Crônicas de Bolso: Enigmas de Fantasma - Trevenant - Pokémon Blast News

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18/02/2015

Crônicas de Bolso: Enigmas de Fantasma - Trevenant



   Olá, galerinha!


   Hoje é Quarta-feira de Cinzas! Dia de ressaca pós-carnaval, acordar tarde e ficar com dor de cabeça. Mas como eu sei que vocês se comportaram bem durante a folia, a quarta-feira de hoje é de Crônicas de Bolso! =)

   Por uma incrível coincidência, a história de hoje foi escrita durante a madrugada. Falando nisso, não sei dizer se eu recomendo ou não que vocês leiam a crônica de hoje durante a noite, na calada da noite... Pode ficar mais emocionante, mas pode ficar... Bem, vocês decidem! ^^

   Ah, outra coisa! Para quem quiser, o momento de colocar uma trilha sonora, digamos, propícia é agora. Não vou deixar sugestões de áudio, mas algo que ajude a criar uma atmosfera... peculiar pode ser interessante. Isso, claro, se vocês se sentirem à vontade e corajosos o suficiente, hehe.

   Muita gente pediu que hoje o Tipo Fantasma se apresentasse, então, atendendo a pedidos, decifrem os Enigmas de Fantasma! A estrela de hoje surgiu recentemente com a sexta geração e já conquistou o coração de muitos fãs. Com vocês, a árvore assombrada, Trevenant! Senta que lá vem história e... tomem cuidado.

Aconteça o que acontecer, não olhe para o olho vermelho.
      
Nunca desmereçam as falas dos velhos, sábios e antigos. A sabedoria popular contém segredos e conselhos preciosos. Tenha respeito pelas lendas e os recados da Natureza. Você pode não acreditar neles, mas eles acreditam em você...


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Enigmas de Fantasma: Trevenant


   Muitas são as pessoas que ousam profanar e menosprezar a sabedoria antiga, o que é um terrível erro. Existe grande sabedoria por trás de lendas locais e ditados populares. Algumas dessas palavras revelam boas falas e conselhos úteis, outras já trazem avisos, que infelizmente as pessoas deixaram de acreditar.
   Em um povoado céltico, havia um provérbio: "uma folha que é pisada na ida, pode não estar mais lá na volta.". Era um claro lembrete para se ter respeito pela floresta, cuidar do que está atrás de você e jamais se perder do caminho de casa. Infelizmente, conforme o tempo passava, menor era a credibilidade deste sábio conselho. Os tempos eram outros e catástrofes não eram mais temidas.

— Fraco, medroso! Conheço meninas mais corajosas do que você!

   As provocações podiam ser ouvidas de longe. Um grupo de garotos caçoava de um menino menor do clã. A covardia era tanta que o pequeno não mais ouvia sua razão e pôs em risco a própria vida.

— Eu não sou covarde e eu vou provar! Eu vou... entrar na floresta, ir até o ponto combinado, riscar meu nome no tronco e voltar para cá. Que mal pode ter? O caminho está marcado nas árvores e eu vou levar uma vela para poder enxergar!



   Mal sabia ele que sua bravura inconsequente poderia por fim à sua vida. Os outros garotos riram e duvidaram dele, tachando-o de mentiroso e burro, atitudes nada louváveis. Os valentões levaram o menino aos empurrões até o começo da floresta e chutaram-lhe as costas como um último impulso. O rapazinho caiu ao chão e sujou todo o rosto com folhas secas e pequenos gravetos. Enquanto se recompunha, tomou cuidado para que sua vela não apagasse e, quando olhou para trás, os garotos não estavam mais lá. Eram só ele, sua luz e as sombras.
   O garoto começou a caminhar a passos vacilantes pela floresta e as únicas coisas que se ouvia eram sua respiração, as folhas esmagadas e os gravetos quebrados a cada passo, além dos grunhidos estranhos das criaturas noturnas de lá.
   O suor gélido combinava com a brisa fria que percorria aquela madrugada e agitava suavemente a copa das árvores. O menino usava sua vela para ver as árvores e seguia fielmente as marcações cortadas em seus troncos. Tudo estava aparentemente bem, apesar da tensão natural do momento, até que...

— Criança que corre de noite leva surra de açoite. Não vê o perigo além e nem que está na companhia de alguém...



   O menino começou a correr e gritar desesperadamente. Jamais tinha ouvido uma voz assim, não era de ninguém que conhecesse. Era infantil e aguda, mas não parecia de criança, soava forçada. Seu coração palpitava forte e ele corria o mais rápido que podia, mesmo que suas pernas estivessem trêmulas e lhe tirassem a devida agilidade. O garoto vagou de forma alucinante pelo interior da floresta, perdeu-se completamente da rota estabelecida. Só sabia chorar, correr e gemer de medo, implorando por ajuda.
   O menino tentou olhar para trás e viu vultos estranhos, não sabia o que eram e tinha medo de descobrir. Ele continuou correndo, mas sua desatenção o fez tropeçar em um tronco podre e ele rolou ladeira abaixo até se chocar com uma árvore, tentando ao máximo proteger sua luz.



   Após o choque, ele se encolheu todo e abraçou sua cabeça por entre os joelhos, tentando se proteger de algo que nem sabia o que era e nem se ainda estava ali. Prendendo a respiração, o garoto ficou naquela posição por alguns segundos, até que ergueu seu rosto o suficiente para poder espiar o cenário ao seu redor e ver uma coisa.
   Era um pedaço de tronco que parecia levitar, tinha chifres e olhos vermelhos, mas era pequeno. Era um Phantump. Assustado, o garoto balançou sua vela para tentar assustá-lo e o fantasma apagou as esperanças do menino com um sopro, junto com a luz da vela. Não havia mais esperanças para o garoto. Nada via, estava perdido e sem luz. Não há mais como ele encontrar o caminho de casa...


— Cadê a luzinha que estava aqui? Ah, o fantasma apagou! E cadê o menino que estava ali? A sombra comeu!

   A voz maníaca havia retornado. O menino tentou se levantar, mas não tinha mais forças nas pernas. Ele tremia, seu corpo suava frio, seu coração batia descompassadamente e nem mais sua voz era audível. Os gritos dele iam para dentro.
   De repente, uma revoada de vultos sombrios com olhos vermelhos começou a sobrevoar o garoto e o Phantump e risos histéricos eram ouvidos. Diziam que a floresta era mal-assombrada, mas o menino poderia jurar que era apenas lenda. Apenas lenda...
   As sombras se tornaram mais numerosas e o Phantump, que parecia despreocupado e indiferente, esboçou um sorriso ao olhar fixamente para o ingênuo moleque. O fantasma se aproximou bruscamente do corpo dele e o segurou com raízes de árvores. Phantump começou a sugar pouco a pouco o espírito do garoto para dentro de si.
   Lentamente, os olhos do menino foram se fechando, à medida que o espírito saía do corpo. Phantump engoliu a alma dele, mas seu corpo sombrio aumentou tanto que seu elmo de madeira  rachou.



   O fantasma não viu outra saída senão habitar um tronco pútrido e maior que estava por perto. O corpo dele tomou os moldes da nova carcaça e garras lhe cresceram, transformando-se em uma nova criatura, um Trevenant.
   No entanto, o espírito do garoto era puro e gentil de tal forma que corrompeu o processo de evolução fantasmagórica. O tronco tornou-se cada vez mais pálido, até ficar completamente branco. As folhas de Trevenant, que eram verdes, tomaram um tom forte e vivo de vermelho. De vermelho, o olho da criatura tornou-se púrpura.
   Trevenant começou a agitar suas folhas e a emitir um som grave e assustador, fazendo as árvores das redondezas se levantarem e ameaçarem os espíritos sombrios que lá estavam. A árvore demarcava seu território e tomava posse do garoto, espantando os demais predadores. Aquele corpo de humano pertencia a Trevenant.
   Rapidamente, as nuvens sombrias se dissiparam e as vozes agudas se tornaram choramingos que foram ficando imperceptíveis à medida que se afastavam mais e mais. Trevenant começou a carregar o corpo sem vida do garoto pela floresta até retornar à fronteira da cidade.



   A árvore sombria tomou cuidado para não ser vista, apesar de já não haver uma alma viva fora de casa a esta hora da madrugada. Trevenant caminhou até uma determinada casa e estendeu seus braços por uma janela aberta, deixando o corpo do garoto no interior da residência.
   Ao se despedir, a árvore libertou o espírito da criança de dentro de si e o devolveu ao corpo de origem, que ainda permaneceu desacordado. Trevenant retornou às cores normais, mas reteve sua nova forma e desapareceu da cidade, voltando à floresta em seguida.
   No dia seguinte, o garoto acordou e deu um pulo, assustado e confuso. Estava em seu quarto. Os reflexos dele foram tão rápidos que bateu a cabeça na quina da janela. Ele se lembrava de algumas coisas, mas não fazia ideia do que havia acontecido de verdade.


E assim termina a história de hoje...


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   Ufa, acabou! E aí, gostaram da história de hoje? O tema foi um pouco diferente, mas eu espero que tenham gostado. Por favor, quem puder comentar, eu vou ficar muito feliz em responder! ^^

   Ah, tem uma coisa que eu gostaria de saber. Qual a melhor tradução para Dark-Type na opinião de vocês? Tipo Sombrio? Tipo Noturno? E isso não quer dizer que a próxima história será necessariamente sobre este tipo, viu? Até semana que vem! =)



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