Desa-Bafo de Dragão #2

Fala, galera!
Dando início ao quarto dia seguido de postagem do Sir Charizard na semana de retorno às atividades na PBN, venho falar de um assunto bastante vasto: a trama dos jogos Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire! Então, boa leitura =DD
Este texto foi originalmente publicado em 14 de janeiro de 2015 no blog do Sir Charizard.
Minha experiência com a trama principal de Pokémon Omega Ruby se desenrolou ao longo de mais de um mês e 90 horas, mas finalmente chegou ao fim no começo da semana passada. Apesar da frustração aguda que me tomava com a excessiva facilidade do jogo, a não inserção de diversas coisas bacanas introduzidas em Pokémon Emerald Version (Battle Frontier, as batalhas em duplas, os Treinadores extras no caminho, o Match Call, as revanches com os Líderes de Ginásio…), eu devo dizer que um aspecto dos novos jogos me chamou muito a atenção e me deixou bastante feliz: a narrativa. Por isso decidi não só comentar o que eu achei da história do jogo, mas também analisar a evolução que a série sofreu ao longo desses quase 20 anos na sua forma de contar histórias, por isso, se você tiver bastante tempo, cai dentro!

A Evolução da Narrativa em Pokémon
 
Apesar de sempre ter pertencido ao gênero RPG (role-playing game, ou jogo de interpretação em tradução livre), os jogos originais de Pokémon não tinham uma narrativa bem desenvolvida. Tendo sido feitos para o simplíssimo portátil Game Boy, Pokémon Red & Green Versions apenas davam uma desculpa para você seguir os princípios básicos do jogo: colecionar (encher a Pokédex) e batalhar (rival, líderes de Ginásio, Equipe Rocket). É claro que no caminho você conhecia, interagia e ajudava NPCs (personagens não-jogáveis, na sigla em inglês) interessantes, desvendava enigmas e até seguia o desenvolvimento de certos acontecimentos, mas era tudo muito simples e nada muito bem trabalhado. Articuno, Zapdos e Moltres existiam apenas por existir, enquanto Mewtwo e Mew ainda possuíam aquele ar de mistério, já que tudo que dava pra saber sobre eles eram informações enigmáticas presentes nos diários da Pokémon Mansion. O conteúdo original era tão escasso que todo os mangás da época e o próprio anime usaram de bastante liberdade para tecerem suas próprias histórias. Posteriormente, até foi lançado Pokémon Yellow Version: Special Pikachu Edition, mesclando a trama dos jogos originais com a da série animada.


Quando Pokémon Gold & Silver Versions chegaram ao Game Boy Color, houve diversas inovações nos campos gráfico e jogabilidade, mas nada tão expressivo em termos de história. Ainda assim, o fato de se situar três anos depois dos primeiros e a possibilidade de revisitar Kanto e ver o que mudou ao longo dos anos servia para dar um senso de continuidade e enriquecia a região de Kanto. Aliás, é aqui que a região dos primeiros jogos ganhava nome porque antes ela nem sequer tinha um! Além do mais, uma lenda é criada envolvendo todos os lendários da região, especialmente Ho-Oh e as feras Raikou, Suicune e Entei, dando origem ao primeiro germe de uma mitologia no mundo Pokémon. A chegada de Pokémon Crystal Version permitiu o surgimento do personagem Eusine, que contribuiu ainda mais para o enriquecimento da lenda com a importância aumentada de Suicune. A tendência de envolver o lendário da capa na trama foi seguida e melhorada nas versões seguintes: Pokémon Ruby Version & Pokémon Sapphire Version.


Os jogos lançados para Game Boy Advance deram um salto enorme, dedicando-se bem mais a contar uma história que seus antecessores. Pela primeira vez (e única vez até o momento), o protagonista ganhou pai e há um desenvolvimento na trama para tal relacionamento, o objetivo das equipes do mal está intrinsecamente ligado aos Pokémon lendários principais, que afetam diretamente a história (até Crystal, eles tinham uma participação mais opcional e pouco influente), há também tramas paralelas bacanas como a superação de Wally, a construção do S.S. Tidal do Capitão Stern com a ajuda do Sr. Briney, a trama por trás do selamento dos Regis, entre outras. Ruby & Sapphire deram um grande salto no sentido de dar a Pokémon uma trama mais enriquecida. Se os planos da Equipe Rocket em Kanto e Johto eram projetos isolados, em Hoenn as Equipes Aqua e Magma têm planos interligados que desencadeiam em objetivos muito específicos.


Em seguida, vieram os remakes dos originais: Pokémon FireRed & LeafGreen Versions. Embora muitíssimo fiéis aos jogos originais, os remakes vieram com um arquipélago inteiramente novo, as Sevii Islands, que não só proporcionavam uma aventura a mais, como também serviam para ligar alguns pontos entre os jogos originais e as sequências Gold & Silver. Temos desde coisas pequenas como a aparição de Janine - a filha de Koga que três anos depois assumiria o Ginásio de Fuschia - como também a primeira grande pista de que Silver, o rival do protagonista de Johto, seria o filho de ninguém mais ninguém menos que Giovanni, o chefe da Equipe Rocket! FireRed & LeafGreen também vieram para reparar um pequeno problema: Pokémon Ruby & Sapphire Versions não faziam conexão com os jogos previamente lançados (algo que deixou os jogadores revoltadíssimos na época por não poderem transferir seus times para Hoenn para continuarem jogando com eles), forçando todos a começarem mais uma vez do 0.
Com os remakes, os jogadores não só tinham oportunidade de voltarem a Kanto como também faziam uma missão que conectava a região de Kanto com a de Hoenn. Era a confirmação de que ambos os jogos eram paralelos… e se passavam no mesmo universo. A terceira geração então se encerra com o lançamento de Pokémon Emerald Version, que une as histórias de Ruby & Sapphire, dando-lhes uma coerência incrível ao colocar tanto as Equipes Aqua e Magma como vilãs e trazendo a primeira cutscene da franquia: uma luta épica entre os lendários Groudon e Kyogre e a intervenção poderosa de Rayquaza. Foi também ao final dessa fase que vimos spin-offs da série com tramas próprias. Antes eles eram todos jogos sem história - ou o mínimo possível -, mas com Pokémon Colosseum e sua sequência Pokémon XD - Gales of Darkness e o surgimento das franquias spin-off Pokémon - Mystery Dungeon e Pokémon Ranger a situação tomava um rumo diferente com novas tramas no mundo Pokémon surgindo e enriquecendo a franquia.


Pokémon Diamond & Pearl Versions, que iniciaram a longa trajetória da série no Nintendo DS, seguiram todas as inovações narrativas iniciadas com Ruby & Sapphire e expandiram alguns aspectos (Líderes de Ginásio mais participativos, por exemplo), mas decidiram ir além e explorar mais afundo a mitologia do mundo Pokémon e sua origem. Fomos apresentados a mais numerosa quantidade de Pokémon lendários até então: 14! Seis desses foram envolvidos na história que contava a criação do mundo Pokémon e interligados aos planos da Equipe Galáctica de alguma forma. Os demais lendários todos tinham suas próprias histórias relacionadas a alguma coisa mais específica e bacana - eu diria que apenas Phione, Manaphy (este tendo seu mito explorado em Pokémon Ranger) e Heatran não possuem uma mitologia mais aprofundada.
O jogo também trazia diversas pequenas lendas que enriqueceram o folclore da série e também apresentavam algumas possíveis explicações para algumas coisas (como o fato de Pokémon selvagens aparecerem na grama alta. Em seguida, Pokémon Platinum Version trouxe Giratina à equação, revelando-o como um dos agentes da criação que fora esquecido com o tempo, sendo dono de uma dimensão paralela só sua, o Distortion World. Foi a primeira vez na série que o conceito de um mundo paralelo ao nosso foi abertamente mencionado. Nessa geração, os desenvolvedores dos jogos começam a também fazer as primeiras experiências com a câmera para contar sua história. Zooms, centralizações e mudanças de ângulo são alguns artifícios técnicos que marcaram os primeiros testes com tridimensionalidade que a série realizava.


A quarta geração ainda veria o surgimento de mais dois remakes: Pokémon HeartGold & SoulSilver. A modelo de FireRed & LeafGreen, os jogos vieram reincorporar Johto à cronologia da série depois do bloqueio surgido com Ruby & Sapphire. Todavia, se os remakes dos jogos originais haviam trazido um arquipélago novo e algumas referências pequenas a GSC, HeartGold & SoulSilver sofreram uma mudança profunda (e necessária!) na sua narrativa. Apesar do grande hype, Gold & Silver eram extremamente limitados e de trama simplista demais. Os vilões Rockets nem sequer tinham nome! Então a primeira coisa que os remakes fizeram para corrigir o problema foi dar nomes, sprite e personalidade própria ao grupo de agentes Rockets que almejam reviver sua antiga Equipe, conferindo-lhes maior importância.
Além disso, a exemplo do que vinha acontecendo desde Pokémon Crystal Version, os lendários são envolvidos à trama principal, sendo dada às Irmãs Kimono a função elevada de serem o elo entre o Pokémon lendário de cada versão e aquele Treinador que restabeleceria a confiança deste com a humanidade - antes elas eram apenas dançarinas. HeartGold & SoulSilver também fizeram uso de outras implementações de Crystal, como a trama de Eusine e Suicune. Além disso, os Pokémon distribuídos por eventos tanto para HGSS quanto para Platinum também destravavam pequenos eventos dentro dos seus respectivos jogos. Nos remakes você até mesmo viajava no tempo com o Celebi para ver o passado de Giovanni e Silver e ainda descobria porque o antigo Líder de Viridian nunca atendeu ao chamado de seus antigos servidores. Há também modernizações para deixar a narrativa coerente com os eventos dos jogos mais recentes, logo os ovos não são tratados como novidade, como foram nos originais. Foi uma evolução imensa!


Quando a quinta geração chegou, ainda no Nintendo DS, em termos técnicos não havia muito para onde a franquia crescer no mesmo hardware e, nesse sentido, as únicas evoluções reais foram no sistema online. Talvez seja por isso que seja louvável a decisão de eles investirem mais na narrativa e tornarem o maior mérito de Pokémon Black & White Versions o fato de os jogos verdadeiramente contarem uma história. A evolução gradual que vinha acontecendo desde a segunda geração na forma de contar a história aqui passa a avançar ainda mais, evoluindo também bastante no aspecto técnico, o que causa uma diferença enorme. Se nas gerações anteriores, a trama existia como um acompanhamento à jogatina, em Black & White ela assume uma posição central. A abertura deixa de ser um amontoado de cenas para simplesmente expor os jogos - embora elas também estejam lá -, mas seu foco é o intrigante prólogo que já apresenta o famoso N.


A primeira cena do jogo em si não é a do típico jogar encolhendo até ficar do tamanho do bonequinho dos jogos, mas sim da Professora Juniper deixando um presente na casa do protagonista. Ao longo da aventura, a câmera assume verdadeiramente a função de um narrador. Ela se liberta de acompanhar exclusivamente o jogador para focar onde realmente interessa - ainda que no processo alguns NPCs e cenários fiquem super pixelados. Do ponto de vista narrativo, ainda temos a equipe vilã com uma progressão de história para atingir certo objetivo e uma trama envolvendo o Pokémon lendário da capa, mas desta vez temos menos um apocalipse e mais uma história mais fechada, mas que ainda representa uma grande ameaça.

Outro ponto interessantíssimo também é como desta vez o roteiro de Black & White não é, ironicamente, tão preto e branco como seus nomes. Enquanto era fácil condenar as ações das Equipes Rocket, Aqua, Magma e Galáctica e seus membros, não dá pra colocar N numa categoria simplista de vilão. Seus questionamentos são plausíveis e tornam a narrativa bastante ousada - ainda que a conclusão seja bastante previsível. Mesmo que as verdadeiras intenções da Equipe Plasma também sejam puramente egoístas, seu discurso sobre libertar os Pokémon também não parece uma ideia tão ruim a princípio. Apesar de a mitologia de Reshiram e Zekrom, os Pokémon estampados nas capas, ser perfeitinha, os outros muitos lendários (11) acabaram sendo negligenciados. Eles até tem suas historinhas, mas são fracas demais para poderem sequer serem consideradas - com exceção, talvez, do subaproveitado Genesect (seu nível de importância chega a ser menor que a de Mewtwo na primeira geração). Foi também nesta geração que a ideia de universos alternativos dentro da franquia foi oficializada. A Unova de Pokémon Black era substancialmente diferente da de Pokémon White (a Opelucid de Black era moderna, a de White tradicional, em Black havia a Black City e em White a White Forest no lugar, Drayden era o último Líder de Ginásio em Black e Íris a última em White, entre outras coisas) e o Entralink permitia que você atravessasse um portal místico e acessasse esse mundo paralelo.

Em seguida, a Game Freak lançou Pokémon Black 2 & White 2 Versions, sequências diretas, que lidavam com as consequências dos jogos originais, situando-se dois depois, com a investida de uma nova Equipe Plasma e o lendário Kyurem. O foco na história permaneceu e por se passarem principalmente na mesma região dos antecessores, a sensação de continuidade é muito maior do que da última vez que a franquia havia trabalhando com sequências diretas. Além disso, a Game Freak ainda inseriu uma ótima novidade: ao conectar os jogos anteriores com esses, você ganhava acesso a sequências de flashback de certos personagens que contavam o que tinham acontecido com eles nesse intervalo de dois anos e ainda tornava possível que os NPCs usassem o nome que você havia dado ao jogador dos anteriores para se referir àquele herói, entre outros detalhes bacanas.

Então chegamos finalmente a Pokémon X & Y, ainda tão recentes e tão frescos na memória. A chegada ao Nintendo 3DS permitiu o que talvez seja a maior evolução gráfica que a série sofreu em todos esses anos tramitando pelos portáteis da Nintendo. As técnicas de narração usadas nos jogos anteriores são expandidas aqui, já com a introdução do Professor Sycamore bem mais interessante que o estilo clássico e uma sequência linda do Fletchling da mãe voando para acordar o Treinador principal. Sim, foi lindo. Os jogos ficaram todo lindos.
Mas faltou substância. A trama era previsível e muito repetitiva, a dicotomia entre vida e morte é mal trabalhada, os personagens eram desinteressantes e os planos da Equipe Flare bem idiotas (fechar fábrica de Pokébolas pra evitar que Treinadores comprem novas e capturem novos Pokémon? Sério? E o que dizer das outras centenas que já tem seus Pokémon capturados e Pokébolas vazias?). Além disso, o jogo introduziu dois novos conceitos: o tipo Fada e as Mega Evoluções. Ambos são ótimos e ajudam a trazer um frescor de novidade à série do ponto de vista da jogabilidade, mas a forma como são apresentados prejudica a narrativa. O grande problema é que enquanto o pessoal da Game Freak até tinha a oportunidade de explicar a origem de ambos com o novo par de lendários principais, Xerneas e Yveltal, eles não o fazem e deixam tudo meio sem sentido.

Eu não vejo problema com a mudança do tipo de Magnemite e Magneton na II Geração porque aquela era uma época em que até ovos eram novidades. Os novos tipos foram mais atrelados à descoberta de novos Pokémon. Além disso, diversos golpes sofreram alteração de tipo: Mordida, Corte Karatê e Ventania, por exemplo, deixaram de ser ataques do tipo Normal para se tornarem dos tipos Sombrio, Lutador e Voador, respectivamente. A própria tabela de vantagens e desvantagens sofreu mudanças para deixar o jogo mais equilibrado (ataques do tipo Venenoso, antes superefetivos em Insetos agora passaram a causar dano regular, enquanto ataques do tipo Inseto, que antes causavam o dobro de dano em Pokémon Venenosos, agora eram pouco efetivos. Ataques Fantasmas eram ineficazes contra Psíquicos e tornaram-se superefetivos, a modelo do anime, entre outros). Logo, era uma época em que a franquia ainda se estabelecia e foi da primeira para a segunda geração. Mudanças drásticas assim da quinta para a sexta causam estranhamento se são mal introduzidas do ponto de vista narrativo, principalmente quando os NPCs tratam como algo que data de uma longa existência e depois de tantas mudanças feitas ao longo dos anos para situar a franquia num universo coerente. Especialmente quando a resposta para tais mudanças estava ali, com os novos lendários. Mas não foi o que aconteceu.

Menos de um ano depois do lançamento dos novos jogos, porém, a Nintendo já tinha na manga o anúncio de mais uma onda de remakes: os muitíssimo aguardados Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire. Embora sempre muito pedidos pelos fãs, o lançamento desses remakes geravam questionamentos na cabeça daqueles que tentavam ver alguma cronologia nos jogos. Alguns argumentavam que não havia uma. De fato, a Nintendo sempre teve uma política de valorizar a diversão sobre a cronologia. De fato, mesmo com The Legend of Zelda, que possui uma linha do tempo oficial e tudo hoje em dia, que alguns fãs observam religiosamente, a empresa não tem medo de ferir a cronologia em prol do entretenimento - o que é uma decisão que eu particularmente acho muito acertada. Enquanto os desenvolvedores dos jogos de Pokémon também parecem infinitamente mais preocupados com a diversão e com as mecânicas de jogo do que com a cronologia da série (é por isso que é tão comum ver lendários vindos de outras regiões aparecendo em que lugares onde eles originalmente não pertenciam), é fato que eles também pareciam ao menos tentar estabelecer uma, criando todas aquelas ligações de RSE com FRLG e depois de DPPt com HGSS e até mesmo desses jogos com BW e B2W2 (olhem o caso da Caitlin, por exemplo).
De fato, os remakes das duas primeiras gerações também serviram ao propósito de situar aqueles jogos dentro de um universo coeso com os mais recentes, tornando-se paralelos a eles e, de certa forma, apagando os antigos. Claramente uma tentativa de estabelecer alguma continuidade entre eles. Mas já sendo Ruby & Sapphire pertencentes a essa linha do tempo, onde Omega Ruby & Alpha Sapphire se encaixariam na cronologia? Eles substituiriam aqueles outros e seriam paralelos a X & Y? Seriam sequências? O que aconteceria? O debate era acalorado e no dia sete de maio de 2014, só pra botar ainda mais lenha na fogueira, um funcionário da Game Freak chamado Toshinobu Matsumiya postou em seu twitter o que seria a linha do tempo oficial dos jogos que dizia o seguinte:

FRLG = RS -> HGSS = DPPt -> BW -> B2W2 = XY
O tuíte foi eventualmente apagado, mas salvo pelos magos da Internet para a posteridade a tempo. Apesar de ORAS já terem sido revelados na época, eles não haviam sido incluídos na equação nem mesmo Emerald. Isso levou à conclusão de que possivelmente os remakes ocupariam o lugar dos antigos, se passando antes dos eventos de Pokémon X & Y mesmo. Enfim os jogos foram lançados, eu finalmente encerrei o modo história e finalmente uma resposta satisfatória foi dada. Daqui pra frente eu darei spoilers da aventura principal de Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire, inclusive falando de revelações que englobam até mesmo o Episódio Delta, então se você quer preservar as surpresas para quando for jogar, melhor deixar de ler aqui e voltar quando tiver zerado o jogo.

A primeira coisa que eu gostaria de dizer é fiquei muitíssimo feliz com o resultado. Em termos de roteiro, o jogo perde um pouco da coerência com as Equipes Aqua e Magma ao seguirem os planos do Ruby & Sapphire originais em vez de adotarem as alterações de Emerald (não faz sentido a Equipe Magma ter uma base no mar e a Equipe Aqua ir procurar Kyogre num vulcão, por exemplo), todavia é lindíssimo ver como as melhorias gráficas de X & Y beneficiam a história em diversos outros níveis. Eles praticamente juntam a belíssima forma de contar história de Black & White e colocam no visual rico que o 3DS permite. A abertura do jogo é linda, mesclando a nostalgia da clássica com os novos visuais belíssimos e a sequência inicial de apresentação do mundo Pokémon pelo Professor Birch já é uma das cenas mais lindas de toda a série! Ver o protagonista dentro do caminhão de mudança, passando por uma floresta que vibra com vida, cheia de Pokémon selvagens renderizados em 3D é uma experiência incrível, que apenas enaltece a sensação de evolução que X & Y já davam.

Os NPCs quase todos recebem um redesign - algo que já havia acontecido nos outros remakes - e são enriquecidos com personalidade. Cada um possui um estilo próprio de movimentação e detalhe agora, que os tornam mais ricos e singulares. Flannery e Tabitha são casos de personagens cujos redesigns não me agradaram no começo - esbravejei até não aguentar mais quando vi que tinham acabado com a sensualidade de dos personagens mais sexy da minha adolescência, porém não dá pra negar que é muito mais divertido vê-los não sendo mais aqueles sprites minúsculos estáticos, mas sim personagens capazes de expressões, trejeitos e movimentos. Os diálogos também são alterados para refletir essas mudanças, dando ainda mais força a essa caracterização.
Isso tudo torna a experiência de jogar o modo história de Omega Ruby & Alpha Sapphire muito mais atraente e diferenciada. Você não sente que está repetindo uma aventura, mas redescobrindo uma. Wally se torna um personagem muito mais carismático se você consegue visualizar melhor seu crescimento (ainda súbito) refletido na sua expressão facial. São tantos detalhes e o cuidado com cada NPC é tão especial que você consegue ver realmente a dedicação dos desenvolvedores dos jogos em dar-lhes um estilo próprio - é por isso que é tão incompreensível porque não permitiram uma revanche contra os Líderes, teria até servido para podermos ver aqueles lindos cenários de batalha de novo.


Em relação à sua posição na série, a coisa é meio confusa no começo. Os cenários tem ainda aquele tom dos RSE originais, mas com toda a modernidade de XY, então fica difícil dizer no começo se ambos são contemporâneos, ou se seguem mesmo a cronologia divulgada no twitter - e que, verdade seja dita, já era a especulada pelos fãs da série há anos. Até que a chegada à Cidade de Rustboro provê alguma evidência: um dos funcionários da Corporação Devon diz que está trabalhando numa máquina capaz de tornar possível a visualização dos sonhos dos Pokémon e que sua rival de uma região longínqua está trabalhando no mesmo projeto e ele espera concluí-lo primeiro. Ele, muito provavelmente, se refere à Fennel, que em Black & White já criou a tal máquina, que permitia acesso ao Dream World. À medida que a história progride, mais pistas vão sendo dadas (no Museu Oceânico, há um modelo de um ainda não terminado Royal Unova), confirmando que Omega Ruby & Alpha Sapphire, de fato, antecedem X & Y e não lhe são contemporâneos: nós até chegamos a ver o bastante intrigante nascimento do Mr. Bonding!



O Episódio Delta (Delta Episode)

Até que o jogo finalmente é zerado e começa aquela que foi a última grande novidade revelada dos novos jogos e, talvez, a mais importante delas: o Episódio Delta!

De longe meu momento favorito do jogo, o Episódio Delta é muito especial porque em um tempo relativamente curto ele conta uma história excelente, explica algumas coisas que, até aqui, ficavam pouco esclarecidas, faz uma grande homenagem a Pokémon Emerald que não se resume a mostrar Rayquaza, enriquece e aprofunda ainda mais a mitologia da região de Hoenn e sua trama de constante caos e ainda apresenta aquela que eu considero a melhor nova personagem da franquia desde N: Zinnia!

Para aqueles que jogaram sem prestar muita atenção à trama ou não entendem inglês e para aqueles que não jogaram, mas decidiram continuar lendo mesmo assim, os próximos cinco parágrafos apenas contarão com um resumo da história do Episódio Delta: Zinnia é a Guardiã da Tradição (Lorekeeper) de seu povo, os Dracônidos (Draconid), habitantes da região de Hoenn desde os tempos mais remotos. Eles estavam presentes há milhares de anos atrás, quando o mundo transbordava de energia natural, dando ao Groudon e ao Kyogre Primitivos toda a força para entrarem em conflitos constantes e violentos um contra o outro, causando grande destruição. O povo era completamente impotente diante da fúria dos titãs e nada podia fazer para contê-los. Foi então que uma grande quantidade de meteoroides caiu de além dos céus, atingindo a cascata que há anos abrigava a tribo dos usuários de Pokémon Dragões. Os meteoros brilhavam nas cores do arco-íris, como se fossem vivos. Foi então que, como que atraído por esse brilho, o grande Rayquaza desceu do alto dos céus, seu poder se sobrepondo ao dos Pokémon Primitivos. Assim, a paz foi restabelecida na terra e o povo de Hoenn passou a reverenciar o dragão esmeralda como seu grande salvador.

Mil anos de paz se passaram e uma nova chuva de meteoroides atingiu o planeta. Um deles, imenso como nenhum antes, atingiu o planeta de tal forma que deixou para trás somente uma cratera imensa, que anos mais tarde tornaria a Cidade de Sootopolis, cujos habitantes se tornariam os Sootopolitanos (Sootopolitan) - em Ruby, Sapphire e Emerald, a cidade havia se formarado dentro de um imenso vulcão adormecido, cujo interior fora preenchido pelas águas da chuva. O impacto do imenso meteoroide também abriu uma imensa rachadura na terra, da qual fluiu uma grande quantidade de energia natural. Sedentos por aquela energia, Groudon Primitivo e Kyogre Primitivo novamente despertaram. As pessoas então começaram a desejar que o Pokémon esmeralda das lendas novamente retornasse do alto dos céus para salvá-los. O imenso meteorito que havia caído no coração de Sootopolis começou a emitir um brilho sem fim, que lembrava uma grande e poderosa Pedra-Chave. O dragão esmeralda então desceu novamente e o povo se ajoelhou diante dele, implorando por salvação. Tal ato fez com que Rayquaza fosse envolto por uma luz ofuscante e se transformasse numa criatura sublime e incandescente, transbordando com força vital. Foram as preces do povo que fizeram com que Rayquaza sofresse uma Mega Evolução - talvez a primeira de todas!

Um novo confronto se iniciou então, entre Mega Rayquaza e Groudon e Kyogre Primitivos. Os filamentos dourados do corpo do Dragão cobriram os céus e um vento terrível se levantou (a habilidade exclusiva de Mega Rayquaza, Delta Stream ou Fluxo Delta). O vento e a luz esmeralda sugaram os poderes de Groudon e Kyogre Primitivos. Destituídos de sua força primitiva, os dois desapareceram nas profundezas da terra e do mar, entrando em novo sono profundo. Rayquaza os observou, enquanto voltava à sua forma normal. Uma testemunha desses grandes eventos, um visitante alto (AZ) de uma terra distante (Kalos), acreditava que aquele Pokémon era o Delta, nascido das perturbações desde mundo e, com a união do desejo da humanidade e o poder das pedras, ele acalmaria as mazelas que atormentariam a Terra. Foi então que os Dracônidos e os Sootopolitanos construíram uma alta torre, o Pilar dos Céus (Sky Pillar), para não só armazenar a pedra arco-íris que havia dado a Rayquaza seu poder, como também tentar uma aproximação com o Pokémon Celeste. Eles também encheram os muros da torre com pinturas para deixarem registradas as histórias de suas provações e os grandes feitos do poderoso Dragão Esmeralda para a posteridade. Juntos, eles também selaram a torre.
Mais mil anos de paz se passaram, mas os Dracônidos aprenderam com a natureza cíclica de sua longa história e previram que os meteoroides cairiam mais uma vez sobre este planeta e, desta vez, um meteoroide ainda muito maior que o anterior atingiria a Terra, quebrando o mundo. Para prevenir esta grande calamidade, eles decidiram que, desta vez, invocariam Rayquaza antes que as asteroides caíssem. Sendo a Guardiã da Tradição dos Dracônidos e responsável por manter a missão do seu povo, Zinnia decide então infiltrar as Equipes Magma e Aqua para convencê-los a despertar novamente as formas Primitivas de Groudon e Kyogre para, assim, trazer o Dragão Esmeralda à terra a tempo de destruir o meteoroide - ainda que o despertar dos titãs também representasse uma grande ameaça para a população tanto de humanos quanto de Pokémon. O grande problema é que com a interferência do jogador, ao impedir que a fúria do Pokémon Primitivo desperto, Rayquaza não precisara vir à Terra.



É aí que a equipe de cientistas no Centro Espacial de Mossdeep, liderada pelo Professor Cozmo, detecta a aproximação de um grande meteoroide em curso para a Terra. Em seu desespero, eles  bolam um plano e contam com a ajuda do jogador e de Steven para efetuá-lo: abrir um portal no espaço usando a energia de Lascas de Meteoro encontradas na Caverna de Granito (Granite Cave) e na Cascata Meteoro (Meteor Falls) e enviar o meteoroide por ele para outra dimensão. Porém, Zinnia interfere nos planos dos cientistas, pois os Dracônidos acreditam, há gerações, que o surgimento da Mega Evolução criou distorções no mundo. Tais distorções fizeram com que a realidade fosse dividida e em algum lugar, existe muito parecido com o deles, mas não exatamente igual. Um mundo em que existem pessoas e Pokémon que também existem neste planeta em que eles habitam, mas que tomou um rumo diferente. Um mundo em que a Mega Evolução nunca existiu… nem a guerra de 3000 anos atrás (narrada em Pokémon X & Y)… nem a Arma Suprema.

A Guardiã da Tradição dos Dracônidos problematiza que enviar o meteoroide para outra dimensão poderia simplesmente causar a morte de um planeta inteiro em outro lugar, logo não é uma possibilidade viável e destrói o dispositivo criado pelos cientistas, ao perceber que eles e Stevem não acreditam em sua teoria. Só que Zinnia tem um plano B: subir ao Pilar dos Céus e invocar Rayquaza utilizando a energia de várias Pedras-Chaves roubadas para fazê-lo mega evoluir. O Pokémon é invocado com sucesso, porém, ela falha em conseguir domar o seu poder e invocar a Mega Evolução, pois o Pokémon não tem energia o suficiente para fazê-la. É então que o Meteorito resgatado pelo jogador no Monte Chaminé (Mt. Chimney) reage diante da presença de Rayquaza. O dragão esmeralda então come o Meteorito e consegue recuperar sua energia o bastante para o combate, mas primeiro é preciso pegá-lo. Após capturar Rayquaza, o Treinador veste o seu traje especial (o mesmo que fora usado para pegar Groudon ou Kyogre), Zinnia ensina a Rayquaza a Ascensão do Dragão (Dragon Ascent) e, assim, o dragão esmeralda consegue evoluir e, com o jogador em suas costas, vai além dos céus e consegue destruir o asteroide. Mas de dentro dos restos do asteroide surge um triângulo misterioso que toma a forma de um Deoxys, que o jogador pode tanto derrotar quanto capturar.


Existem várias coisas que eu amo no Episódio Delta. Pra começar: Zinnia é uma personagem fabulosa. Ela é uma jovem mulher que foi criada desde pequena para cumprir uma missão arriscada e dificílima. O destino do mundo - ou devo dizer dos mundos? - estava nas mãos delas e tal qual a Escolhida (de Buffy - A Caça-Vampiros, seriado maravilhoso), ela tinha que carregar todo esse peso desde cedo. Eu gosto de como ela é corajosa, impetuosa, ousada, inteligente, sensível e tem um jeito de alguém não muito habituada às convenções sociais, disposta a fazer qualquer coisa para cumprir seu dever: ainda que isso envolva se juntar a um grupo extremista, roubar Treinadores e liberar Pokémon Primitivos perigosíssimos sobre a Terra. Talvez o que dê um tom especial a tudo é o fato de que ela surge como uma personagem bastante ambígua sobre a qual não dá pra ter uma opinião completamente formada no início, mas à medida que a história prossegue, nós entendemos que ela não é uma irresponsável, mas alguém que carrega um fardo muito pesado sozinha e está tentando seu melhor para cumprir seu papel. O jogo também dá a entender que ela perdeu alguém muito especial, chamada Aster - mesmo nome de seu carismático Whismur. O jogo não é específico sobre quem ela perdeu, mas muitos acreditam ter sido um ente querido, talvez uma filha?

Outro lance sensacional é o fato de ela ser a responsável por encaixar Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire na linha do tempo da franquia. Ou eu devia dizer, na nova linha do tempo. O fato de ela mencionar que aquela Hoenn de Pokémon Ruby & Sapphire não é a mesma na qual caminhamos agora nos remakes, abre diversas possibilidades para a série e ajuda a perdoar diversas falhas de Pokémon X & Y. A existência dos tipos Fada, por exemplo, é uma exclusividade deste mundo aonde aconteceu a guerra de 3000 anos atrás e Mega Evolução é possível. A própria origem das Mega Evoluções é um aspecto que Omega Ruby & Alpha Sapphire abordam de forma beeeeem melhor que X & Y. É particularmente problemático quando o Professor Sycamore chega dizendo que a Mega Evolução é "um novo tipo de evolução", mas então descobrimos um clã que vem usando Mega Lucario há gerações num imenso castelo Pokémon que pelo menos se espera que seja bem visitado ou que um certo homem usava um Mega Ampharos anos antes do jogo começar, só pra citar dois casos. Fica muito bagunçado você dizer que algo é novo quando existe uma construção nada escondida que tem mega evoluído Pokémon há anos. Porém, em Omega Ruby & Alpha Sapphire não há nenhuma tentativa de ficar teorizando e explicando muito - até porque esse será o trabalho do Professor Sycamore em alguns anos dentro dessa nova linha do tempo - com diálogos, mas há uma explicação visual.


Logo que você consegue encontrar suas primeiras Mega Pedras (abrindo um parêntese aqui para dizer que o encontro com o Latios/ a Latias é um momento suuuuuuuuuper forçado e mal escrito. Chega a ser ridículo!), elas aparecem em locais muito aleatórios, o que gera certa justificada estranheza. Uma vez que você derrota/captura o Kyogre ou o Groudon Primitivo, porém, uma quantia enorme de energia é liberada (provavelmente do pedaço do meteoroide primitivo que fica dentro da Caverna da Origem em Sootopolis) e novas Mega Pedras ficam acessíveis, em locais onde antes não estavam presentes. Após a destruição do asteroide do Episódio Delta, uma nova onda de energia cobre Hoenn, fazendo surgir uma nova leva de Mega Pedras. Logo, é provável que as Pedras que se acha antes de derrotar o lendário Primitivo sejam na verdade uma herança do dia em que Mega Rayquaza surgiu, pedras normais que foram afetadas pela força liberada pelo meteoroide. Não fica tão aleatório agora. Observe nos gifs abaixo os brilhinhos que caem do choque de energia no céu. Também é possível ver um foguete ao fundo… ou seria o Rayquaza?

A teoria de multiverso é a que melhor se encaixa no mundo de múltiplas escolhas de Pokémon. Cada versão traz sua diferença, sutil ou grande, ainda que se trate da mesma região. E mesmo que dois jogadores estejam explorando o mundo Pokémon Platinum Version, a jornada nunca é a mesma. Pokémon tem um número tão grande de variáveis e o universo já muda para você na simples pergunta "Are you a boy or a girl?" e depois novamente quando você tem que escolher seu Pokémon Inicial e depois novamente quando você tem que fazer outras escolhas. Ainda que exista uma trama pronta a ser seguida, dada jogador faz sua própria história pessoal única e insubstituível, logo existem infinitos universos paralelos do mundo mundo. ORAS até confirmam isso de certo modo ao colocar o objeto que serviria para enviar o meteoroide para a outra dimensão para ser o saudoso "Cabo Link", numa excelente metalinguagem.
Existem também alguns pontos da história dos milhares de anos de conflitos contra Groudon Primitivo e Kyogre Primitivo que chamam atenção e que não são inteiramente esclarecidos, mas podem ser - ou foram criados só para gerarem indagações mesmo. Segundo Zinnia, a primeira aparição de Rayquaza data de 2000 anos atrás e o mundo transbordava com energia natural. Como AZ surgiu há mais de 3000 anos, ele já existia nessa época e a Arma Suprema já havia sido criada. Teria sido a Arma Suprema a responsável pela energia que transbordava? Além disso, o que AZ fazia em Sootopolis durante a segunda vinda de Rayquaza? Estaria ele numa jornada em busca de seu Floette? Teria ele viajado para as outras regiões também? Aliás, o fato de a guerra de 3000 anos atrás ser citada por Zinnia como um evento exclusivo desta nova realidade implica então que ela também afetou Kanto, Johto, Sinnoh e Unova?
Unova, em especial, parece certamente estar envolvida no conflito já que existem diversos monumentos em referência a ela no Pafum Palace e dois turistas locais sinalizarem que Unova e Kalos devem ter tido contato em algum momento no passado. Enquanto dificilmente teremos novos remakes de Kanto e Johto, Sinnoh e Unova com certeza já estão na fila e podem ter suas tramas revisadas para envolver esses novos eventos e lançar novas luzes sobre esse passado, a menos que um novo universo seja estabelecido antes disso. Não podemos esquecer também que é absolutamente conveniente que eles tenham criado Hoopa - um Pokémon capaz de mover até ilhas inteiras entre dimensões usando seus anéis, um poder bastante conveniente para explorar o conceito de mundos paralelos.


Além do mais, o Episódio Delta faz várias alusões a diversos elementos de Pokémon Emerald Version: Steven pede que Wallace esteja pronto para assumir o posto de Campeão quando ele decidir partir em uma nova viagem para aumentar seu conhecimento sobre o mundo, o Campeão ainda se comunica com o jogador usando um protótipo ainda em teste do Match Call, e o confronto no Centro Espacial de Mossdeep tem semelhanças com a tentativa de roubo de combustível executada pela Equipe Magma em Emerald. Eu sei que o Episódio Delta tem alguns problemas - um deles inclusive sendo o fato de que você passa esse tempo todo voando de um lado para o outro para batalhar e ler diálogos -, porém ele tem uma importância imensa no sentido de que ele é mais que uma mera homenagem. Ele é uma tentativa sempre muito bem-vinda da Game Freak de tornar uma aventura no mundo Pokémon ainda mais especial, aprofundando a mitologia da série e trazendo diversos aspectos interessantes à mesa.

A fala de Zinnia até tem sido usada como argumento para a teoria muito coerente até de que na verdade nós teríamos três grandes universos Pokémon: o primeiro composto exclusivamente das duas primeiras gerações, o segundo iniciando com Ruby & Sapphire e se estendendo até Pokémon Black 2 & Pokémon White 2 e o terceiro iniciando em Pokémon X & Y. Eu particularmente gosto de boas histórias e enquanto eu posso reclamar de Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire em muitos aspectos, em outros simplesmente não dá pra negar a qualidade. Eles podem ter errado a mão feio na introdução da Mega Evolução com Lati@s, mas capricharam no desenrolar da trama principal com os lendários do título. Agora eu só sei que quero muito que, de alguma forma, Zinnia seja incorporada ao anime. Pode ser nesses especiais da Mega Evolução Mais Forte ou no próximo filme para cinema. Com a revelação de que Atsuhiro Tomioka será o responsável pelo roteiro do filme no lugar de Hideki Sonoda - que vinha ocupando o posto desde Pokémon 4 - Viajantes do Tempo -, eu deposito minha esperança nele de que ele será capaz de ter uma ideia que aproveite muito bem a trama dos jogos para criar algo realmente empolgante! De preferência, com Zinnia a bordo!

9 comentários:

  1. por isso que eu amo tanto essa franquia :') texto MARAVILHOSO

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  2. nossa cara ce é muito inteligente!tudo q voce falo fez sentido

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  3. Muitos parabens a você,sério,enquanto meio mundo reclama de história do jogo,de blábláblá ali e aqui,você simplesmente faz tudo ter sentido,você é bem atento mesmo as histórias do jogo,ótima matéria cara :D

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  4. Bom dia senhor Charizard, eu gostaria primeiramente de dizer que eu amo muito todas as suas matérias, e gostaria de saber se eu poderia usar algumas partes da sua materia a respeito do Episodio Delta para um trabalho que estou fazendo sobre a mega evolução e a reversão primal. Alem disso, o interessante quando você falou que "Além disso, o que AZ fazia em Sootopolis durante a segunda vinda de Rayquaza? Estaria ele numa jornada em busca de seu Floette?", eu não sei se você percebeu, mas se pelo meu ponto de vista, ORAS começa pelo menos alguns meses antes de X Y, pode ter sido aí que a Floette de AZ se escondeu por tanto tempo, porque é possivel você ver uma arvore que foi plantada por ele na frente da Caverna das Origens e perto dela, há uma flor muito parecida com a do AZ: https://www.tumblr.com/search/nini's%20being%20dumb.
    Grato por tudo, e parabens.
    Do seu leitor Rafael Quesada

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    1. Ei Rafael ^^
      Obrigado pelo apreço e pode usar sim partes da sua matéria, contanto que coloque a fonte =D E depois deixa o link aqui que eu tbm vou querer ler.
      Confesso que quando o texto foi escrito, eu não sabia dessa flor, mas um amigo meu me alertou depois. Aliás, como a história de Hoenn antecede a aventura de Johto em três anos e esta ocorre algum tempo antes de BW, que depois continua 2 anos depois em B2W2, que se passa no mesmo tempo que XY, então dá pra afirmar que ORAS acontece pelo menos CINCO anos antes de XY!!!

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  5. "esbravejei até não aguentar mais quando vi que tinham acabado com a sensualidade de dos personagens mais sexy da minha adolescência"

    Nossa, sério que voce achava aquele sprite de pokemon sexy a esse ponto? kk

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