[POKÉ FÁBULAS 1/5] Franklin e Steiner



Se lembram de um concurso de histórias feito há muito tempo na página da Pokémon Blast News? Pois é, o prêmio do vencedor seria publicar aqui no site alguns contos pequenos e eis que o primeiro ganhador do concurso finalizou seu primeiro trabalho para o projeto! 

A série será de 5 contos independentes, chamados pelo autor (Deividi Chuffi Chaves) de "Poké Fábulas". Fique com a nota do autor sobre o conto 1/5! 

"Franklin e Steiner, como vocês logo irão perceber, faz alusão a tão famosa criatura da literatura, "Frankenstein", descrita no livro de Mary Shelley. Contudo, as coisas não se darão exatamente da mesma forma..."

Franklin e Steiner

Combinados, tamanha eletricidade fez o impossível se tornar possível. Ele viu sua própria vida passar como uma sucessão de flashes diante de seus olhos…

        Franklin fora um menino que não atendia as expectativas de sua família, simples assim.
Ele nasceu e foi criado numa fazenda entre as cidades de Olivine e Ecruteak e sua família sobrevivia da venda de lãs de Mareeps, as quais criavam, e aposto que só de falar em fazenda, vocês já imaginaram Franklin com um chapéu de palha, correndo por aí descalço e com um macacão surrado de tanto subir em árvores para pegar frutas, não é mesmo? Pois erraram, o menino tinha uma condição genética rara, chamada Albinismo, e devido a isso, não podia se expor livremente ao sol sem sofrer frequentes queimaduras. O albinismo também lhe fez nascer não apenas com a pele muito branca, mas também com os cabelos nesse tom, sem contar seus olhos, que pareciam rosados.
Os cuidados que ele deveria tomar e a peculiaridade de sua aparência, tornaram Franklin uma peça destoante naquele cenário, ele não fazia e também não queria fazer parte daquele quadro campestre. Seu passatempo, já que não podia brincar muito a céu aberto, passaria a ser então a leitura, a escrita e o desenho. E é verdade que ali havia pouquíssima literatura disponível, mas o que havia era rapidamente “devorado”, memorizado e reproduzido por meio de suas anotações e gravuras.
Dessa forma, tudo transcorria monotonamente, até que em certa noite chuvosa e relampejante, algo mudaria para sempre sua vida. No aprisco, uma Mareep que há muito era desacreditada para ter filhotes, dava à luz um rebento que tal como Franklin, era bastante peculiar. A cor de seu pelo não era amarela, como de costume nos de sua espécie, mas sim de um lilás, como aquele encontrado nos algodões-doces. Não, Franklin nunca tinha provado um, mas já havia visto uma criança com um em mãos e isso lhe fazia sonhar… Sua mente começaria a se abrir para diversas possibilidades, aquilo era só o começo.
Logo, ele e a Mareep de cor diferente, o qual batizou de Steiner, se tornariam grandes amigos e os projetos de Franklin que antes só existiam em papel, passariam a ter vida após a chegada do Pokemon, pois este lhe ajudava com a criação e manutenção de toda sorte de objetos que funcionavam a base de eletricidade. As notícias a respeito disso logo corriam por Johto afora, rapidamente, pessoas de várias localidades vinham até a propriedade da família a fim de fotografar e/ou filmar a ele e seu parceiro, “vendendo a ideia” de que ele era uma criança gênio.
Franklin e Steiner não gostavam daquilo, eles queriam viver um para o outro e também, para suas criações. Sendo assim, já na adolescência, ambos decidiram partir em uma jornada, com o objetivo de encontrar um lugar que fosse de e para eles. 
Com um veículo que construíra movido a energia de Steiner, o jovem prodígio passou por muitos continentes, cresceu, virou um homem e seu Pokemon também, evoluiu até o último estágio. Usava agora um longo chapéu e sobre-tudo negro, o que se por um lado conferia proteção ao sol, por outro destacava ainda mais a palidez de sua pele… Enquanto Steiner, já não tinha um pelo volumoso lhe cobrindo o corpo, todavia, passou a ter uma longa cauda e uma bela esfera brilhante no alto da fronte, de um profundo tom azul. Com suas invenções e consertos, ganhava dinheiro para se manter, até que finalmente encontrou seu lar doce lar na região de Sinnoh, numa rota próxima ao vilarejo Celestic, na qual a neblina era constante e os treinadores que por ali passavam, geralmente poucos. Ou seja, um local perfeito para que ele e seu parceiro Pokemon não fossem mais perturbados.
E assim foi por um tempo proveitoso, porém, não durou muito… Eles haviam fixado residência numa torre negra, na rota já citada, e aquele monumento estranho começou a chamar muita atenção, afinal, eles estavam próximos de um dos primeiros vilarejos de Sinnoh, lá viviam poucos e conservadores moradores e, há não muito tempo, eles passaram por um período difícil devido as atividades da equipe Galact, portanto, os  fatores se somaram para formar uma perfeita paranoia e, em breve, a paz de Franklin e Steiner seriam tiradas.
Nenhum dos dois jamais se esqueceria daquele trágico acontecimento. Com gritos raivosos e bastões nas mãos, os moradores do vilarejo haviam se reunido em frente a torre em que os protagonistas residiam. Eles estavam completamente irracionais, de nada adiantava tentar explicar os fatos e bradar que eles não pertenciam a nenhuma equipe maligna e que apenas queriam viver ali, da forma mais pacífica possível. E embora Franklin e seu Pokemon se escorassem contra porta que já estava reforçada, os moradores faziam cada vez mais força para empurrá-la. Não tardou até que ela fosse violentamente derrubada e o parceiro de Steiner, pisoteado por aquele povo, mas antes que algo assim também acontecesse ao pobre Pokemon, um estrondoso rugido se fez ouvir por todos! A própria campeã da liga, Cynthia, que por acaso estava voltando para sua aldeia natal, havia chegado bem no momento que o pior poderia acontecer e, vendo a ela e seu inseparável Garchomp, os moradores cessaram imediatamente o que estavam prestes a fazer e se dissiparam.


        Já era um tanto tarde contudo, pois Franklin não resistira aos ferimentos que lhe foram infligidos e Steiner, no momento, se encontrava órfão e também, inconsolável… Cynthia, num gesto de quase simbiótica compreensão, abaixou – se sob o Pokemon que chorava ao lado do dono, e com um olhar fundo e carinhoso, lhe disse em silêncio tudo que jamais poderia ser falado, lhe deu as costas e partiu.
Steiner não mais chorava, havia se erguido e caminhava carregando Franklin em seus braços. Parecia calmo e decidido a fazer algo. Sim, ele tentaria trazer seu amigo de volta a vida, não... Ele conseguiria. Chegando ao alto da torre negra, num aposento sem telhado ou teto, dispôs e amarrou o falecido numa maca, fechou os olhos e com alguns movimentos, invocou uma forte chuva que rapidamente se transformou numa tempestade. O próximo passo era atrair um raio e o fez com sua cauda de ferro, por fim, quando um estava prestes a atingir Franklin, usou também seus poderes elétricos para o fazê-lo.
Combinados, tamanha eletricidade fez o impossível se tornar possível. Ele viu sua própria vida passar como uma sucessão de flashes diante de seus olhos... Agora ele estava acordado e mais que pronto para duas coisas: se vingar e trazer para si, a mulher que havia salvo seu Pokemon!

CHAVES, Deividi Chuffi

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Comentário do autor sobre a série

"Todos sabemos o que é uma fábula. São histórias mais longas ou curtas, nas quais animais, além de serem o foco daquilo que é contado, também interagem como humanos e geralmente, existe uma moral ao fim da narrativa. Nessa série de contos que se inicia, os Pokémons desempenham papéis decisivos no enredo, porém, a moral não é tão simples de ser identificada... Haverá pontas soltas, perguntas não respondidas e por vezes, talvez uma falta de sentido imediato".

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