Fanfic Capítulo 05: Ex-companheiros

Wes deveria dar mais uma chance a seus ex-companheiros, seu ex-chefe? No meio de tantos sentimentos conflitantes, qual deles irá falar mais alto? A revolta ou o reconhecimento?


Capítulo 05 (Ex-companheiros)

   Tinha que admitir que estava um tanto assustado, impressionado, com o tamanho da perícia de Nett. Em três dias ele retornara com a lista dos IDs, além disso, ele pedira uma ajudinha de Sherles, que cruzou a lista de ID com a que tinha acesso no banco de dados. Sendo parte do registro civil, era possível obter nome e endereço dos treinadores por aquele número.

   De fato, tudo girava em torno do ID. Registro civil, registro de Pokémon, conta bancária*, tudo. Por sorte, fizera o seu cedo, já que não poderia andar por aí com seus Eevees sem registro. O crédito que ganhara em batalhas de rua o ajudara a se sustentar, mas agora, depois de vencer todos os coliseus, fora o circuito do Monte Batalha, sua situação financeira estava bem confortável. O que era uma sorte, já que boa parte dos IDs ali era estrangeira. Se quisesse mesmo devolver todos aqueles Pokémon, era melhor tratar de comprar as passagens para Johto.

   — Caramba, Nett, eu… eu nem sei o que dizer. Muito obrigado.

   Ele agradecera, sem muito jeito, mas com sinceridade.

   — Que isso. Eu sei o quanto isso é importante. Você não pediria essa lista se não tivesse uma ideia em mente… eu resolvi ajudar também. Eu, Sherles, Duking… é nosso desejo fazer com que esses Pokémon voltem aos seus treinadores e tenham uma vida normal.
 

   — Sim. É meu desejo também.

   — Tenho mais uma coisa para você. É um VS Seeker. – Nett lhe passou o aparelho triangular, com a tinta azul um pouquinho descascada. — É meio usado, pertenceu ao Duking. Eu o alterei para apitar quando um desses IDs tiver por perto.

   Aquela informação surpreendeu Wes. Desmontar, alterar e remontar uma estrutura era fácil, mas reverter o padrão de funcionamento era outra coisa.

   — Caraca, você já pensou em trabalhar na Silph Co.? Ou na Corporação Devon?

   — Bem… já… Todo mundo diz que eu tenho potencial.

   — E não é à toa. – ele comentara, impressionado com as habilidades do garoto.
 
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   Ele estava girando o VS Seeker em sua mão, fora até o coliseu só para trocar um Pokémon por outro da sua conta. Na verdade, da mesma forma que ganhara o aparelho, ele tinha que devolver algo a Duking. Wes bateu na porta, torcendo para que aquilo não fosse muito complicado.

   — Entra!

   A casa de Duking, como todas as demais ali, era revestida por metal, mas os tapetes amarelo-avermelhados e as estantes forradas de livros davam um toque acolhedor à sala de estar.

   — Wes? Mas que surpresa! – Marcia comentara, e Duking logo fora até ele, o jovem os cumprimentara.

   — Como vai?

   — Bem. E bem ocupado por conta do incidente do Subterrâneo. Dois coliseus num lugar só? Não, aí é passar dos limites. Mas e você?

   — Vou bem. Agradeço por ter disponibilizado seu VS Seeker. E também… o seu Plusle. Eu… gostaria de devolvê-lo.

   — Por quê? Ele não foi útil? – o chefe estranhara, enquanto o Plusle saltava animado pela sala, após ser solto da Pokébola.

   — Claro que foi. Ainda mais para paralisar um Pokémon antes da captura. Mas… sei que ele sente falta de casa.

   À noite, ele sempre ficava olhando a janela, apesar de interagir com os demais Pokémon, parecia que ele buscava mais alguém na multidão…

   — Dá pra perceber o quanto ele é um Pokémon querido. E eu vou passar um tempo longe daqui, então… acho melhor ele ficar com quem cuide dele. Com quem ele sempre teve cuidado.

   Ele indicara o Pokémon elétrico abraçado à perna dele.

   — Hm. Entendo. Wes, mesmo que você vá pra Johto e coisa e tal, não se esqueça de passar por aqui de vez em quando. Porque ele também vai sentir sua falta.

   — Dos males o menor, não? Mas leve ele para batalhar de vez em quando. – o jovem ressalvara. — Esse Plusle pode parecer pequeno, mas sabe causar estrago.

   — Owww, quem diria o queridinho do papai sabe como botar para quebrar? – Duking dissera enquanto pegava o Plusle do chão.
 

   Diante da cena, o jovem vira sua deixa para sair de fininho, e estava quase na porta quando foi impedido por uma enorme mão em seu ombro.

   — Por que não almoça conosco?

   Wes soltara um suspiro imperceptível, não tinha pensado nesse tipo de imprevisto. Seria muita grosseria recusar, fora que ele não iria se indispor contra o “prefeito” de Pirite. O jeito era forçar um sorriso amarelo para aceitar o convite, e simplesmente se conformar em ter a tarde perdida, enquanto era conduzido para o interior da residência.
 
   ###
 
   Só de noite, no hotel, que pôde analisar a lista que recebera de Nett. Alguns IDs logo chamaram a atenção. Boa parte deles era estrangeira. Sim, tinha uns alugados, mas e o resto? Além disso… Absol, Entei, Flygon, Forretress, Houndoom, Raikou, Smeargle, Skarmory, Suicune, Tyranitar e Ursaring… não tinham ID. Ou eles eram selvagens, ou… eram ilegais, sendo capturados por treinadores não registrados.

   Até teria a possibilidade mínima (mínima) deles serem da própria Cipher ou da Snagem, mas Wes não se lembrava de ninguém em sua antiga gangue que tivesse um daqueles Pokémon. Exceto por três deles.

 
   SE PREFERIR, a partir daqui, leia ouvindo essa música (CLIQUE AQUI)
 

   O Ursaring estava com Agrev desde que este era um pequeno Teddiursa, que aguentara várias piadinhas até evoluir. Biden capturara aquele Smeargle, junto com outros três, por pura pirraça, já que eles picharam toda a garagem. Ninguém tinha ideia de como aqueles Pokémon foram parar por ali, talvez foram extraviados do Monte Batalha e vagaram até encontrar o esconderijo secreto.

   E a Skarmory era mesmo de Gonzap. Se lhe oferecem um cargo da equipe, seria o braço direito do chefe, volta e meia ele mandava a ave metálica para ficar de olho em seus subordinados, intervindo quando houvesse problema. Inclusive ela salvara sua pele uma vez.

   Sabendo disso, era melhor devolver os Pokémon a eles, ou ao seu habitat selvagem? Devia dar mais uma chance a seus antigos colegas, ao seu ex-chefe? Sentimentos conflitantes dominavam o jovem. Indignação e gratidão. Eles o acolheram, o ensinaram a sobreviver, lhe deram um teto. Eles o usaram, o enganaram, se aliaram a Cipher, deixaram inclusive seus Pokémon nas mãos deles. Eles mereciam mesmo uma segunda chance?

   Aquela altura da noite, tamanha contradição beirava o insuportável. Wes resolvera dar uma saída de moto, suas duas Eeveelutions no carro lateral. Talvez algumas horas rodando sem rumo o ajudassem a esvaziar a cabeça. O deserto frio e inóspito passava uma sensação de vazio e solitude, a sombra do vulcão o lembrava de que havia forças maiores do que ele. Sem se atentar para onde ia, ele deixara que uma delas o guiasse. Seguindo reto por aquelas dunas, pela força do inconsciente, acabara parando justamente perto dos cânions Eclogito.


   Já que estava por ali, por que não tomar logo uma decisão? Na frente do forte, junto de seus Pokémon, ele se lembrara dos momentos que ali passara, de como viera parar ali. Por uma questão de sobrevivência. Apenas por isso. Por hora, ele relevara seus sentimentos de traição, entrando silenciosamente no esconderijo, Bree e Ester em seus calcanhares.

   Mal taparam os buracos deixados pela explosão, por dentro, o lugar continuava uma bagunça. O que sobrara dos modelos maiores das Máquinas Furtivas estava esparramado no chão, junto com um dispenser de bebidas tombado e muitas latinhas vazias. Não encontrara nenhum tipo de alarme ou patrulha ali. Céus, eles não aprenderam nada? A única medida de segurança consistia no próprio layout do prédio, construído em sua maioria por contêineres vazios. Várias escadas e cômodos sem ligação formavam um labirinto, era fácil se perder ali.

   Mas como conhecia o local, Wes sabia que caminho tomar. O lugar estava deserto, dava para ouvir os roncos altos de seu ex-chefe quando subira a escada. Ele pegara os Pokémon na máquina ali embaixo, e deixara as Pokébolas em cima da mesa, mas também deixara uma mensagem, escrevendo num papel ali perto.

   “Estou devolvendo quem pertence a vocês. Não me façam pegá-los de novo. A Snagem é melhor do que isso. Melhor do que a Cipher.”

   Esperava, de coração, que seus ex-colegas seguissem aquele conselho. A Snagem poderia ser melhor do que a Cipher. Não precisava deixar os Pokémon daquele jeito. Não precisava roubar os dos outros. Eles já tinham os seus. Bem, com a Cipher falida, com o esconderijo em pedaços e sem as Máquinas Furtivas (as grandes ele destruíra, e até mesmo a sua já era, não deu para remontar), eles teriam que encontrar um novo rumo.

 
SAVING…
 
  • Imagens: xxxsak-hi.deviantart.com, screenshot do jogo
  • Matérias relacionadas: Pokémon disponíveis - Colosseum
  • Eclo Canyon = Caniôn Eclogito (pelo nome da rocha e também por soar como “escondido”).
  • Aqui, o ID é o número mais importante na vida de um treinador e até mesmo das pessoas comuns. Seria como uma junção do número do RG, CPF e CEP. Em relação à conta bancária, como é que você ganha dinheiro ao derrotar treinadores? Na minha teoria, aparelhos como Pokétch (Wes tinha um antes de ter seu PDA), Pokégear, PokéNav, Xtransceiver, PDAs, celulares, tablets e similares atuam como leitores de ID, identificando outros treinadores com quem batalhar. Como também identificam o ID do Pokémon e suas condições, quando todos eles desmaiam, é transferida determinada quantia ao vencedor. O Trainer Card seria tanto como RG quanto como um cartão de débito.
  •  Bem, porque Nett foi tão rápido para recuperar esses dados e demorou dias (ou semanas) para recuperar os do CD? Bem, lembrem-se que quem apagou o disco foi Ein, ele também é um gênio e não iria deixar rastros.

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