A Longa Trajetória de Pokémon no Brasil: Pokémon - O Filme (Parte 4)

Fala, galera!
Prepare-se para descobrir os segredos mais ocultos de um dos filmes mais amados pelos Pokéfãs do mundo!
Esta parte final da Longa Trajetória de Pokémon no Brasil focada no filme estrelado por Mewtwo traz MUITAS curiosidades que provavelmente não sabia sobre a série. A demora desta vez foi causa porque esta pare precisava de muitas atualizações já que o site de onde eu tiro essas informações (o blog do Dogasu) trouxe um bocado de informações novas ano passado para celebrar a estreia do filme que trouxe Mewtwo de volta aos cinemas. Eu também aproveitei para acrescentar uns gifs já que as partes anteriores não tinham nenhum (por na época que essa matéria foi originalmente pública no meu blog, 29 de março de 2013, eu ainda não utilizava as imagens animadas nos meus textos) e eu achei que este filme simplesmente merecia.
De bônus trouxe também uma parte dedicada exclusiva ao especial O Retorno de Mewtwo.
Na próxima trajetória, retornaremos às Ilhas Laranja!

A Longa Trajetória deno Brasil

Pokémon – O Filme

(Parte 4)


DIFERENÇAS ENTRE AS VERSÕES AMERICANA E JAPONESA 
A História de Origem de Mewtwo
 
  • A sequência de introdução começa com Fuji explicando que é dia 6 de agosto e que eles estão a caminho de um santuário construído para Mew. Nada disso é dito na versão japonesa. A apresentação do lendário Pokémon é feita via diálogos apenas. Coincidência ou não, dizem que foi em 6 de agosto de 1999 que Mew teve sua marca registrada. Em seguida, Fuji explica que Giovanni está financiando a expedição e se interessou no trabalho do pesquisador no campo da clonagem, pedindo que ele lhe criasse uma réplica melhorada de Mew e que, claro, ele teve que aceitar. O cientista também diz que ele quer "mais, muito mais". Tal explicação também não existe na versão japonesa. Nela, os homens em expedição apenas dizem que Mew é tão raro, que nem uma fotografia sequer do Pokémon existe e que acredita-se que ele possui a chave para a vida eterna. Aliás, a relação entre Giovanni e Fuji NUNCA é sequer mencionada na versão japonesa em momento algum na projeção. No Japão, até a chegada do vilão ao local da explosão do laboratório é tratada como um mero acaso. A única coisa que liga os dois são os CD dramas lançados somente na terra do sol nascente;
  • Na versão americana, antes do flashback com sua esposa, Fuji diz que ele queria ver o sorriso de sua filha de novo. Na versão japonesa, ele se pergunta o que sua filha estaria dizendo para Mewtwo. Depois, enquanto ele acariciava o recipiente em que está a menina, ele a batizava de Ambertwo (Aitwo). Na versão americana, ele diz que fará qualquer coisa para vê-la outra vez;
  • A cena seguinte, um diálogo entre Fuji e um outro cientista, parece se situar no presente na versão americana, mas na versão japonesa, ela ainda era parte do flashback. Enquanto no ocidente o colega de Fuji está lhe dizendo que os clones estão estáveis e ficando mais fortes a cada dia, na versão japonesa o cientista diz que eles obtiveram um fóssil de Mew, que dizem guardar os segredos para a vida eterna. Isso dá a Fuji a ideia de usar essa propriedade do Pokémon para dar à sua filha vida plena;
  • A história que Ambertwo conta a Mewtwo de que quando Pokémon ficam tristes e choram, suas lágrimas são cheias de vida, é inventada pela 4Kids para explicar o clímax do filme - mesmo vale para a mesma história quando recontada posteriormente por Miranda. Na versão japonesa, a garota dizia que Pokémon choram sempre que estão sentindo dor e que humanos são as únicas criaturas que choram mesmo quando felizes. Em seu blog, Takeshi Shudo, o roteirista do filme, explicou que existem pessoas que acreditam que animais só choram quando feridos, não sendo capazes de derramar lágrimas quando felizes ou tristes. Como ele enxerga Pokémon como animais, ele entendeu que seria da mesma forma para as criaturas por isso decidiu inserir esse diálogo no filme;
  • Depois que Mewtwo se descontrola e Ambertwo desaparece, Fuji diz que ela se foi para sempre. Entretanto, tal fala não existe na versão japonesa. A radionovela inclusive chega a dizer que Fuji tentou clonar Amber várias vezes, mesmo após falhas;
  • Enquanto a versão da 4Kids dá a entender que Mewtwo tem uns resquícios de lembrança de seu tempo com Amber, na versão japonesa, o próprio Pokémon diz que à medida que o tempo foi passando ele esqueceu completamente "aquela criança" e os Pokémon clones. Mewtwo tanto esqueceu que o evento não é mais mencionado em momento algum deste filme ou de "A Volta de Mewtwo";
Mewtwo Contra-Ataca
  • A narração que inicia o filme “Mewtwo Contra-Ataca” na versão americana não existe na versão japonesa, apenas os questionamentos que Mewtwo faz a si mesmo. Pouco antes de se libertar ele também fala como está diferente de antes e se pergunta se tudo havia sido um sonho, referindo-se à toda sequência com Ambertwo. Além de esta fala não existir na versão japonesa, a inclusão dela na versão ocidental não faz sentido já que a cena com Ambertwo acabou sendo totalmente cortada para a exibição nos cinemas. Além disso, quando Mewtwo se liberta de seu tubo de ensaio, os editores da 4Kids adicionaram um som de alarme que não havia na versão japonesa; 
  • Na versão japonesa, os cientistas não parecem saber que Mewtwo está prestes a se libertar, mas na versão americana eles alegam estar monitorando suas atividades cerebrais;
  • Quando Dr. Fuji explica sobre Mew para Mewtwo, o Pokémon originalmente perguntava se o raro Pokémon era sua mãe ou seu pai. Fuji dizia que se poderia dizer que sim ou não. Em seguida, Mewtwo questionava se ele havia sido criado por Deus, já que não havia sido Mew quem o trouxera a este mundo. O pesquisador então explicava que neste mundo só Deus e humanos são capazes de criar vida e que Mewtwo nasceu graças ao poder da ciência humana. O diálogo na versão americana foca mais no fato de o Pokémon ser uma cópia melhorada;
  • A versão da 4Kids vilaniza os cientistas de forma maior que a versão japonesa, criando diálogos que mostravam como eles estavam ansiosos para conduzirem ainda mais experimentos, como se ele fosse um rato de laboratório. Isso não existia no original e provavelmente foi feito para justificar os atos de Mewtwo e o assassinato dos cientistas que ele conduz em seguida;
  • Após destruir o laboratório, Mewtwo "Vejam os meus poderes! Eu sou o Pokémon mais forte do mundo! Mais forte até que o Mew". Na versão japonesa, ele se perguntava se era o mais forte, mais forte que o Mew. A 4Kids retrata Mewtwo como um vilão mais arrogante, enquanto a versão japonesa gira em torno da incerteza sobre o seu lugar no mundo;
  • Enquanto na versão americana, Giovanni oferece que Mewtwo seja seu sócio, na versão japonesa ele diz que enquanto o Pokémon tinha grande poder, havia algo ainda mais poderoso no mundo. Mewtwo respondia "humanos" e o chefe da Equipe Rocket confirmava;
  • Quando Giovanni encontra Mewtwo, ele diz que vai ajudá-lo a focar seus poderes, sugerindo que ele não não soubesse como fazer isso e nega que a armadura tivesse a intenção de suprimir os seus poderes. Na versão japonesa, entretanto, Giovanni deixa clara sua intenção de suprimir a magnitude dos poderes de Mewtwo e que ele pode usar sua força para fazer o que quiser: lutar, destruir, saquear, derrotar oponentes poderosos... o que quiser. Enquanto o Mewtwo japonês tem noção dos seus poderes e só questiona seu lugar no mundo, sua existência, a versão 4Kids do personagem parece só entender o quão forte ele realmente é trabalhando com a Equipe Rocket;
  • Na versão americana, Giovanni deixa claro que Mewtwo foi criado para lutar por ele. Isso não existe na versão japonesa;
  • Mewtwo não promete limpar este planeta dos que se opuserem a ele no texto original. Além disso, a frase em que ele anuncia que "o reino de Mewtwo começará logo" é diferente da versão japonesa, em que ele dizia "Mas isto não é um ataque nem uma declaração de guerra...! Contra todos vocês que me trouxeram a este mundo, eu irei... contra-atacar!";
  • Durante a cena embalada pelo tema de abertura da série, a 4Kids deu voz às cenas originalmente mudas de Ash, fez a cena em que Machamp sai da Pokébola de Raymond, o “Treinador pirata”, se repetir, mas cortou a cena em que Ash arremessa a Pokébola de Squirtle e o Pokémon sai dela no ar, aterrissando no solo em seguida. A 4Kids também adicionou o som que Pikachu solta ao soltar o Choque do Trovão final; 
  • Enquanto na versão americana, Misty e Brock falam que a vitória de Ash foi "chocante", a versão japonesa fazia questão de explicar que Ash venceu porque seu oponente era fraco. Depois, Meowth não dizia que Jessie havia eliminado seis de suas sete vidas, mas que ela tinha uma frigideira que, sem carne ou legumes, não passava de um utensílio inútil;
  • Na versão japonesa, o palácio de Mewtwo é chamado Castelo Pokémon, mas ele não recebe um nome na versão ocidental. Entretanto, a 4Kids deu nome ao porto de onde nossos Treinadores partiram, o Cais Old Shore (Old Shore Wharf) - o local não possuía um nome na versão japonesa - e acrescentou a informação de que um barco partiria de lá para a ilha àquela tarde;
  • A história de Miranda sobre os "Ventos da Água" também não existia na versão nipônica. Originalmente, a personagem apenas dizia que aquela era a pior tempestade que ela vira em sua vida e que ela e Jenny não poderiam permitir que os Treinadores fossem até New Island porque é lá que o ciclone tropical se originava;
  • O erro de Fergus de dizer que todos os seus Pokémon são do tipo Água - ele possui uma Nidoqueen - é exclusivo da versão ocidental. Originalmente, ele dizia que todos os seus Pokémon seriam capazes de atravessar a tormenta. Além disso, qualquer informação dada quanto a quando o desaparecimento de Joy ocorreu (um mês antes, semanas antes...) é exclusiva da versão americana e ninguém acha que Mewtwo é um Mestre Pokémon na versão oriental, mas o Treinador mais forte. Ash também não ingênuo o bastante de achar que seus Pokémon seriam capazes de atravessar a tempestade na versão japonesa, mas está determinado a tentar de alguma maneira;
  • Em “Mewtwo Contra-Ataca”, quando a Equipe Rocket (disfarçada de vikings) está dando uma carona de barco para New Island, Brock comenta que não sabia que ainda existiam vikings e então Ash diz que eles são de Minnesota. Isso foi uma referência ao time de futebol americano Minnesota Vikings. No Brasil, o diálogo foi simplesmente traduzido sem nenhuma adaptação, fazendo o ruinzinho trocadilho americano se perder na nossa dublagem desde que futebol americano e seus times não são populares no Brasil. Na versão japonesa eles só falavam sobre a sorte que eles tinham sorte de um barco aparecer assim tão convenientemente na frente deles. A 4Kids também removeu os sons das ondas batendo no barco que estavam presentes no filme original;
  • Na versão ocidental, para infiltrar o palácio de Mewtwo, Jessie manda que Meowth finja ser um peixe-gato. Originalmente, havia um trocadilho: Meowth dizia que ele não podia entrar no esgoto porque ele é dobunezumi, uma palavra japonesa que pode significar tanto malfeitor secreto quanto rato de esgoto;
  • Pidgeot é erroneamente chamado de Pidgeotto somente na versão ocidental;
  • A cena em que o computador da clonagem conta à Jessie, James e Meowth sobre a explosão do laboratório é levemente diferente nas versões americana e japonesa. A 4Kids adicionou sons de explosões e pessoas gritando para dar a impressão de que a gravação havia sido feita durante a destruição do laboratório por Mewtwo. Na versão japonesa, o áudio está muito mais limpo, dando a impressão de que o áudio foi gravado antes do despertar do superclone;
  • Quando Mewtwo se dirige aos Treinadores na versão japonesa, ele diz que houve um tempo em que ele acreditava ser capaz de trabalhar com um humano, mas posteriormente descobriu que estava enganado. Ele diz que humanos são a forma de vida mais baixa do planeta e que eles não são dignos de governar o mundo. Brock então questionava se Mewtwo acreditava se alguém como ele seria qualificado para governar o mundo. A resposta do Pokémon era negativa: ele não acreditava que nem humanos nem Pokémon deveriam ter o controle sobre o planeta. Na versão americana, porém, Mewtwo ameaça destruir tudo e todos para ele poder governar;
  • Na versão americana do filme, Mewtwo afirma ter iniciado sua jornada com um Charmander, um Bulbasaur e um Squirtle, como os demais Treinadores. Na versão japonesa, ele nunca diz isso. Entretanto, na radionovela é revelado que Mewtwo pegou um Charizard, um Venusaur e um Blastoise já evoluídos quando ainda estava trabalhando para a Equipe Rocket e clonou os seus desses. Além disso, na versão japonesa Mewtwo não mandava que seu Charizard acabasse com o de Ash, mas que ele usasse o Arremesso Sísmico (Seismic Toss);
  • Toda a história da tempestade que vai destruir o mundo é invencionice da 4Kids. Na versão japonesa, Mewtwo só quer clonar os Pokémon para fazer versões melhoradas dos originais. O objetivo da batalha entre os superclones contra os Pokémon nascidos naturalmente é apenas entender a extensão de seus poderes e suas próprias capacidades, entender a si mesmo. Na radionovela ele até fala sobre ser qualificado para governar o mundo, mas esse não é seu grande plano;
  • Quando Mewtwo abre os portões para os Treinadores deixarem a torre, na versão ocidental ele diz que eles já serviram seu propósito e os deixará viver por enquanto, ainda que eles sejam incapazes de fugir de seu destino. Na versão japonesa, ele manda que eles saiam de lá correndo, meio que um tom de ironia (afinal, como deixar o castelo com a tempestade ainda furiosa lá fora?) pois não precisa de suas vidas;
  • Quando Ash explode a parede do salão e sai com os Pokésmon originais, Mewtwo diz "Vejam! Com os Pokémons e os humanos eliminados, os clones vão herdar o mundo". Originalmente, o superclone de Mew estava surpreso com a explosão - afinal não era parte dos seus planos - e exigia saber o que estava acontecendo;
  • Mewtwo não ofende os Pokémon originais, chamando-os de patéticos, na versão japonesa;
  • A fala de Mew na versão nipônica não é a de que você não mostra nada só exibindo muitos poderes especiais e que a verdadeira força de um Pokémon vem do coração. Ao invés, ele era menos benevolente e dizia que os originais são os verdadeiros, logo eles não perderiam para as cópias numa luta em que nenhum dos dois lados usasse seus poderes especiais. Além disso, Mewtwo nunca bloqueia os poderes dos Pokémon usando seus poderes, como alegado na versão americana. As próprias criaturas decidem se enfrentar sem eles;
  • A moral de que “lutar é errado” existe só na versão americana. Além do mais, isso se torna meio incoerente quando analisamos que o que os Treinadores Pokémon fazem no anime é justamente colocar seus Pokémon em batalhas para lutarem. Esse fato foi o principal responsável pelas críticas negativas que o filme recebeu por sua moral “hipócrita e confusa” - e não dá para discordar deles, mas não é culpa do roteiro de Shudo. Na versão nipônica, os Treinadores conversavam sobre como a luta era sem sentido porque clones ou não, todos aqueles Pokémon eram seres vivos e isso devia bastar;
  • O motivo para Meowthtwo não querer lutar também é diferente na versão japonesa. Nela, o Pokémon não quer se machucar. Ele diz a Meowth que não quer lutar porque não importa se é um original ou cópia, ele vai se machucar e suas garras vão doer de qualquer maneira e ele não quer isso. Além disso, Meowth não o trata com desconfiança por que ele nasceu diferente na versão japonesa. A reflexão que se segue também difere. Na versão americana, Meowth fala sobre como eles tem o mesmo céu, a mesma Terra... na versão japonesa, Meowth apenas chama atenção para como a lua é redonda;
  • Na versão americana, Joy diz que prefere arriscar sua vida na tempestade do que ver esses Pokémon se destruindo. Originalmente, ela explicava que os Pokémon continuariam a lutar até que afugentassem seus oponentes da ilha;
  • Na versão ocidental, Brock diz que não acha que os Pokémon vão parar de lutar, pois parecem estar prontos para lutar até a morte, Misty diz que essa é uma luta que ninguém vai vencer e Ash diz que alguém tem que fazer alguma coisa para parar aquilo. Tal diálogo é totalmente diferente na versão japonesa. No diálogo original, Brock, Misty e Ash repetem a moral do filme de que tanto clones quanto Pokémon são criaturas vivas;
  • Embora haja um consenso entre fãs ocidentais de que Ash morreu nesse filme, a versão japonesa nunca deixa isso sequer implícito. O roteirista do filme, Takeshi Shudo, também explicou em seu blog que Ash não morreu. Ele só virou pedra mesmo;
  • Após Ash ser reanimado, Mewtwo não fala nada sobre ter conseguido ver o verdadeiro poder que os Pokémon tem interiormente após eles terem acertado suas diferenças. Em vez disso, era aqui que ele anunciava que iria apagar as memórias de todos. Na versão da 4Kids, o anúncio é feito depois, quando eles já estão voando;
  • O filme foi lançado no Japão em DVD no formato widescreen. No ocidente, entretanto, o filme foi modificado para o formato full screen. O mesmo ocorreu com todos os demais filmes trazidos ao ocidente pela 4Kids. A razão disto é desconhecida; 
  • De volta ao cais, Brock diz que a Enfermeira Joy e a Guarda Jenny ficam mais bonitas a cada vez que as vê. Na versão japonesa, ele também elogiava a beleza de Miranda;
  • A cena final com a Equipe Rocket não tem falas na versão japonesa;

CURIOSIDADES 
  • Quando este filme foi exibido nos cinemas japoneses, apenas a sequência do título apresentava efeitos de CGI. Todo o resto do filme havia sido animado da forma tradicional. Entretanto, para lançamento internacional, a Shogakukan Co., Ltd. decidiu fazer algumas melhorias no filme, reanimando algumas cenas por completo e acrescentando efeitos de computação gráfica em outras. Foi aqui também que eles decidiram animar o prólogo do filme com o conteúdo da radionovela lançada no Japão originalmente em CD e que acabou eventualmente sendo cortada no ocidente devido ao seu conteúdo considerado mais pesado. Esta versão definitiva é popularmente conhecida como Kazenban e é a edição que passou a ser posteriormente comercializada e exibida no Japão, com o material original ficando completamente fora de circulação. Isso cria também um estranho paralelo com as edições especiais de Star Wars lançadas a partir de 1997. Para quem não sabe: em 1997, George Lucas, o criador da franquia, decidiu relançar a trilogia original da cinessérie. Para isso, ele realizou uma remasterização extensa nos filmes, especialmente estéticas, para deixá-los com um aspecto mais moderno. Entretanto, algumas mudanças na história também foram realizadas e o criador ainda proibiu a circulação dos filmes originais e qualquer relançamento, atraindo muitas críticas. Curiosamente, o título Mewtwo Contra-Ataca vem de Star Wars - Episódio V: O Império Contra-Ataca;
  • Uma mudança da edição definitiva exclusiva da versão nipônica é uma sequência chamada "A Jornada de Ash", que é uma daquelas sequência do "Mundo Pokémon" usadas bastante nos filmes hoje em dia, explicando quem é Ash e etc., inserida antes de a história da origem de Mewtwo. Entretanto, "A Jornada de Ash" é exclusiva do Kazenban em VHS e às vezes exibida junto com o filme na tevê no Japão. A ceninha foi posteriormente reciclada para a versão japonesa do quinto filme;
  • Alguns dos Pokémon que aparecem na capa ocidental do filme nem sequer aparecem no próprio filme. Além disso, este é o único filme em que Ash não é visto na capa no ocidente; 
  • O filme foi relançado em DVD no Japão mais uma vez, um pouco mais recentemente, contendo a opção de áudio em inglês. Quando assistido em inglês, o áudio fica mudo nas cenas deletadas pela 4Kids;
  • Na edição americana (e por consequência na nossa também), três Pokémon são referidos por nomes errados. Pidgeot foi chamado de Pidgeotto, Sandslash de Sandshrew e Scyther foi chamado de Alakazam – sendo este, de longe, o mais absurdo! No comentário em áudio do DVD, os produtores da 4Kids alegaram que quando perceberam o erro envolvendo Alakazam, preferiram não corrigi-lo acreditando que seria algo interessante para as crianças notarem e que seria completamente plausível que a Equipe Rocket cometesse um engano naquele contexto ou não soubesse os nomes de todos os Pokémon;
  • Cenas do filme foram usadas no anime do episódio nº65, “A Batalha da Insígnia”, ao nº67, “Batalha no Curral Pokémon”. Não fosse pelo período de quatro meses que o anime ficou fora do ar devido ao problema causado pela exibição do episódio “Denno Senshi Porigon”, o filme teria estrelado pouco depois da exibição de “Batalha no Curral Pokémon”, o último episódio do anime a mostrar Mewtwo até então, conectando ambas histórias. Infelizmente, no fim das contas, tais episódios acabaram sendo exibidos tanto no Japão como na maior parte do resto mundo após a estreia do filme nos cinemas;
  • Nos comentários da versão americana, eles brincam que a aparição de Gary no filme é, na verdade, um sósia desde que seu agente estava cobrando caro demais por uma participação dele no cinema;
  • Raymond usa uma bandana que tem uma marca semelhante ao símbolo da Equipe Aqua, que só apareceria anos mais tarde na série; 
  • O longa-metragem “Mewtwo Conta-Ataca” marca o único momento da série em que vimos o Pikachu de Ash entrar numa Pokébola;
  • Quando Corey, Neesha e Fergus são vistos partindo para New Island, uma quarta Treinadora pode ser vista voando em seu Fearow. Porém, ela nunca chegou ao seu destino e nunca mais aparece em momento algum no filme outra vez;
  • A primeiríssima prévia do filme mostra Miranda e uma Misty mais velha andando de mãos dadas com uma garotinha e, depois de mostrarem algumas supostas cenas do filme, as duas encontram Pikachu. Muitas das cenas da prévia nunca são vistas no próprio filme – além da Misty mais velha, por exemplo. Assim, inicia-se a tradição entre os filmes Pokémon de liberarem prévias com cenas que não são utilizadas na versão final do filme, mas servem apenas para atrair a atenção dos fãs;
  • Corey foi dublado por Rodrigo Andreatto no Brasil, o dublador de Gary na série animada. Na dublagem espanhola dos países latino-americanos, o dublador de Gary também dublou o personagem, entretanto eles foram além, transformando Corey em Gary(!!!) editando diálogos para parecer que ele e Ash se conheciam e com o dublador atuando como Gary no papel, ainda que ambos sejam visivelmente muito diferentes; 
  • Este filme não apenas antecipa o surgimento de alguns Pokémon que só estreariam nos jogos da segunda geração da franquia, Gold & Silver, como também alguns ataques que ainda não existiam nos jogos originais Red & Green e suas edições melhoradas. São eles: o Giro Rápido (Rapin Spin) de Blastoisetwo, a Bola das Sombras (Shadow Ball) de Mewtwo e o Rolo Compressor (Rollout) do Donphan de Raymond;
  • Uma das estampas ilustradas promocionais dadas no cinema junto do ingresso do filme Pokémon – O Filme era de um Electabuzz. A descrição do Pokémon no card, entretanto, contradiz algo que é dito no episódio “Batalha na Cidade Sombria” no anime. No dito episódio, é atestado que Electabuzz se enfurece ao ver a cor vermelha, enquanto na descrição do card é dito que Electabuzz gosta de vermelho;
  • Apesar de ser dito diversas no anime que Charmander e suas evoluções morreriam se sua chama se apagasse, tanto o Charizard de Ash quanto Charizardtwo ficam submersos no líquido em suas incubadoras na sala de clonagem e suas chamas se apagam, mas eles continuam bem;
A Volta de Mewtwo
Em 2000, os telespectadores japoneses já acompanhavam as aventuras de Ash e cia na Liga Johto nas tevês japonesas enquanto os fãs ocidentais ainda vislumbravam o segundo filme dos monstros de bolso. Entretanto, para dar uma agitada nas coisas – o anime andava meio paradão e algo para atrair a atenção dos fãs era necessário afinal –, os produtores da série decidiram se aproveitar da grande popularidade e sucesso que Mewtwo havia alcançado ao redor do mundo com Pokémon – O Filme para desenvolver mais um capítulo do drama do superclone e fizeram o especial “Mewtwo! Ware Hakokoni Zairi (Mewtwo! Eu Estou Aqui!), escrito por Takeshi Shudo e dirigido por Masamitsu Hidaka. Tal especial serve como uma espécie de sequência direta de “Mewtwo Contra-Ataca” e foi exibido nas tevês japonesas em 30 de dezembro de 2000, em plena época de ano novo! Isso marcou a primeira vez na história de Pokémon que um filme da série ganharia uma sequência direta;
Obviamente, as empresas americanas logo farejaram o possível sucesso que um material estrelado por Mewtwo poderia fazer e logo a 4Kids decidiu trazê-lo ao ocidente, responsabilizando-se pela edição do material (mudanças de diálogos e de todas as BGMs originais do especial, por exemplo) e o negociou com a Warner Bros, que como já havia lançado os três primeiros filmes da série no ocidente, demonstrou interesse em lançar o especial também. Quase um ano depois da sua exibição no Japão, o DVD e o VHS do especial foram lançados nos EUA sob o título de “Pokémon – Mewtwo Returns”. A Warner Bros do Brasil trouxe o especial pra cá e o colocou para ser dublado nos estúdios da Delart no Rio de Janeiro, a mesma responsável pela dublagem de Pokémon – O Filme. 
Repetindo o ótimo trabalho feito com “Mewtwo Contra-Ataca”, a Delart escalou os mesmos dubladores que haviam interpretado Dr. Fuji, Mewtwo e Giovanni no primeiro filme. Novamente, os dubladores de Mewtwo e Giovanni brilharam, mas agora acompanhados de Iara Riça, que dublou Domino, uma das melhores agentes da Equipe Rocket já apresentadas (cuja ausência em qualquer produção posterior é lamentável)! Para os personagens da série animada, os dubladores paulistas foram levados de São Paulo ao Rio, mais uma vez, com exceção do dublador de Meowth, que provavelmente recusou-se a participar, e o Narrador, que já havia sido trocado nas dublagem anteriores no estúdio. O elenco então ficou assim:
Personagem – Dublador em “A Volta de Mewtwo”
Ash Ketchum – Fábio Lucindo 
Misty – Márcia Regina
Brock – Alfredo Rollo
Jessie – Isabel de Sá
James – Márcio Araújo
Giovanni – Luiz Feier Mota
Domino – Iara Riça
Narrador – Maurício Berger
Professor Cullen Calix – Peterson Adriano
Luna Carson – Sylvia Salustti
Luka Carson - Mabel Cezar
Dr. Fuji – Isaac Schneider
Pokémon – Dublador em “A Volta de Mewtwo” 
Mewtwo – Guilherme Briggs
Mew – Koichi Yamadera
Pikachu do Ash – Ikue Ohtani
Meowth da Equipe Rocket – Márcio Simões
Goldeen da Misty, Wigglytuff clone – Rachael Lillis
Geodude do Brock, Psyduck clone, Dewgong clone – Michael Haigney
Onix do Brock, Gyarados clone – Unsho Ishizuka
Staryu da Misty, Golbat do Brock – Shin’ichiro Miki
Bulbasaur do Ash, Ninetales clone, Vulpix clone – Tara Jayne
Persian do Giovanni – Rica Matsumoto
Blastoisetwo, Squirtle clone, Poliwhirl da Misty, Pineco do Brock – Eric Stuart
Togepi da Misty – Satomi Korogi
Vaporeon clone, Vileplume clone, Wobbuffet da Jessie – Kayzie Rogers
Pikachutwo – Megumi Hayashibara
Meowthtwo – Chiyako Shibahara
Chikorita do Ash – Mika Kanai 
O especial foi lançado no Brasil inicialmente em VHS e é raridade hoje em dia. O motivo? Provavelmente a falta de divulgação e o fato de que Pokémonestava começando sua fase de decadência no país, que só se intensificou com a ausência de novos episódios na tevê aberta na época. Isso fez com que a Warner perdesse o interesse em distribuir o filme decentemente por aqui e além disso, era a fase final do mercado de VHS no país, fazendo com que o filme deixasse de ser produzido rapidamente. Curiosamente, enquanto o VHS foi lançado sob o título de Pokémon – O Retorno de Mewtwo, na dublagem e nas exibições na tevê o especial é chamado de “A Volta de Mewtwo”. No Brasil, sua exibição ficou muito restrita aos programas da HBO na tevê a cabo por muito tempo até que em 23 de julho de 2005, o SBT o exibiu pela primeira vez como um telefilme dentro do “Sábado Animado”, reprisand-o especial outras vezes em outros horários. Esperava-se que o Cartoon Network fosse exibir o especial um dia devido ao fato de ter exibido todos os demais filmes que haviam sido distribuídos pela Warner Bros no país, mas isso nunca aconteceu, o que nos leva crer que a emissora não se interessou pelo produto também. 
Em “A Volta de Mewtwo”, embora todos os envolvidos na batalha de New Island tenham tido suas memórias apagadas por Mewtwo, Giovanni, o líder da Equipe Rocket, ainda se lembra do poderoso Pokémon que escapou de suas mãos e continua a procurá-lo incessantemente. O paradeiro do lendário Pokémon é descoberto por sua esperta agente Domino. Embora tenha arrumado um lindo lugar para habitar com seus Superclones, Mewtwo ainda questiona se é digno de viver neste mundo por não ser uma criatura natural. Porém, um novo encontro com Ash e um confronto com as forças da Equipe Rocket, que põe em risco não só sua vida, mas também as dos Pokémon que ele criou fazem-no repensar seu lugar no mundo. O especial tem o mesmo tom sombrio de "Mewtwo Contra-Ataca", mas consegue superá-lo em alguns quesitos, como ação. Pokémon – O Retorno de Mewtwo foi a última animação envolvendo os monstros de bolso distribuído no Brasil e no mundo pela Warner Bros.
Curiosidades:
  • O especial foi exibido no Japão entre os episódios nº180, “Onde a Grama é Mais Verde”, e nº181, “Uma Horta de Amigos”; 
  • Esta marcou a primeira vez que algo produzido pelo mesmo grupo responsável pelo anime foi colorido digitalmente; 
  • Durante o diálogo entre Ash e os clones de Pikachu e Meowth, James comenta “parece a continuação de um filme que eu perdi”. Quebrando a quarta parede, ele faz uma referência ao primeiro filme da série, o que é essencialmente verdade, já que ele também teve sua memória apagada ao fim de “Mewtwo Contra-Ataca”; 
  • É revelado que a Nidoqueen e a Rhyhorn clonadas tiveram bebês. Entretanto, enquanto não só é impossível para uma Nidoqueen ter filhotes nos jogos, se ela pudesse, seus filhotes deveriam ser Nidoran♀, seu primeiro estágio evolutivo. Embora isso possa ter ocorrido devido à sua origem não natural, o fato de Ash e os demais terem agido com naturalidade diante do fato pode indicar se tratar só de mais um erro da equipe responsável pela série. Além disso, ambos Pokémon são afetados pela rede elétrica, mesmo sendo do tipo Solo, o que os faria imunes a eletricidade. Isso pode ser tanto um erro de roteiro quanto um indicativo de que a rede usava tecnologia avançada; 
  • Pouco antes de partir, Ash comenta com Mewtwo que “desta vez, nós dois poderemos lembrar” sugerindo que Mewtwo permitiu que eles soubessem de seu encontro anterior. Entretanto, isso também pode ser apenas um erro de diálogo – neste caso, então, a fala não faria o menor sentido já que Ash não se lembraria ou saberia que houve uma outra vez em que sua memória foi apagada – o diálogo só é dito de tal forma na versão ocidental;
  • Ao final do especial, Mewtwo contempla uma cidade que lembra muito a Cidade de Nova York. Dá para ver prédios que lembram muito o Empire State Building e o MetLife Building. Entretanto, a cidade também pode ser apenas um local exclusivo do anime, inspirado em Nova York;
  • Quando o enxame de Pokémon Insetos ataca a Equipe Rocket, Giovanni ordena a seus subordinados que matem todos eles. Essa fala foi removida da versão ocidental. Do mesmo modo, Mewtwo dizia que preferia “morrer” a se render a Giovanni, mas na versão ocidental ele diz que prefere “deixar este mundo”;
  • O especial conta um rápido flashback relembrando os fatos do primeiro filme. Em vez de se usar o áudio original do filme, todas essas cenas foram re-dubladas no Brasil pela Delart utilizando os mesmos dubladores das cenas originais;
 

5 comentários:

  1. As modificações feitas pela 4Kids Entertainment nesse filme ainda é pouco em comparação ao filme: "Os Deuses Guardiões da Capital da Água: Latios & Latias" (título japonês ao filme: "Heróis Pokemon: Latios & Latias", no Brasil), esse filme foi brutalmente alterado o roteiro e até algumas cenas foram removidas. Excelente texto Sir Charizard :)

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  2. Eu realmente queria saber de onde vem a Mewtwo de BW. Com certeza aquela não é o deste filme.

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  3. Ho-oh reborned17/08/14 19:05

    Sir Charizard muito boa a matéria! Só dê uma olhada e conserte por favor esse pequeno errinho que acabei percebendo. Ao falar dos ataques que teriam sido apresentados no filme antes que nos jogos vc coloca primeiro os nomes em português e em seguida seus nomes em inglês dentro dos parênteses, mas acaba repetindo "rolo compressor" nas duas vezes.
    O trecho em questão:

    "Este filme não apenas antecipa o surgimento de alguns Pokémon que só estreariam nos jogos da segunda geração da franquia, Gold & Silver, como também alguns ataques que ainda não existiam nos jogos originais Red & Green e suas edições melhoradas. São eles: o Giro Rápido (Rapin Spin) de Blastoisetwo, a Bola das Sombras (Shadow Ball) de Mewtwo e o Rolo Compressor (Rolo Compressor) do Donphan de Raymond;

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  4. Alguém saberia me dizer onde encontro a versão japonesa pra assistir? Ou seja, a versão que não foi alterada pela 4Kids? Obrigado

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    1. A parceira da PBN: Bruthais Fansub (http://www.bruthais-fansub.net/portal/?page_id=4522)

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