Crônicas de Bolso: Enigmas de Fantasma - Gourgeist - Pokémon Blast News

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06/11/2015

Crônicas de Bolso: Enigmas de Fantasma - Gourgeist

Olá, galerinha!

E cá estamos com as Crônicas de Bolso! Como vocês têm passado? Espero que estejam animados, pois ainda estamos em ritmo de gostosuras ou travessuras. Seja o Halloween, o Dia dos Mortos mexicano ou o brasileiríssimo Dia do Saci, o importante é comemorar! =)

Trago a vocês hoje a nossa pequena contribuição temática, vocês pediram e ela veio: Gourgeist! Parece que a abóbora das bruxas ganhou a votação, não é mesmo? Preparem-se para desvendar mais uma vez os Enigmas de Fantasma!

Aliás, para uma crônica de Dia das Bruxas, nada melhor do que esta trilha sonora AQUI. Divirtam-se! Quero dizer, não sei se essa é a palavra mais adequada...

Às vezes, é melhor ter mais medo dos vivos do que dos mortos... mas só às vezes...

   Tudo se torna mais assustador no escuro, pois é onde o medo domina e ele é criativo, sempre escolhe atacar os pontos mais fracos. O problema é que muitas vezes o grande vilão não é aquilo do que se tem medo, mas o monstro no interior de cada um, a origem de todos os medos.



Enigmas de Fantasma: Gourgeist



   Quando as bruxas celebram seu dia e as abóboras ganham vida, algo mágico e secreto acontece, como um feitiço lançado no céu entre as brumas que ofuscam a lua cheia. Diferentes povos festejam suas homenagens às criaturas sobrenaturais ao som da melodia do desconhecido.
   O final do mês de outubro se anunciava e os moradores de um vilarejo na Alemanha já se preparavam para a tradicional festa das abóboras. Visitantes de todas as partes do país viajavam para poderem tomar parte naquele evento, cujas raízes não eram tão felizes como se poderia imaginar.
   Os antepassados daquelas pessoas cultuavam as abóboras-fantasmas como uma forma de agradecimento, pedindo para que elas os livrassem dos espíritos maus que vagavam por ali.
   A lenda dizia que as pessoas más eram punidas após a morte por suas ações em vida e elas eram proibidas de deixar o mundo material até que todos os seus débitos fossem pagos. Aos maus espíritos, restavam apenas duas opções: sofrer por toda a eternidade ou aceitar o fardo de se transformar em um Pumpkaboo.
   Os Pumpkaboo eram almas ruins presas em corpos de abóbora e surgiam em diferentes tamanhos, de acordo com a força e a bondade que adquiriam após a vida. Sua missão era iluminar o caminho para outras almas que deixavam o mundo e guiá-las para o descanso eterno. Caso os Pumpkaboo exercessem sua missão de forma digna, o espírito preso na abóbora seria libertado, mas, se eles se desviassem de sua missão, viveriam presos para sempre.



   Sendo assim, os humanos respeitavam as abóboras para que elas não guiassem os maus espíritos até o vilarejo e os levassem para lugares bons quando suas vidas chegassem ao fim. Porém, o tempo costuma varrer os ensinamentos antigos e as novas gerações não se esforçam para recuperar suas raízes...
   A festa das abóboras tornou-se um feriado comercial, uma simples celebração com muitos doces e fantasias, livres de qualquer importância real para aquelas pessoas. Os Pumpkaboo gostavam da alegria dos humanos e viviam com eles, esquecendo-se de sua missão e aprendendo a viver de outra forma.
   Humanos e abóboras se tornavam amigos e formavam laços para toda uma vida. Talvez aquilo até fosse bom, pois ambos ficavam felizes, mas ninguém podia dizer de verdade o quanto aquela alegria toda duraria...
   Todo humano, fosse criança ou idoso, homem ou mulher, tinha um Pumpkaboo que o protegia de maus espíritos, mas nem todas as abóboras tinham um par. Havia uma Pumpkaboo rechaçada pela sociedade e humilhada por seus semelhantes, ela não possuía atrativos, era lenta para se movimentar e sua forma fazia com que as pessoas rissem dela; tudo porque era gorda e desengonçada como nunca se viu antes.
   As pessoas questionavam como ela podia ser tão gorda já que era apenas um fantasma e isso era tema de discussão sempre que ela era vista. Nunca lhe davam doces, diziam que ela explodiria se os comesse. Os outros Pumpkaboo a tratavam como se fosse uma bola e pregavam peças nela, pois sabiam que ela nunca seria capaz de pegá-los, era lenta demais para isso.



   A abóbora gigante era ofendida pelos seus semelhantes e pelos vivos, só lhe restava o consolo dos mortos. Ela vagava pelas florestas e pelos cemitérios, conversando com os espíritos tristes e os guiando para um lugar melhor. Ela os orientava a passar adiante mesmo sem saber da missão antiga de todos os Pumpkaboo, ela os ajudava sem saber de seu propósito, nunca o soube. Era gorda, mas era assim porque cumpria seu destino de bom coração e apenas uma grande abóbora podia ser a moradia de um grande espírito.
   Assim como os outros, a Pumpkaboo não se lembrava de sua vida humana, nunca fora ensinada sobre as lendas antigas e acreditava ter nascido uma abóbora. Por ter sido recusada pelas pessoas, acabou cumprindo seu destino e preferindo os mortos aos vivos, aqueles que realmente eram seus semelhantes. A abóbora-fantasma sentia-se bem ao ouvir as histórias dos que se foram e guiá-los para um lugar melhor com as luzes que guardava dentro de si.
   Era como uma vela acesa, com um calor amoroso que irradiava luz de dentro da abóbora. A cada espírito que guiava, seu corpo aumentava ainda mais, até algumas rachaduras começavam a surgir na dura casca de sua abóbora. O espírito de Pumpkaboo crescia, o brilho da luz em seu interior se intensificava e tudo aquilo forçava as paredes internas da abóbora, que talvez realmente fosse explodir como lhe diziam em tom de deboche.
   Os anos se passavam e nada mudava. Tudo era sempre o mesmo, as pessoas não mudavam e nem o sofrimento da abóbora. A pobre Pumpkaboo gostava de assistir a festa das abóboras, mas não ousava participar, tinha medo do que poderiam fazer a ela. A abóbora-fantasma celebrava o seu festival junto aos espíritos na floresta. No entanto, aquele ano seria diferente.




   Era chegada a grande festa das abóboras, mais um ano de celebrações vazias e doces. Todos estavam felizes com seus amigos. Como sempre, Pumpkaboo os via de longe e sem se envolver. Sua casca já estava praticamente quebrada de tão severa que era a rachadura.
   Em meio às árvores, Pumpkaboo se questionava do porquê de sua rejeição, achava que a culpada só podia ser ela mesma. Afinal, se todos a menosprezavam, provavelmente a culpa seria dela, ou ela seria a única certa e todos estariam errados? A abóbora-fantasma sofria por não poder aproveitar a vida e as festas como os outros.
   Mas algo interrompeu seu questionamento. Algo não, alguém; era um espírito assustado e desorientado, queria encontrar sua família. Pumpkaboo apiedou-se dele e sentiu enorme afeição; mesmo que ela não pudesse ser feliz, queria que alguém ali o fosse. A abóbora não sabia onde encontrar as almas que o espírito perdido procurava e tratou de levá-lo ao único lugar que tinha em mente, o cemitério. Iluminando o caminho escuro da floresta, Pumpkaboo o guiou até a morada dos que se foram e viu o espírito encontrar seus familiares.
   A felicidade veio com uma grande surpresa. Pumpkaboo sentiu seu corpo se desmontar e sua abóbora se partiu ao meio. A luz em seu interior crescia para o alto, formando um tronco esbelto coberto por uma espécie de crina cor-de-rosa.
   Pumpkaboo não explodiu de gorda, não pelos doces que nunca comeu, mas sim desabrochou, como um botão de uma bela flor; nasceu, como uma planta que surge da semente; transformou-se, como a borboleta que voa ao se libertar do casulo. Enfim, evoluiu.



   Todas as almas do cemitério assistiram a transmutação da abóbora em plena noite de bruxas, viram como ela havia se tornado bela e longilínea, de corpo proporcional e cabelos lisos e longos. Os mortos saíram de suas tumbas e festejaram o nascimento de Gourgeist.
   Encorajada por aqueles que lhe foram sensíveis, a abóbora-fantasma decidiu ir até a festa na esperança de que poderia ser aceita pela primeira vez em sua vida. Sentia-se confiante e alegre consigo mesma, mal podia esperar para ver a reação de seus velhos companheiros.
   Gourgeist chegou ao evento em seu ápice. Os ponteiros já cruzavam a marca da meia-noite, os humanos e os Pumpkaboo dançavam ao som de músicas tradicionais. A abóbora-fantasma se aproximou com cautela e tentou atrair a atenção do público, mas todos estavam hipnotizados pela comida e pela música, adormecidos para a realidade.
   Gourgeist subiu em um palanque improvisado e puxou o microfone para si, que emitiu seu som estridente característico. A música foi interrompida e os presentes reagiram como se estivesse acordando repentinamente de um sono conturbado.
   A abóbora-fantasma abriu seus braços e sorriu para o povo, apresentando sua bela forma. Porém, a reação não foi tal qual a esperada, mesmo que os olhares curiosos e a estranheza fossem previstas. Do contrário, a curiosidade novamente se transformou nos velhos conhecidos risos de deboche. Diziam que ela era magra demais, que seu cabelo era estranho. Tudo aquilo continuava sendo bizarro e diferente, nunca haviam visto uma Gourgeist.


   Mesmo sem saber que se tratava da velha e gorda Pumpkaboo, as pessoas apontavam-lhe com escárnio e toda a sorte de traumas e sentimentos conflituosos novamente retornou ao coração de Gourgeist. Tudo o que ela mais temia estava se concretizando, seu medo de ser rechaçada em público na festa era real.
   Paralisada e sem saber como agir, Gourgeist buscava com os olhos qualquer lugar seguro onde pudesse se esconder, mas só via bocas abertas e dentes à mostra. A abóbora murmurava de medo enquanto era dominada pela covardia daquelas pessoas, chegava a acreditar que a humilhação fazia parte de seu destino.
   Não lhe restou nada além de um grito agonizante de dor. Seu pranto amplificado ao microfone penetrou na mente dos que ali se encontravam. Seu sofrimento era tanto que até a névoa e as árvores respondiam a sua dor. O grito amaldiçoado de Gourgeist fez surgir raízes do chão que se enroscaram nos pés das pessoas e laçavam as abóboras, trazendo todos ao chão. A cada momento, mais e mais raízes emergiam da terra e puxavam com força todos os participantes da festa para baixo, imobilizando seus braços e pernas e os prendendo pela garganta.
   Não havia ninguém mais que pudesse rir. As raízes de Gourgeist se envolviam nas pessoas de tal maneira que até seus rostos eram cobertos por elas. Pouco a pouco, as raízes começaram a absorver a energia vital daqueles que não a mereciam. Carne e ossos foram cedendo lugar a pedras e poeira, aquilo de que seus corações também eram feitos.



   Quando Gourgeist conseguiu se acalmar, sentiu ainda uma forte tristeza em seu peito, mas o que captou sua atenção foi a visão de um grande jardim de estátuas petrificadas. Eram as pessoas vazias e os Pumpkaboo desviados de sua missão, ambos frios e incapazes de um gesto de afeto.
   Aquilo não era culpa de Gourgeist, nunca havia sido, nem mesmo quando era Pumpkaboo. Ela nunca havia sido feia e mesmo quando se tornou deslumbrante, a visão ofuscada daquelas pessoas estava cega para qualquer beleza no mundo. Olhos tórridos não veem beleza; consideram belo o que é como eles, não por saberem o que é verdadeiramente bonito, mas simplesmente por se enxergarem naquilo. Eram pessoas que se orgulhavam até de seus defeitos.
   Gourgeist sempre foi bela em seu interior e as pessoas não eram capazes de enxergar aquilo nem quando seu exterior também evoluiu. O choro da abóbora-fantasma ecoou pelo além e chegou aos ouvidos dos espíritos. Em respeito e admiração por ela, todos os mortos se levantaram e se reuniram com Gourgeist para consolá-la e celebrar sua festa, afinal ela também era uma abóbora e era seu direito participar do festival.
   Uma nova melodia começou a ser ouvida sem se saber de onde e todas as almas tiraram Gourgeist para dançar em meio ao jardim de estátuas petrificadas. Aquele enfim havia se tornado um dia das bruxas feliz mesmo com um final trágico, pois finalmente havia deixado de ser uma celebração vazia para retornar à origem das lendas. Agora, era a vez de os espíritos ajudarem os vivos a encontrar o seu caminho.


E assim termina a história de hoje...


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   Promessa cumprida, pessoal! Vocês pediram e a Gourgeist fez as honras no especial de Halloween! Dedico a crônica de hoje a todos que votaram na abóbora fantasmagórica e ao Fael, que fez esse request há muito tempo também! =)

   Pois é, continuamos no esquema das crônicas quinzenais, mas vai ser por pouco tempo. Logo, logo voltamos à programação normal. Enquanto isso, vocês podem reler alguma história ou conferir uma que vocês não tenham lido ainda no Índice, é só clicar AQUI. ^^

   Tá, agora vamos pensar um pouco. Ainda nos restam os tipos Fogo, Água, Normal, Gelo, Pedra, Terra, Lutador e Inseto. Caramba, já passamos da metade da segunda temporada?! Eita! O tempo voa mesmo quando a gente se diverte. Já que é assim, então me digam, o que vocês querem para a próxima crônica? A gente se vê na próxima, pessoal! Duas ótimas semanas para todos, hehe. =P





A festa de Gourgeist




Eu vou ficar muito, muuuito feliz se você clicar aqui! Olha:

Crônicas de Bolso   Cápsula do Tempo


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