Review: Pokémon XY093

Fala, galera!
Passei o mês de janeiro botando algumas coisas em ordem e agora estou pronto pra finalizar, finalmente, os charithoughts da fase XY e iniciar os trabalhos com XY&Z.
Então eis nosso penúltimo review!

Episódio 897/ XY093 - Batalha Dupla no Ginásio de Anistar! A Visão do Futuro de Olympia!!

O esquema de batalha dupla foi introduzido no anime, chamado inicialmente de tag battle (um nome que o anime eventualmente usaria para batalhas entre duplas de Treinadores a partir de Advanced Generation), no episódio "Pokémon Encrenca em Dobro", por Hideki Sonoda, como um módulo de batalhas especial do Ginásio da Ilha Kumquat, do Arquipélago Laranja. Seu propósito era muito simples: testar não só trabalho em equipe entre Treinador e Pokémon, mas também aquele entre dois monstrinhos. Posteriormente, o conceito foi incorporado aos jogos (como double battle) e também ao anime, como um estilo de batalha oficial, adotado por alguns Líderes de Ginásio, competições da Liga, além de Concursos Pokémon e Grandes Festivais.
Entretanto, mesmo tendo se tornado mais frequentes, elas ainda tinham seu lugar de privilégio dentro de situações específicas. Durante a fase Diamond & Pearl, a batalhas duplas ganharam atenção mais especial nos Concursos Pokémon, graças à possibilidade de se poder realizar combinações fabulosas entre Pokémon para a criação de apresentações e estratégias de batalha tão criativas quanto efetivas. Todavia, a situação para Ash foi um pouco diferente. Tanto em Diamond & Pearl quanto em Best Wishes!, o Treinador se viu mais vezes diante de batalhas simples (single battle) que duplas - embora ainda tenha havido uma quantidade boa de batalhas de duplas em Sinnoh. Porém, nada de Ginásios ou lutas de Liga nesse estilo!
É portanto notável que o roteirista Atushiro Tomioka tenha decidido trazer o estilo há tanto ausente de volta na vida do Palletiano na forma de seu sétimo desafio de Ginásio - o último Líder a realizar uma batalha dupla dentro de Ginásio fora Juan, de Hoenn -, mas motivos para fazê-lo não faltam! Os recentes remakes Omega Ruby & Alpha Sapphire, que trazem a dupla Tate & Liza, também Psíquicos e Líderes do sétimo Ginásio, podem muito bem ter servido de inspiração para essa decisão - ainda mais considerando que Meowstic formam um par interessante, da mesma forma que Lunatone e Solrock. Ajuda também que Meowstic macho e fêmea são os Pokémon de gêneros distintos mais interessantes que o pessoal da Game Freak concebeu desde que a distinção entre macho e fêmea foi incorporada na II Geração.
De fato, as diferenças entre os felinos os aproximam mais da dupla Nidoran ♂ e ♀, que são contabilizados como bichos de espécies diferentes, do que dos demais. Além da distinção visual bastante nítida, ambos os Pokémon também se distinguem bastante nos ataques dos quais são capazes de aprender ao longo de seu progresso: a fêmea tem um acervo mais ofensivo, enquanto o macho aprende mais golpes defensivos e de suporte. Logo, ambos formam o par perfeito para uma batalha dupla, com a menina atacando e o menino providenciando o suporte necessário para aumentar seus ataques e defesas. E é um grande alívio que o roteirista Atsuhiro Tomioka esteja de volta para mais este episódio, já que ele é um dos poucos que parece realmente se dedicar a estudar
as estratégias mais complexas que os jogos fornecem.
Juntos, os Meowstic de Olympia formam uma dupla implacável que contam não apenas um com o outro para atingirem seus adversários com força esmagadora, mas também com suas habilidades especiais. Provando que não brinca em serviço, o roteirista traz até a habilidade oculta do Meowstic macho, Traquinagem (Prankster), para a mistura, garantindo que toda Mão Amiga e Tela de Luz seja lançada antes que Ash tenha a oportunidade e fazer seus ataques atingirem os oponentes. O roteirista ainda abusa ao garantir que a Visão Aguçada (Keen Eye) da Meowstic fêmea seja demonstrada com o Choque Psíquico perseguindo Talonflame e Frogadier.
É verdade que o uso das estratégias não é clinicamente acurado: a Tela de Luz parece repelir o Ataque de Chamas de Talonflame, mesmo este sendo um golpe físico e o escudo sirva para amenizar somente ataques especiais. Da mesma forma, já que só a Meowstic fêmea tinha a Visão Aguçada, apenas os Choques Psíquicos lançados por ela deveriam seguir os oponentes - apesar de que o episódio parecer sugerir que existe um elo Psíquico entre os felinos que pode fazer com que a Meowstic ajude seu companheiro na orientação dos golpes também. Entretanto, eu estou mais que feliz em ignorar esses detalhes porque afinal o anime tem direito a tomar suas liberdades e esta batalha é simplesmente sensacional!
Sendo este o sexto desafio de Ginásio que o roteirista assume só nesta saga, seria talvez razão para se preocupar que seu estilo já estivesse ficando um pouco gasto, especialmente considerando as poucas opções que o time de Ash contém (e o surgimento de Talonflame e seu aprendizado de Pássaro Bravo não faz milagre né). A decisão de fazer uma batalha dupla certamente ajuda a trazer algum frescor ao confronto e evitar vermos os Pokémon fazendo o mesmo que já fizeram sozinhos em todas as outras batalhas - ainda mais considerando o quão relativamente pouco Ash luta nesta saga e quantas vezes vimos Frogadier lutando no mesmo esquema. Ainda assim, esta batalha também possui a mesma característica que marcou as anteriores: sua abordagem é centrada em derrotar a estratégia do inimigo. Considerando que o objetivo de os Líderes seja mesmo testar as capacidades dos Treinadores - e a própria Olympia menciona algo sobre essa batalha ser uma prova para o Palletiano -, essa abordagem é realmente a mais adequada.
Como consequência - e uma que pode ser sim considerada negativa -, vemos Talonflame e Frogadier levando uma verdadeira surra dos felinos enquanto Ash vai aprendendo a contornar a situação. As reações do Treinador são todas ótimas e testemunham sua excelência como Treinador. Um dos problemas de se ter uma batalha dupla em vez de três simples é que dessa forma pode acabar se tornando mais desafiador para quem a escreve e para quem a anima estender a duração do duelo para percorrer ao longo do episódio sem se tornar repetitivo ou chato, mas Tomioka garante que nunca seja. Vemos Olympia repetir ataques como Pulsação Sombria, Choque Psíquico, Mão Amiga e Visão do Futuro várias vezes, mas a reação de Ash a eles quase nunca é a mesma, tornando cada atitude do rapaz mais ousada que a anterior e uma forma muitíssimo inteligente de evitar se tornar previsível.
Ilustra bem essa situação a forma como ele encara as ofensivas certeiras dos Meowstic na segunda e terceira vezes: enquanto ele escolhe que a defesa é o melhor ataque na segunda, na terceira ele decide fingir uma tentativa de evasiva para atrair os golpes até os próprios gatos na hora certa para atingi-los e então levá-los ao ar, aonde ficam vulneráveis à Visão do Futura. Toda essa sequência é brilhante, tanto no conceito quanto na execução, e um dos melhores momentos do Palletiano em toda esta saga, sem dúvida!
O episódio também acerta na forma como equilibra as participações de Frogadier e Talonflame. Tradicionalmente, o sapo rouba a atenção do passarinho e aqui não é muito diferente, já que o ninja anfíbio é de certa forma mais relevante à trama do episódio que seu colega de equipe por causa de toda a subtrama da transforação vindoura. Todavia, Tomioka não deixa que a ave flamejante seja ofuscada de forma alguma! Em ao menos dois momentos da batalha, o modo altruísta de Frogadier entra em ação e ele salva Talonflame, seja evitando que ele colidisse com o chão numa queda ou tomando a Onda do Trovão por ele. Porém, ao ficar paralisado, o sapo assume um papel secundário nas ofensivas do confronto, deixando para Talonflame a função de atacante principal da batalha. E é aí que o jogo vira e a ave precisa ajudar seu aliado, carregando-o para executar ataques e pegando-o para evitar sua queda (ainda que isso acabe resultando em ambos serem atingidos por uma Visão do Futuro).
A paralisia de Frogadier também serve como um ótimo dispositivo de roteiro para adicionar ainda mais drama ao desafio: cada momento do sapo correndo ou partindo se preparando para lançar um ataque gera uma pequena angústia - algo que me lembrou muito a minha própria agonia quando vejo meus próprios Pokémon apaixonados, paralisados ou confusos numa batalha num jogo - devido à incerteza sobre se o efeito de status será ativado ou não. O momento final, em que um Frogadier incapaz de se mover tenta se proteger a todo custo do Choque Psíquico do Meowstic macho usando apenas a Pulsação de Água que formara e recebendo encorajamento do Ash para finalmente superar seu oponente - o que nos dá um pequeno vislumbre do Greninja-Ash - é uma belíssima forma de encerrar a luta e amarrar com a trama particular do sapo.
Como não poderia deixar de ser, o roteirista também aproveita para desenvolver a doses homeopáticas a trama principal que promete estourar em Pokémon XY & Z para atiçar a curiosidade do telespectador. Recebemos uma confirmação de que os olhos verdes se referiam mesmo a Zygarde (adeus importância do James?) e Prof. Sycamore fica ciente de que tanto ele como a Equipe Rocket desempenharão um papel-chave na prometida crise de Kalos. Os Rockets também aproveitam a luta no Ginásio para pescar alguma informação com as assistentes de Sycamore e descobrem que a energia emitida pelo relógio solar é a mesma que é irradiada pela Mega Evolução, algo que os deixa bastante chocados, mas estranhamente não fazem nada a respeito (ainda?).
Seja como for, a sétima vitória de Ash num Ginásio de Kalos conta um trabalho de execução que deixa qualquer fã de Masaaki Iwane e Atsuhiro Tomioka muitíssimo orgulhosos. Mais que isso: ela também mostra que talvez seja hora de pararmos de pensar em Charizard VS Magmar quando o assunto for batalha Pokémon (não acredito que EU - LOGO EU - falei isso) e começar a incluir Talonflame & Frogadier VS Meowstic entre nossas batalhas favoritas de todos os tempos!

Considerações finais:

  • Adorei como a animação e o efeito sonoro da Mão Amiga transformaram um golpe fofinho numa trompetinha do inferno;

  • Diferente do que ocorreu com a transição de Best Wishes! para Best Wishes! Season 2, o episódio terminou com um tradicional "To be continued" e não com um mentiroso "Next time… A new beginning!". Gostei muito.
  • Eu adorei a expressão corporal de Ash neste episódio!

  • Algo que escapou minha percepção no charithought passado: nada mais apropriado que o passado de Frogadier ser explorado na Cidade de Anistar, que é o local nos jogos onde fica a Memory Girl, uma garota capaz de contar as lembranças que os Pokémon possuem com seu(s) Treinador(es);
  • Ei PokémonDragon Ball Z pediu pra você devolver essa cena de luta que você roubou hihihi

  • O visual de Jessie e James neste episódio é uma referência à arte oficial dos entrevistadores de Pokémon Omega Ruby & Alpha Saphhire;

  • O episódio final de Pokémon XY entrou para o TOP 10 semanal, garantindo um lugar na nona posição com 4,5% da audiência e conseguindo a façanha de vencer Yo-kai Watch (4,2%). Falando nisso, já começaram a jogar Yo-kai Watch? Pretendem jogar? Acham as comparações com Pokémon plausíveis?

    2 comentários:

    1. Pra mim, essa foi a batalha mais incrível é emocionante de XY, muito massa. Com certeza é umas das minha batalhas preferidas, assim como Ash X Paul e Ash X Skyla (eu gosto de pokemons tipo Voador, por isso a Skyla)

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    2. Batalha épica, sem dúvidas. Me fez lembrar a batalha contra o Tate e A liza: batalha em duplas, 7° Gym, pokémons psíquicos, Ash usando pokémon voador... memórias...

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