Pokémon GX 011: Um início difícil


Às vezes, justamente por querer o melhor para determinado alguém, nós o impedimos que ele faça sua escolha. Ferimos seus sentimentos. O que fazer para se desculpar?

SAVE 011 - S.S Aqua
(Um início díficil)

Era a primeira vez de Wes em alto-mar, sua primeira viagem intercontinental. Acostumado com o trepidar da moto, não tivera lá grandes problemas com o balanço do navio. Folheando o encarte que recebera, descobrira que o navio tinha uma série de comodidades (restaurante, piscina, observatório, arena), mas internet não era uma delas. Bem, ao menos o folheto informava que o navio era bem popular entre treinadores, e que batalhas Pokémon eram permitidas (Preferencialmente na arena. Qualquer dano às cabines será descontado).


   O jovem saíra do quarto, mal trouxera bagagem, tudo que precisava estava em sua bolsa. Como não tinha nada mais para fazer, fora até o convés superior, vai que encontrava alguém para lutar? O deque estava cheio de treinadores e turistas, muitos se apoiavam na amurada para ver o oceano. Suas Eeveelutions farejavam o ar, curiosas com o aroma salino. Para sua surpresa, o VS Seeker apitara, e não só isso, várias pessoas notaram a intenção dele.

   — Ah, você quer batalhar, jovem? Então pode vir! – um pescador comentara, animado, recolhendo sua linha e se voltando para ele.

   — Por mim…

   Wes aceitara o desafio. Algumas pessoas se aglomeram em volta, mas dando espaço para os dois desafiantes lutarem no deque. O homem moreno deixara a vara na amurada e pegara uma das Pokébolas que levava no cinto.

   — Vai, Lanturn!

   — Bree! Ataque rápido {Quick Attack}!

   O Umbreon ao lado do jovem investira contra o aquático, pego de surpresa, o impacto o arrastara pelo deque. Antes que o peixe pudesse retaliar, ele saltara para trás, preparado para atacar novamente. Mas o pescador logo contra-atacara.

   — Lanturn! Revide com relâmpago {Thunderbolt}!


   O aquático, em represália, lançara um raio elétrico na direção do noturno, não só o atingindo mas também o afastando, tentando evitar contato físico com a Eeveelution.

   — Golpe baixo {Take Down}!

   Mas não adiantara, Bree correra com tudo, colidindo e empurrando o Lanturn para longe. Num golpe crítico, o Pokémon luminoso foi nocauteado. O pescador recolhera seu Pokémon, pasmado. Wes também estava meio perplexo, aquilo nem dera para aquecer.

   — Caramba, você é bom! Já pensou em competir na Liga?

   — Não. – ele dissera, ligeiramente aborrecido.

   — Pois devia.

   Bem, Wes nunca deixara de acompanhar as finais de Unova, sempre se perguntava por que Orre não tinha uma. Se pudesse entrar, mesmo sendo de fora…

   — Caramba, você viu isso, Terry?

   O garoto de boné azul só acenou com a cabeça, pasmado com a velocidade da batalha.

   — É, pelo visto a concorrência vai ser alta para você...

   O pai do garoto constatara, um homem alto de cabelo crespo. Outras pessoas comentavam o resultado da batalha.

   — Essa foi rápida.

   — Não fique chateado, Gideon, foi uma batalha eletrizante!

   Uma das pessoas ao redor exclamara, tentando animar o treinador que fora derrotado. Provavelmente era um colega ou algo assim. Talvez pudesse ser outro desafiante.

   — Também batalha, senhor…?

   — Colin. Não, no momento não… Estou só curtindo a viagem.

   Wes reconhecera os nomes, mas não comentara nada, até porque estava sem os Pokémon em mãos. E mais gente se aproximara, um marinheiro impressionado com a habilidade do jovem.

   — Ha! O que acha de uma batalha de verdade, jovem? Nada melhor do que uma batalha quando se está de folga!

   Wes achara, que por ele ser da tripulação e viver em alto-mar, seria mais forte. Mas a despeito disso, seu Espeon vencera facilmente o Raticate dele, com apenas um psíquico {Psychic}.

   — Minha nossa, seus Pokémon são muito bons. Foram muito bem treinados. Qual é o seu segredo? – Jeff o parabenizara, pedindo algumas dicas.

   — A prática leva à perfeição.

   Ele dissera, displicente, se retirando dali, já estava chamando muita atenção. Por sorte, havia uma máquina do Sistema de Armazenamento Pokémon no navio, poderia retirar os Pokémon de sua conta e devolvê-los mais tarde. A questão era como fazer isso. Não pensara em nenhuma desculpa ou justificativa para tal, não estava a fim de ficar cara a cara com aquelas pessoas, não estava a fim de ouvir acusações… Talvez devolvesse os Pokémon à noite, Ester e Bree poderiam lhe ajudar…

   Distraído com seus pensamentos, o jovem nem notara o apito fraquinho de seu VS Seeker, nem notara quem vinha pelo saguão, dando um encontrão numa pessoa que ali passava.

   — Ei! Olha por onde anda!

   — Desculpe. – ele respondera, sem muito entusiasmo.

   — Ah, você quer batalhar? – ele notara o ruído do aparelho — Não tem nada para fazer, né? Mesmo estando em alto-mar, não dá para pescar! Isso é chato!

   — É.

   Wes nunca pescara na vida e o que sabia a respeito não o empolgava a fazê-lo. Mas tinha que concordar que a viagem estava mesmo monótona.

   — Gostei de você, meu caro! Qual é o seu nome?

   — Wes. E você é…?

   — Jonah.

   O dono do Gui…

   Bem, ao menos ele parece ser uma boa pessoa.

   — Que tal uma batalha? Vamos para arena, vai ser melhor lá.

   — Certo.

   Wes seguira Jonah até a arena delimitada no saibro, que ficava a bombordo, no final da popa. Felizmente estava vazia, não tinha ninguém usando.

   — O que acha de uma batalha em dupla?

   — Sem problemas.

   — Certo. Eu escolho... Cloyster e Octillery!

   Após um breve momento de indecisão, Wes escolhera…

   — Hm. Sua vez! Gui, Flynn!

   Decidira mandar Gui para sua última batalha com ele. E Flynn, já que formavam uma boa dupla. Wes ficara de olho na reação do aquático. Estranhamente, ele parecia um tanto taciturno, sem aquele sorriso bobo no rosto. Mas seu oponente não perdera tempo em detalhes, atacara logo de cara.

   — Rajada de Sementes {Bullet Seed}! Lanças de gelo! {Icicle Spear}

   — Desviem!


   Diante da falta de reação do Quagsire, o dragão pensara rápido e o carregara. Voara evitando a rajada de sementes e se esquivando como podia das estacas de gelo, mas duas delas lhe atingiram. O dano, mesmo super-efetivo, não fora capaz de deter seu voo, nem a retaliação de Wes.

   — Asas de aço {Steel Wing}! Pancada! {Slam}

   Num retorno abrupto, o Flygon investira com suas asas rígidas, brilhando como aço, bem na concha do Cloyster. O movimento brusco fizera o Quagsire cair em cima do Octillery, a gravidade aumentara a força do golpe, e somada à fragilidade do polvo, o noucatera. Mas Jonah logo revidara, sem deixar se abalar só por ter um Pokémon em campo.


   — Raio aurora! {Aurora Beam}

   — Terremoto, magnitude 4! {Earthquake}

   O chão balançara, fazendo o Cloyster tremer, seu golpe também, o Flygon levantara voo, se safando por pouco, graças ao leve desvio da trajetória da onda de frio colorido.

   — Agora! Sopro do dragão! {Dragon Breath}

   Flynn fora com tudo em direção ao aquático, lançado uma rajada de seu hálito feroz, quase como fogo. Junto com os danos do terremoto, nocautera o Cloyster.

   — Muito bem!.

   Wes os parabenizara, e Jonah fizera o mesmo, o elogiara após a batalha, após recolher seu aquático. Era um dos seus melhores Pokémon, o que significava que os do desafiante eram igualmente bons.

   — Nossa! Seus Pokémon são fortes!

   — Os seus também.

   — Procuro escolher os melhores quando vou pescar.

   — Os melhores, hmn… Quais foram suas capturas até agora?

   — Shellder, Cloyster, Remoraid e Octillery. Já peguei outros Pokémon também, Magikarp, Poliwag, Goldeen, mas os soltei em seguida. Já tive um que foi roubado, mas os ladrões se deram mal. Era só um Wooperzinho. Não gosto de peixe pequeno, eu ia soltar ele mesmo.

   — Hmn, entendo. Até mais ver, Jonah.

   O jovem recolhera seus Pokémon e se retirara dali, numa frieza que rivalizara a do raio aurora. Jonah se perguntava o que houve com o rapaz, antes estava tão cordial… E olha que fora ele que perdera!

 
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   Wes só queria sair dali, fora direto para sua cabine, certificando de deixar a porta trancada. Por fora, aparentava frieza, mas por dentro, fervia de raiva. Por que desprezar alguém só por seu tamanho?!!! Ele se decidira, não importava os elogios que ouvira de Jonah, ele não ia devolver seu Quagsire. Nem. a. pá.

   Ele se lembrara da falta de reação do aquático, da ausência do seu sorriso… fora tão tolo… e pensar que achara que Gui iria reconhecer seu treinador, que ficaria feliz com isso…

   — Gui…

   Ele liberara o Pokémon, que estranhara um pouco o lugar onde estava. Era quase como se estranhasse o fato de ainda estar ali…


   — Sinto muito… Eu achei que seria melhor que você ficasse com ele, mas… não é. Você não quer voltar, certo? – O Pokémon ficara calado, ainda chateado. — Ele é um babaca, desprezando alguém só por ser pequeno… Na Snagem também foi assim, todo mundo achava que eu só ia dar trabalho, só porque eu era menor… Não liga para eles, Gui. Não liga para eles.

   Ele colocara a mão na cabeça do peixe, o consolando, como se tentasse dizer, por aquele gesto, para tirar aquilo da mente. O Espeon e o Umbreon murmuraram em concordância, e Gui entendera o que Wes queria dizer, esboçando um leve sorriso.

   — *Kururu*.

   — Pior viagem de todas, não é? Não fique assim para baixo, vamos lá pro restaurante, talvez eu ache algo legal para vocês.

 
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   O bufê o deixara enjoado, não por conta da comida, mas pela quantidade. Mesmo levando em conta a tripulação e os passageiros, era muito. Mas ao menos achara algo interessante, um doce típico de Johto que, apesar de ligeiramente ácido, era bem gostoso. Depois do almoço, levando uma caixa deles, Wes voltara a sua cabine, ouvindo alguns dos romances policiais que tinha salvo no PDA. Gui, Flynn e Tyra a princípio estranharam a voz que parecia sair do nada, mas logo se acostumaram com a narrativa. Estava já no segundo capítulo quando seu Umbreon mexera no aparelho, olhando insistentemente para ele.

   Sorrindo, Wes pegou o PDA e desligou o áudio, narrando ele mesmo a história. De vez em quando ele fazia pequenas pausas, sua voz não passava de um sussurro, só falando mais alto quando saía da parte da descrição e fazia os diálogos. A noite viera e ele mal notara, quase perdera o jantar.

   Wes observara o movimento, se o navio estava assim àquela hora, mais algum tempo e seria o momento ideal para devolver os Pokémon. Mas não naquele dia. Seria melhor usar o intervalo depois do jantar para checar o terreno, antes de agir.

 
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   O restante dos dias em alto-mar não foram um desperdício total. Batalhara com mais alguns treinadores, especialmente da tripulação, e traçara a melhor rota de viagem para quando chegasse a Johto, passando por todos os endereços indicados sem ficar rodeando muito. O problema era, só porque tinha o endereço, não queria dizer que encontraria a pessoa lá. Mas ao menos ia tentar. Pensara em algumas desculpas que poderia usar, o que justificaria sua atitude.

   Atitude que ele mesmo se questionava. Poderia deixar tudo aquilo à cargo da polícia, porém... nada lhe garantiria que aqueles Pokémon fossem mesmo devolvidos. A polícia de Orre não era tão idônea como deveria, e mesmos os agentes mais honestos e dedicados enfrentavam problemas com o alto escalão, com as políticas, com a burocracia. A própria legislação era leniente com determinados crimes envolvendo Pokémon, era bem capaz daquele processo se arrastar por meses, com os Pokémon sendo cedidos para o Monte Batalha.

   Francamente, se o contrário lhe ocorresse, não saberia o que fazer. Provavelmente iria pegar seus Pokémon de volta, à força se necessário. Sempre valorizara o elo entre Pokémon e treinador, tanto é que nunca raptara um Pokémon de seu proprietário, focava somente nos alugados. Mas e se o treinador nem se importasse com a perda? Ou pior, se tivesse cedido voluntariamente seu Pokémon à Cipher?

   Nesse caso... não iria devolver. Ao menos, não por vontade própria.

SAVING…
 

  • Imagens: screenshot do anime, autoria própria (com base em screenshot do anime)
  • Wes especificou uma variante mais fraca do terremoto para evitar danos ao patrimônio alheio (ou não derrubar o barco)
  • Para ler os demais saves: clique aqui!



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