Crônicas de Bolso: Simplesmente Normal - Persian - Pokémon Blast News

Novidades

Ad superior

13/01/2016

Crônicas de Bolso: Simplesmente Normal - Persian

Olá, galerinha!

Antes de mais nada... FELIZ ANIVERSÁRIO PARA NÓS!!! =D


Meu inicial preferido e a minha idade em velas! Inacreditável! O.O

Galera, as Crônicas de Bolso fizeram UM ANO de vida aqui na PBN no dia 8 de janeiro! Pois é, as Crônicas são capricornianas! Ou melhor, gogoatianas! =)

Eu simplesmente não tenho o que falar para agradecer a vocês por todo esse apoio. Eu nunca poderia imaginar que um projeto de férias duraria um ano inteiro e ainda mais! O que eu fiz foi trazer a história que vocês todos pediram em coro (sem trocadilhos com a CoroCoro, ok?) na outra semana: Persian! E vamos à subsérie Simplesmente Normal, pessoal!

A história de hoje também foi um pouquinho construída por vocês, então espero que gostem! O que eu posso adiantar? Bem... acho que emocionante e revoltante são duas palavras que descrevem bem a crônica de hoje. Se o final é feliz ou não, fica a critério de vocês! ;)

Ah, também teremos uma velhinha na história de hoje! Então, já sabem o que vai acontecer com ela, né? Mwahahahaha. Tadinha... ='(

Se preparem, Raichu e Arcanine, vocês estão na reta também!

   Uma das piores coisas que se pode fazer é construir castelos sobre o vento, elevar uma casa sobre a areia. Se as bases não são verdadeiras, tudo acaba ruindo. No entanto, a vida em si é tão generosa que, mesmo quando alguém se vê ao relento, ela dá a chance de começar de novo...


Simplesmente Normal: Persian



   É fácil dizer que a ignorância é característica dos que são maldosos e atribuir-lhes toda a sorte de palavras ruins, mas não se pode esperar que alguém saiba o certo se esta só conheceu o errado. Quando se cresce em um meio fadado à falsidade, só o dinheiro e o poder possuem brilho, mesmo que sejam apenas poeira no final das contas.
   Em meio à noite fria de Buenos Aires, o silêncio imperava em uma luxuosa mansão com séculos de histórias para contar. No salão principal, a meia-luz ajudava a encobrir os rostos dos frequentadores daquela casa. Garçons passeavam entre as pessoas para oferecer vinhos requintados a elas, devidamente servidos em bandejas de prata. Apesar da branquidão das paredes e transparência dos cristais, eram as roupas negras dos visitantes que davam o tom fúnebre da ocasião.
   Uma velha senhora estava sendo velada em seu caixão e as poucas pessoas próximas se reuniam para os rituais de despedida. O tango rasgado contribuía para o tom melódico e choroso das pessoas que mais estavam ali por obrigações do que por sentimentos. Também pudera, a senhora não passava de uma velha trambiqueira, acostumada à vida mansa que seu marido rico a deixou como herança. Não teve filhos e a família se perdeu no vento, apenas seus copeiros, domésticas, advogados, contadores e gerentes de banco se encontravam ali, fosse para servir ou para arquitetar algum plano para tirar vantagem do inventário da falecida.
   Talvez a única coisa que parecesse fora do lugar ali era o gato da senhora, um Persian magnífico, bem cuidado e extremamente elegante, mas deveras genioso. O típico gato de gente rica desfilava pelo salão enquanto as pessoas elogiavam sua valiosa joia ou seu pelo macio. Diversas mãos dotadas de anéis acariciavam o gato, cobiçado por muitos magnatas.


    Persian não gostava de sua dona, apenas aceitava o fato de que ela era sua fonte de comida e luxo, provedora de todos os seus mimos. A única preocupação do gato era quem seria seu novo dono, detestava aquelas pessoas vazias e o cheiro de charuto que vinha deles, mas seria capaz de tolerá-los para ter uma vida de regalias.
   Quando o velório se aproximava do fim, pouquíssimas pessoas ainda se encontravam na mansão, que seria fechada para avaliação dos bens da finada idosa. Não havia uma boa alma que ficasse por tanto tempo na companhia da defunta, sequer poderiam tirar vantagem da situação e bajulá-la, afinal estava morta mesmo. Os empregados já encostavam as costas na parede e bocejavam tediosamente.
   Com seus laços e fitas penduradas, Persian se dirigiu até o jardim para olhar a noite e tentar tirar seus enfeites. Era um de seus principais motivos para detestar sua dona, ela o enchia de adornos chamativos, pedras pesadas e fitas que lhe tiravam o ar desde que era um simples Meowth. Além de trambiqueira, era uma velha muito cafona.
   Ela sequer sabia se era um gato ou uma gata, tamanha a desfaçatez com a qual sempre tratou seu animal de estimação, apenas queria que Persian fosse visto pelos outros, era seu comprovante de que pertencia à alta sociedade.
   Enquanto tentava se livrar de toda aquela fantasia incômoda, Persian sentiu uma aproximação não anunciada e seus instintos felinos o fizeram virar rapidamente para trás. Um dos homens que estavam presentes no velório estava com uma caixa de transporte de animais e vinha em sua direção.


   Persian sentiu imediatamente as intenções sombrias daquele senhor e arranhou sua mão. O homem gritou ao ver sua mão arder e começar a sangrar e, em um ato de destempero, estapeou Persian na cabeça e o obrigou a entrar na caixa, queria tomar o gato para si e garantir que ele não constaria como um dos bens na partilha. Persian fincou suas garras no chão e tentou girar seu corpo para se livrar da mão que o puxava pelo pescoço.
   Naquele momento, os funcionários da casa chegaram munidos de lanternas e perguntaram ao homem o que estava acontecendo. Em uma fração de segundos, o senhor se descuidou do gato para responder e Persian aproveitou para morder a mão do sujeito e fugir em seguida.
   Persian correu pela estrada, escondendo-se ora nas sombras e ora sob as luzes dos postes que o acompanhavam. Ele estava completamente arisco e sem rumo, totalmente reativo a qualquer coisa que lhe parecesse minimamente ameaçadora.
   O gato logo se viu perdido em meio à vida agitada das noites da capital argentina. Desviava de carros, os faróis praticamente o cegavam, todas aquelas vozes o confundiam e as pessoas tinham medo dele, apesar de admirarem seu porte e elegância. Sem ter para onde ir e já sentindo a dor subir por suas patas, o gato se enfiou no primeiro beco aparentemente seguro e silencioso que encontrou e por lá ficou até que o cansaço o fizesse dormir.
   Na manhã seguinte, Persian se viu sujo, seu pelo estava desgrenhado e a fome o fazia amargar. Não havia comido nada desde a última noite, sentia nojo de si mesmo. O gato tentou se lamber para tirar aquele cheiro de lixo que ficou entranhado em seu corpo, mas só conseguia ferir sua pele de tanto lambê-la para se limpar.
   Perdendo as esperanças e acreditando que não tinha mais nada que pudesse fazer, o gato de madame partiu em busca de comida, na tentativa de resolver um de seus problemas. Persian desfilava pelas calçadas e parava em frente à porta de padarias, lanchonetes e bares. O gato atraía atenção dos frequentadores ao balançar sua cauda e demonstrar sua beleza. Alguns o olhavam com curiosidade ou estranheza, mas poucos ainda o achavam bonito, tanto que fora escorraçado por alguns donos de estabelecimentos. Persian havia se tornado um gato de rua e isso o destruía por dentro.


   Poucas pessoas ainda se apiedavam de sua condição e o davam alguns pães, batatas fritas ou aperitivos quaisquer, jogavam a comida no chão para que ele pudesse pegar. Persian se sentia afrontado a cada vez que faziam isso, sujavam seu alimento ao jogá-lo em uma calçada imunda e cheia de poeira, sequer davam uma comida refinada, prova do mau gosto daquela gente. A única coisa que o gato fazia nessas situações era olhar com desdém para quem o tratava daquela forma, dava as costas e ignorava a comida imediatamente.
   A fama de temperamental logo fez diminuir a quantidade de pessoas que ainda se importavam com ele, muitos o afugentavam e o xingavam por tê-los feito desperdiçar a comida que eles mesmos comeriam. Persian nunca aceitava nada que o oferecessem, nada era do seu nível.
   O resultado não poderia ser outro: quem não come, acaba definhando. Persian estava cada vez mais magro e faminto, se negava a comer algo que não fosse requintado, preferiria realmente morrer. O gato passava grande parte de seu tempo em seu beco, expulsando qualquer um que ousasse se aproximar dele. No entanto, Persian não podia fazer nada com alguém que o fizesse durante o seu sono...
   Os dias foram se passando e Persian foi percebendo que sempre que ele acordava, havia um pouco de comida sobre um pedaço de papelão à sua frente. Como era de se esperar, o gato rejeitava sumariamente todo alimento que era colocado ali na calada da noite, mas aquilo o intrigava por demais. Havia algo ou alguém que insistia em tentar alimentá-lo mesmo após suas sucessivas recusas, alguém persistia por ele.
   Persian não comia há dias e aquilo o deixava cada vez mais fraco. Sua situação era tão crítica e deprimente que seu corpo revelava as costas, sua pelagem começava a cair e deixar várias falhas em seu pelo.
   Decidido a por fim naquele mistério, Persian se encaminhou para o beco como de costume e se deitou atrás de uma grande caçamba de lixo, mas não se permitiria dormir aquela noite, ficaria de tocaia esperando aquela pessoa aparecer.


   Fingindo que estava dormindo, Persian ouviu algo se aproximando em sua direção, seguido do barulho de papel sendo amassado, era a comida que estava sendo posta sobre o jornal. Persian aguardou alguns instantes até que não ouviu mais aquele barulho e sentiu aquela presença se afastar lentamente.
   Foi então que o gato deu um pulo e foi para frente, querendo descobrir a identidade daquela pessoa. O gato vasculhou o beco, mas não encontrava nada, apenas ouvia um gemido choroso e assustado nas proximidades. De repente, uma lata de lixo tomba e o gato pula para trás, avançando em seguida para ver quem estava se escondendo ali.
   Persian se aproximou e viu uma criança sentada, abraçando as pernas e encolhendo a cabeça. A menina morria de medo da reação do gato e fechava os olhos com força para não ver o que acontecia. Persian ficou parado olhando para a garotinha, era uma moradora de rua. Uma criança abandonada, de roupas rasgadas e que fedia muito, mas ainda era uma menina assustada com o gato. Aquilo mexeu com Persian de forma questionadora, nunca haviam sentido medo dele antes, não assim, tão claramente. Persian havia se tornado algo medonho.
   A menina de rua tremia e custou a erguer o rosto para olhar nos olhos de Persian, mas sua curiosidade venceu o medo. Ela sorriu com timidez, mas o suficiente para mostrar que lhe faltava um dente na boca, felizmente seria apenas um dente de leite.
   Persian se aproximou dela e a menina inocentemente estendeu a mão em direção ao gato, acariciando acidentalmente seus bigodes. Persian desmontou imediatamente, aquela sensação de carinho era única e indescritível, era boa demais. Nunca haviam feito carinho de verdade em Persian, mas logo o gato se recuperou de seu transe momentâneo e entrou em seu estado de suspeita novamente.



   O gato se afastou da menina e ela recolheu o braço imediatamente, os dois ficaram ali se olhando até que Persian decidiu voltar a dormir e a menina partiu. Quando Persian acordou no dia seguinte, havia uma nova comida à sua frente e a menina retornou pela manhã.
   O cheiro familiar logo atraiu a atenção do gato que reconheceu o filé de atum azul que tanto o agradava, a menina havia andado a noite inteira até chegar ao restaurante renomado que preparava aquele prato. De tanto observá-lo, a menina foi capaz de entender suas necessidades e exigências. Persian chegava a salivar ao ver aquele peixe, mas já estava frio e provavelmente eram as sobras do jantar da noite passada, ainda não estavam à sua altura. A menina não sabia o que fazer para que o gato se alimentasse, cuidava dele como se fosse seu próprio bichinho de estimação.
   No entanto, Persian não era o único a ter um olfato bastante apurado. O cheiro forte do atum azul atraiu vários gatos de rua para aquele beco, todos já machucados e com olhares sem vida. Os gatos mostraram suas garras e rodearam a menina, que ficou acuada na parede de trás do beco. Os gatos avançaram em direção ao peixe e lutaram violentamente entre si para comer o atum azul, lutavam por migalhas que muitos comeram, mas não foram capazes de saciá-los.
   Os gatos mais feridos fugiram, mas os que ficaram ali se voltaram contra Persian e a menina, na esperança de que eles ainda pudessem ter mais comida. A pequena moradora de rua foi escoltada por Persian até a caçamba, onde se abrigou. Ao som da batida que fechou a caçamba, os felinos começaram a guerrear. Persian não tinha a menor habilidade em batalhas, era um gato de madame e foi severamente mordido e arranhado pelos outros gatos de rua.
   Vendo seu animal ser ferido, a garota começou a chutar a parede da caçamba pelo lado de dentro, fazendo barulho para espantá-los. Buscando no lixo, a menina encontrou uma panela velha e saiu de dentro da caçamba, batendo na panela repetidas vezes. O barulho estridente irritou a audição sensível dos felinos e eles acabaram fugindo. A menina correu para acudir Persian, que estava caído e viu vários pontos vermelhos no chão.



   Ela ajudou o gato a se erguer e buscou o local do ferimento, mas não viu nenhum corte aberto com sangue escorrendo nele. Quando a menina se aproximou para ver o que havia no chão, ela reparou que não eram gotas de sangue, mas sim fragmentos da joia vermelha que Persian usava na testa.
   O gato passou a pata em sua testa e sentiu falta de sua joia, arregalando os olhos em choque. A estimada joia que era a prova da estirpe e nobreza de Persian não era nada além de uma bijuteria falsificada. A velha trambiqueira era tão ardilosa que deu a seu gato uma pedra falsa apenas para enganar os olhos dos outros.
   A alma de Persian se partiu junto de sua joia, não restava mais nada de sua antiga vida. Aquela ruptura foi tão intensa que, mesmo com os chamados da menina, o gato não expressava qualquer reação. Demorou muito até que Persian pudesse cair em si, mas ele sequer tinha forças para pensar em si. Suas lembranças vieram todas ao mesmo tempo em seus pensamentos e era como se cada uma delas se partisse como vidro.
   Depois de ficar horas olhando para o chão, Persian virou a cabeça lentamente para o lado e andou em direção à comida quase apodrecida dos outros dias. Persian se curvou e abriu a boca dolorosamente e começou a mastigar a comida que estava ali no chão. A mandíbula do gato doía depois de tanto tempo sem mastigar e a menina contemplou aquele momento em silêncio, ela sabia que não podia interromper todas aquelas coisas que estavam sendo processadas dentro de Persian. A única e mais sincera reação da menina de rua foi sentir uma lágrima pura escorrer pelo seu rosto. Mesmo que suas roupas fossem rasgadas e seu cheiro fosse ruim, seu coração ainda era mais valioso do que as falsas joias de muitos que vivem em palácios...



E assim termina a história de hoje...


- - - - - - -


   Fala, pessoal! E aí, gostaram da história do Persian? Eu gostei muito de pegar as ideias de vocês e construir essa crônica com o que vocês pediram! Esse é o meu presente de aniversário das Crônicas para vocês! ^^

   Queria também agradecer ao Ninetales, afinal foi ele quem nos trouxe até aqui, não foi? Lá atrás... há um ano, a minha primeira crônica publicada, quando nós nos encontramos, pessoal! Desejo que todos vocês sejam generosos e tenham um coração caloroso assim como Ninetales e o senhor feudal de sua história! Felicidades, pessoal! ^^

   Ah, sim! Vocês se lembram que as crônicas estão quinzenais, não é? Por enquanto, eu não tenho novidades quanto a isso, mas sábado vai ter surpresa. Fiquem ligados! =P

   Aproveitando que a gente já está aqui conversando, então... quem vocês querem ver por aqui na outra semana? Alguma preferência de tipo ou de enredo? Estou com o caderninho na mão, podem fazer seus pedidos! A gente se vê nos comentários, galera. Até a próxima! ^^




Post Top Ad