível e que não devemos acreditar nele quando seus rumores voltarem daqui a alguns anos na passagem para a oitava geração.

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