Pokémon GX 013: Limites

Quando se tem uma grande responsabilidade, um dever a cumprir, é importante manter o foco. Poderá a Fronteira da Batalha abalar a convicção de Wes e sua equipe?

SAVE 013 - Fronteira da Batalha
(Limites)

   Finalmente, o navio finalmente se aproximava da costa, o sol se erguendo no horizonte. Do deque, Wes já podia ver, ao longe, a Fronteira da Batalha e sua gigantesca torre. Estava colado na amurada, mas não esperaria o navio atracar, até porque este desembarcaria em Olivine.

   — Ali está, pessoal… a Fronteira da Batalha! Hora de partir.

   Seus Pokémon assentiram, entusiasmados, ele recolhera todos para suas Pokébolas, com exceção de Flynn. Antes que alguém pudesse lhe impedir, ele montara em cima do dragão, alçando voo.

  Era uma sensação estranha, estar voando com seu Pokémon. Até pouco tempo, jamais imaginara que seria possível um Pokémon levar seu treinador, o transporte veicular era o mais comum em Orre. Mesmo depois de sua moto dar pane no meio do deserto, ele encarara com descrença aquela alternativa. Felizmente, Rui o fizera mudar de ideia diante daquela situação.

  Alheio aos devaneios de seu treinador, Flynn dera um rasante pelo oceano, espantando os Tentacools que boiavam na água. Os respingos d'água fizeram que que Wes prestasse mais atenção onde estava indo. Dava para ver o contorno dos prédios de Olivine, mas o dragão seguia na direção que lhe fora apontada.

  — Vamos precisar ir mais alto, Flynn. Não sei como chegar lá, só sei como é o prédio.

  Pegara o endereço na internet, mas o código postal era bem diferente do de Orre, somente com o nome de ruas e blocos ao invés de algo mais lógico e numérico. O GPS não era uma alternativa, visto que o sistema não retornava sinal em alto-mar.

  Riscando o oceano, o Flygon fora subindo gradativamente à medida que se aproximavam da costa, as asas planas batendo de forma esporádica mas com grande força. A Batalha da Fronteira estava cada vez mais próxima, e ali do alto, parecia mais um grande parque de diversões.


   Infelizmente, não poderia ficar por ali e completar o circuito, não viera a Johto a passeio. O jovem localizou na paisagem o edifício que procurava, a Fábrica da Batalha. Mesmo diante daquela mistura arquitetônica, o domo poligonal se destacava por seu aspecto mais futurístico, perdendo somente para a imponência da Torre da Batalha. Wes indicara o local ao seu Flygon, e o dragão descera, pousando bem na entrada da construção cobalto.

  Diante do pouso repentino, alguns pedestres que passavam por ali comentaram, murmurando:

   — Que garoto exibido.

   — Hey! Olha lá por onde voa!

   Ignorando os comentários, ele desceu do Pokémon e o mandara de volta para a Pokébola, liberando suas Eeveelutions para dar uma volta com ele, já que vários treinadores ali tinham um ou dois Pokémon os acompanhando.

   E treinadores era o que não faltava por ali. Aglomerados na praça abaixo, sentados nos bancos próximos as atrações da Fronteira da Batalha, discutindo estratégias ou se preparando para o próximo desafio. Tivera que se controlar para não se juntar a eles. Wes voltara seus olhos para o domo, rumando para aquele prédio, ignorando outros horizontes.


   Ali dentro, o estilo de construção era bem clean, com um leve traço cibernético, havia uma corrente de LED correndo sob a plataforma de vidro que se estendia pelo local como um tapete vermelho. Wes ia se dirigindo ao PC mais próximo quando sentiu um toque no antebraço.

   — Com licença, meu jovem. – um senhor se aproximara dele, de jaleco, mexendo nos óculos. — Posso ver seus Pokémon?

   O olhar de Wes dizia claramente “Não”, era nítido como estava incomodado com aquela intrusão, mas o pesquisador se aproximara do mesmo jeito, se abaixando para avaliar as Eeveelutions.

   — Nossa, são muito bem treinados! E não só isso, são de alta estirpe! Tudo bem que o Umbreon tem uma pequena falha quanto ao Ataque Especial, e seu Espeon peca no quesito físico, mas os outros atributos… não poderiam ser melhores!

   Wes se perguntava se aquilo era uma pegadinha, uma brincadeira de mau gosto, se aquele “cientista” era um daqueles picaretas tão comuns em Orre. Alta estirpe? Achara seus Eevees na rua, abandonados ainda filhotes. E qualquer treinador mais esclarecido saberia que os golpes de um Umbreon são em sua maioria físicos ou de status, e que Espeon possui um grande arsenal de golpes especiais.

   — Cuide bem de seus Pokémon, garoto. – o homem disse, ao se levantar. — A maioria dos treinadores passa anos cruzando diversos Pokémon para se chegar num resultado como esse.

   Resultado. A expressão de Wes congelara, uma fúria gelada se acumulava dentro dele. O homem se retirara, mas as palavras dele causaram uma reação intensa no jovem. Os Pokémon sentiam a animosidade fluir de seu treinador, e ambos cutucaram a perna dele, procurando despertá-lo, tirá-lo daquele estado.

  Wes os notara, estranhando aquela reação. Eles deviam estar revoltados, indignados, mas aparentavam tranquilidade. Aquele conformismo chegava a doer.

   — Eu não sabia. – ele se agachara, acariciando gentilmente o rosto das Eeveelutions. — Desculpa, eu não sabia…

   Ele se desculpava, murmurava, mas por quê? Não fora ele que os largara assim que saíram do ovo, sem pai, sem mãe, sem ninguém. Pelo contrário. Quando foram abandonados, rejeitados pelo seu treinador (nem lembravam do sujeito, de tão pouco tempo que passaram com ele), fora Wes que os encontrara, que os levara para casa, que cuidara deles.

   Ester e Bree postaram as patinhas dianteiras no peito dele, e em resposta, Wes os abraçara brevemente, mas com força. Era claro o quanto o rapaz se importava com eles.

   — Deixem isso para lá, está bem? Temos trabalho a fazer.

   Ele comentara, ao se levantar, indo para o balcão da recepção. Uma secretária solícita o atendera, vestida de rosa, a outra estava ocupada atendendo outro treinador.

   — Boa tarde. Em que posso ajudar?

   — Estou procurando o responsável pela Fábrica da Batalha, Thorton.

   — Bem, se quiser enfrentá-lo e ganhar a estampa comemorativa, terá que obter 21 vitórias seguidas.

   — Não, não quero ganhar a estampa. – tá, queria sim, mas não podia perder o foco. — Tenho um assunto a tratar com ele, sobre o aluguel de Pokémon.

   — Ah, sim, nos avisaram que alguém viria. Você é…?

   — Wesley Dustan, da região de Orre.

  Ele mostrara sua identidade, o cartão que atestava sua habilitação como treinador, e a atendente verificara o ID e a localidade, com um sorriso de esguelha.

   — É sempre Orre…

   Ela comentara, num tom baixo mas sarcástico, sem se incomodar se o jovem a ouvira ou não. A recepcionista devolvera a identidade e o conduzira até a área atrás do balcão, passando por uma porta automática. Depois de percorrem o corredor, chegaram ao que pareceu a Wes uma pequena biblioteca. Só que ao invés de livros, havia centenas de Pokébolas nas estantes, e um PC bem similar aos de Orre. Deveria ser ali que eles guardavam os Pokémon alugados.

   — Senhor Thorton? O representante de Orre já chegou.

   Um jovem de gravata, camisa social, bermudão e tênis saíra detrás de uma estante, numa combinação de roupas decididamente estranha para Wes. Já o estranho o olhara com a mesma incredulidade, porque alguém usaria um sobretudo longo e escuro daqueles em plena primavera?

   — Hm. Wesley Dustan, correto?

  Wes assentira, e o cérebro da Fronteira continuara, no mesmo tom prático e levemente monótono.

   — Senhorita Jacqueline, poderia voltar à recepção? Deixa que eu lido com ele. – a mulher se retirara, e Thorton retomara a conversa. — São… 15 Pokémon que você veio devolver, não? Você pode retirá-los por este PC.

   — Certo.

   — Vou dar uma conferida em cada leva, só para ver como eles estão. Pelo que ouvi, a coisa foi feia. Inclusive nos obrigou a rever as políticas de locação com Orre.

   Wes retirara do computador os seis primeiros Pokémon raptados (Croconaw, Misdreavus, Flaaffy, Qwilfish, Meditite, Sudowoodo), e Thorton os analisara com seu smartphone, passando o aparelho em cima das Pokébolas.

   — Bom, eles ganharam alguma experiência, mas nada que dê uma vantagem para quem os usar. Você pode ir tirando o resto enquanto eu coloco esses no lugar?

   Ele disse, como os braços cheios com as Pokébolas, e Wes assentira, selecionando a segunda leva (Gligar, Sneasel, Stantler, Aipom, Murkrow, Sunflora). No entanto, o jovem se questionava se isso era mesmo o certo a se fazer. Devia ser horrível passar a vida inteira numa estante.

   — Felizmente liberamos um pouco do espaço ontem. A Fábrica tem um convênio com o laboratório do professor Rowan, não sei se ele é muito conhecido em Orre.

   Ele falara por alto, enquanto realocava os Pokémon na estante, e Wes perguntara.

   — Convênio?

   — Mando os que não foram sorteados para o professor estudar, não temos muito espaço aqui, mas ele tem. A área do laboratório conta com vários tipos de terreno, o professor Rowan estuda como os Pokémon se comportam no seu habitat natural e o que desencadearia suas evoluções.

   Isso tranquilizou a consciência de Wes. Embora fosse Pokémon alugados, eles não ficavam única e exclusivamente no depósito à espera de um treinador. Ele repassara a segunda leva, e retirara os últimos Pokémon (Heracross, Bayleef, Quilava), finalizando seu trabalho por lá.

   — Muito obrigado. Como agradecimento – ele procurou por algo no bolso, entregando-o para Wes. — gostaria que ficasse com isso. É um cupom promocional, ele vale 100 pontos no balcão de trocas.

   — Ah. Obrigado.

   — Como eu disse, sou eu que agradeço.



###


   Saindo da Fábrica de Batalha, não demorou para Wes localizar o balcão de trocas, na esquina da praça logo abaixo. A pessoa que o atendeu lhe explicara que, ao invés do crédito comum, a moeda utilizada na Fronteira da Batalha eram Pontos de Batalha, BP para abreviar (mais uma vez Wes precisou se controlar para não desviar o foco de sua viagem). Havia uma série de itens para escolher. O balcão direito trocava TMs, mas ele não estava interessado nisso, já tinha uma boa coleção deles.

   O outro, no qual estava, oferecia vitaminas (que não precisava), doces raros {Rare Candy} (que não precisava, fora que custavam um absurdo), itens decisivos {Choice Itens} (que não precisava. Do que adiantava ter mais poder e ficar travado num golpe só?), ervas (até parece que ia gastar crédito nisso), uns acessórios estranhos, e…

   — O que é isso? – ele perguntou à atendente, indicando um pequeno par de óculos.

   — São óculos de proteção {Safety Goggles}. Acabaram de ser importados de Kalos. Com eles, seus Pokémon não sofrem com os impactos do clima.

   — São 48 BP, certo? Vou levar dois.

   — Ah, infelizmente… só temos uma amostra. Mas se procura por algo diferente, que tal levar isso? – ela pegara um jaquetão escarlate. – Também é importado. O revestimento acolchoado aumenta a Defesa Especial.

   — Certo… vou levar os dois.

   — 96 BP. – Wes pagara com o cupom.

   — Mais alguma coisa?

   — Não, obrigado.

  Ele colocara os itens na bolsa, atentando-se para a saída do lugar, um tanto ao longe. Tentara ao máximo não olhar para os lados, era difícil recusar um desafio daqueles. Rui tivera que insistir para que ele largasse o percurso do Monte Batalha, mas ainda assim voltara lá tempos depois para completar o circuito.

  Só isso o animara, a perspectiva de que iria voltar ali tão logo que devolvesse todos os Pokémon roubados. Tinha que reconhecer que a proposta da Fronteira da Batalha tomaria muito mais tempo do que o aceitável.

   Os portões davam numa pequena praia, nos limites de Olivine, para onde Wes se dirigia. Tal como Gateon, Olivine era uma cidade portuária, mas era tão diferente... A cidade de Orre fora construída e reformada em torno das docas, parecia uma expansão destas, já Olivine…

   A cidade tinha suas ruas e calçadões em mosaicos de pedra, uma elegante vila residencial ao nordeste da cidade, e inúmeras lojas e barraquinhas no cais. Se ambas eram cidades portuárias, o conceito de cada uma era bem diferente. Olivine fazia questão de ser a porta de entrada da região e de lucrar com o turismo. As lojas e banquinhas do píer vendiam uma série de souvenires, tanto para quem vinha quanto para que ia de Johto, e Wes parara numa agência de viagens para fretar um barco até Cianwood.

  A WWW (Maravilhas Mundo Afora*) era uma empresa conhecida de câmbio e turismo. Suas agências tinham vários cartazes ilustrando diversos destinos por todo o globo, com o mobiliário em tons de azul e âmbar, e Wes aproveitara o tempo que ficara na fila para resolver as pendencias com seu check out precipitado no navio. Acabara de resolver o problema com a saída e já ia ver no PDA se havia alguma mensagem pendente, quando sua senha fora anunciada, e logo fora até o balcão.

   — Boa tarde. Eu gostaria de comprar o pacote para Cianwood.

   — Ah, duas semanas na ilha, com direito a tour completo pela Zona do Safári e visita a Torre Oculta...?

   — Não, o promocional.

   O gerente dissera sorrindo, insinuando, destacando o que havia de melhor naquele destino, mas Wes o cortara, já tinha visto na internet as opções disponíveis, tinha um orçamento sobre controle.

   — Hmmmn.

   — E também preciso trocar moeda.

   — Certo. Identidade por favor.

   Ele passara o cartão, e o sujeito moreno o colocara numa leitora ali na mesa, se ocupando em efetuar as operações no computador, após Wes autenticar a transação com sua digital. Quando terminou, o gerente imprimiu o comprovante, entregando este e o cartão para o rapaz, enquanto ia buscar as passagens autenticadas.

   Apesar de ter checado a cotação antes, Wes ainda se chocara com os números impressos no papel. Ouvira falar no Ensino Médio que Honshu* desvalorizava propositalmente sua moeda, mas não esperava ser tão discrepante assim. Uma coisa era apenas um número, outra era vê-lo como fator multiplicativo.

   Com a transação financeira, seu dinheiro quase triplicara. Era como se do nada ganhasse um prêmio menor na loteria. Daquelas que fazem a pessoa gastar com tudo que vê pela frente. Mas não ele. Teria que usar bem aquele dinheiro, não tinha emprego ou alguém que lhe sustentasse. Viver de batalhas Pokémon era um negócio arriscado, e que não permitia gastos esdrúxulos. Simplesmente pegara as passagens e demais comprovantes da viagem, recusando as outras ofertas do gerente.


###


   Saindo da agência, já no final da tarde, Wes decidira passar no Centro só para ver se seus Pokémon estavam bem. Máquinas de cura e um bom descanso poderiam até dar conta do recado, mas nada substituía o cuidado de um profissional. O jovem consultara seu PDA em busca de um mapa da cidade, para ver onde ficava o prédio, mas ao chegar lá, viu que nem precisava.


   O lugar tinha o telhado vermelho e uma grande placa acima da entrada com o desenho de Pokébola, num design que parecia ser padrão. Mas por dentro o estilo era parecido com os de Orre, sempre com um balcão ao centro. Não tardou para que a enfermeira o visse e logo lhe atendesse.

   — Olá! Bem-vindo ao Centro Pokémon de Olivine! Em que posso ajudar?

   — Poderia ver como estão meus Pokémon?

   — Claro!

   Ela estendera uma bandeja metálica, e ele depositara suas Pokébolas ali. A atendente operara uma máquina de cura bem maior e bem mais equipada, conferido e restaurando a saúde dos Pokémon de Wes. Ela logo devolvera sua equipe.

   — Seus Pokémon estão plenamente saudáveis.

   — Obrigado. A propósito… vocês oferecem hospedagem? – ele perguntara, hesitante. — Ou conhecem algum lugar na cidade para poder ficar?

   — Mas é claro! Há um limite de três dias para estadia, mas ela é gratuita. Você também pode usar a cozinha e os lavatórios sem pagar nada. Estamos abertos 24 horas para atender treinadores e Pokémon. Pode contar conosco!

   A Joy comentara, super prestativa, e a resposta surpreendera Wes. Em Orre os Centros só funcionavam em horário comercial. Toda aquela estrutura devia ser pelo fato das enfermeiras terem que ficar de plantão, e era muita generosidade oferecer o espaço aos treinadores.


   Da onde vinha o dinheiro para manter aquele sistema? Se fosse de impostos*, então era hora de Orre importar mais alguma coisa de Johto. Wes resolvera se inteirar mais sobre os Centros Pokémon, perguntando acerca das condições para tal, só a perspectiva de não gastar com hospedagem já era uma ajuda e tanto em suas despesas.


###


   A noite no Centro fora bem melhor do que ele esperara. Nada de colchonetes ou dormitórios comunitários. Tinha cama, dois beliches por quarto. Sim, o quarto era pequeno, mas era individual. Poderiam até ser compartilhados conforme a lotação, mas felizmente tinha um totalmente vago. Dava para viver ali tranquilo.

   Depois da janta, sentado na cama, ele pegara seu PDA, para esboçar o que faria na manhã seguinte. Foi aí que notara que o Centro oferecia mais uma comodidade: Internet. Ele aproveitara para ver se tinha alguma notícia de Rui.

   — "Olá Wes, eu espero que você tenha chegado bem em Johto, porque eu… eu tive algumas surpresas aqui em Unova. Escolher meu primeiro Pokémon foi bem mais difícil do que pensei, até porque eu não peguei meu inicial com o professor Juniper, eu tive que escolher entre uma variedade bem maior de Pokémon. É meio que tradição os guardiões procurarem seu primeiro Pokémon numa floresta ou coisa assim, mas meu pai acha meio perigoso, então a seleção foi a partir dos Pokémon da creche e da mata que fica atrás."

   — "Teria sido tudo muito muito tranquilo se não fosse o ataque de uma Mawile selvagem. Eu nunca tinha visto um Pokémon selvagem agir dessa maneira, atacando quem aparecesse, e eu tive que lutar com um Pokémon que eu nem sabia se seria mesmo meu, se iria comigo. Mas naquela hora nosso objetivo era o mesmo. Mas, mesmo com suas dicas, mesmo com Prim dando o melhor de si, não consegui vencer. Meu pai teve que intervir e a Mawile fugiu."

  Ele podia notar que ela estava chateada, por não ter vencido, por ter precisado de ajuda. E que o misterioso Pokémon que Rui escolhera lutar por outro motivo. Talvez ela mesma percebeu o seu tom para muda-lo tão bruscamente naquela gravação.

   — "Mas olha pelo lado bom: agora eu tenho dois Pokémon iniciais! Eu não podia separar as duas, talvez fosse por isso que Prim estivera tão relutante em me acompanhar. Meu pai não foi contra mas também não foi a favor, ele disse que as duas já se conhecem e eu ainda não, que será mais difícil por conta disso. Mas depois daquela batalha eu sei que eu posso confiar nelas, e que elas podem contar comigo."

  Havia uma imagem logo abaixo da gravação, e logo em seguida, mais um áudio.


   — "Bem, vou ter algum tempo até a gente se enturmar, afinal a cerimonia é só daqui a alguns dias. Pessoalmente, acho que é melhor que elas me escolham do que eu escolher elas. Hm, falando nisso, como vai a sua equipe? Todos estão bem aí? Espero que sim, e espero que a gente volte logo a se falar. Vou ficar aguardando sua mensagem."

   Ele ouvira a mensagem que ela gravara, e não tardara para responder.

   — "Olá Rui, fico feliz em saber que você chegou sã e salva em Unova". – ele provocara. — "Eu e meus Pokémon estamos bem, a viagem foi relativamente tranquila, mas… eu descobri que o treinador do Gui o capturou por engano, sequer queria ficar com ele. Não sei bem o que dizer, eu fiquei com raiva, mas também fiquei feliz por não ter que devolvê-lo. Assim que cheguei fui direto à Batalha da Fronteira para devolver os Pokémon alugados. Cara, você nem tem ideia de como é ir para um lugar cheio de desafios, cheio de treinadores, e ter que sair sem uma luta sequer. Agora iremos rumo a Cianwood, depois de passar pela ilha nós voltaremos ao continente. Também vou ficar aqui na espera. Até então, Rui".

   — *Ku ruru*?

   — É, nossa próxima parada vai ser em Cianwood. Mais uma viagem de barco, infelizmente.

   Ele explicara o desvio na rota, ao notar a curiosidade do aquático. Tudo bem que ele não entendia bem a linguagem deles e eles não conseguiam se expressar na sua, mas isso não era nada. Havia interesse e receptividade em cada lado. Um grunhido mais baixo, uma postura mais ereta, um movimento sutil poderia indicar o que eles queriam dizer. Bastava prestar atenção.


SAVING…
 

  • Imagens: artworks oficiais, autoria própria (com base em screenshot do jogo e anime), screenshot do anime Pokémon Origins, pixiv.net/member.php?id=64213 e fametheoryart.tumblr.com (enquadradas)
  • World Wide Wonders = Maravilhas Mundo Afora. Nesta fic, uma agência que disponibiliza seus serviços internacionalmente, e com o valor em três moedas diferentes (Pokédolars, Poké-iene e Poké-euro). Honshu = Nesta fic, o continente que abriga Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh e Almia. Deriva do nome da principal ilha do arquipélago japonês.
  • Ok, era para o cientista de jaleco estar na Torre da Batalha… Vai ver ele foi checar as outras atrações.

As notas a seguir se referem ao mundo construído nessa fic, elas não são canônicas/confirmadas pela série.

  • Assim como o ID é o número mais importante na vida de uma pessoa, seu documento mais importante é a identidade, que tem validade internacional. Esse documento tem foto, digital e assinatura na frente, com os dados atrás. Para operações financeiras, não é necessário senha, pois é usada identificação biométrica (por isso a identidade tem a digital). Ter identidade não significa ter licença de treinador (ou coordenador, protetor, criador, etc), mas caso a pessoa tenha a licença, o banco de dados referente ao ID é atualizado com essa informação. Qualquer um pode ter identidade, mas a licença de treinador tem limite mínimo de idade, a variar dependendo do continente. É possível batalhar sem a licença, mas não competir em ligas Pokémon.
  • Os impostos nesse caso são sobre as batalhas Pokémon. Salvo raras exceções, aqui toda batalha Pokémon envolve uma quantia apostada, justamente para refrear seu excesso. Do valor apostado (e calculado conforme dados do Trainer Card), uma parte é deduzida para um fundo de auxílio Pokémon, que inclui a manutenção dos Centros. Alguns tentam burlar a taxação, usando peças metálicas para interferir na leitura do ID. A superfície reflexiva do amuleto de moeda {Amulet Coin} é particularmente eficaz nesse intuito.

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