Fanfic Capítulo 04: Uma ajudinha

   Wes terá que engolir seu orgulho e pedir auxílio para quem sabe mais do que ele. E Rui precisará tomar suas próprias decisões ao enfrentar o circuito do Monte Batalha. Quão bem eles irão sair um sem o outro?
   

Capítulo 04 (Uma ajudinha)

   Na manhã seguinte, como prometera, Wes levara Rui até o Monte Batalha. Até mesmo ele tinha que admitir que o local não fora lá uma boa escolha para se construir um complexo de batalha. Afinal, o Monte Batalha era um vulcão semiadormecido, e as plataformas suspensas que ligavam a base até o topo eram um pesadelo para quem tinha medo de altura, podendo até mesmo desencadear crises de acrofobia nos mais fracos, fora as tonturas provocadas pela altitude e pelo calor emanado do magma.
    

   Contudo, a entrada tinha um belo jardim, com arbustos meticulosamente podados, ladeando o caminho até o prédio em sua base. Aquele edifício de concreto servia como saguão de recepção para os interessados em aceitar o desafio de chegar até o topo. No seu interior, o piso de mármore contrastava com as espessas paredes de metal, revelando o uso como um bunker no passado. Ao entrarem, os dois foram calorosamente recebidos pela recepcionista do balcão principal. Afinal, Wes e Rui ajudaram a conter a invasão da Cipher, expulsando a organização de lá.
    

   — Em que poderia ajudar, senhor Wes? Gostaria de trocar mais cupons?

   O treinador fora um dos poucos que conseguira completar todo o circuito do vulcão, ganhando crédito suficiente para levar qualquer item no balcão de trocas. Mas não viera até ali por isso.

   — Obrigado pela oferta. Mas na verdade, não sou eu que gostaria de batalhar, e sim Rui. No circuito de empréstimo.

   A recepcionista parecia um tanto surpresa com a informação, até estranhara o fato.

   — Tem certeza de que isso é uma boa ideia? Afinal…

   — Vai ser uma boa forma de ganhar experiência. – Rui colocara, confiante. — Não pode ser assim tão difícil. Não vou saber se não tentar, não é?

   — Certo. Vai levar algum acompanhante? – a loura de azul perguntara, seu Abra balançando a cauda lá trás.
   — Hmnnn… não sei. Acho que irei aprender mais se for sozinha.

   — Certo. A gente aprende com os erros. – ele comentara, se lembrando de quando começara, em que o único a lhe ensinar fora sua própria experiência. — Posso te dar uma dica antes de começar. O segredo do circuito de empréstimo consiste em escolher uma boa equipe. Uma equipe mista.

   — Equipe mista? Então temos o time certo para você! Pichu, Baltoy, Lotad, Snubbull, Ledyba e Marill! O que acha?

   — Parece… bom. – ela disse, incerta, não tinha o menor conhecimento para opinar.

   — Não precisa ter dois Pokémon aquáticos. – Wes colocara. — Teria outro time mais variado?

   — Para quem está começando, temos também Beldum, Machop, Electrike, Horsea, Snorunt e Numel.

   — Esse é melhor.

   — Haaaãã… bem… quanto tempo demora?

   — Não temos limite de tempo para as batalhas, são seis treinadores no circuito.

   — Seis… Wes, quanto tempo você acha que eu levo?

   Quer que eu seja sincero?

   — Meia hora para cada.

   — Queeeeê?!!

   — Seus oponentes também terão uma equipe de seis Pokémon.

   — Oh…

   — Acostume-se.

   — Não sabia que poderia ser assim tão demorado. Você vai ficar esse tempo todo esperando?

   — Se você quiser… Mas também posso ir a Pirite, eu trago o almoço.

   — Pode ser. – ela disse, com um sorriso.

   — Até. Boa sorte.

   Ele se despedira, indo em direção à saída do prédio, depois que Rui passara pela cancela, indo para a entrada da arena. Bem, Pirite podia ter uma série de defeitos (uma longa série de defeitos), mas sua culinária era de longe a melhor de Orre. Mas havia uma outra razão para Wes ir até lá. Se Nett conseguira recuperar as informações de um disco apagado, será que ele conseguiria recuperar os IDs dos Pokémon roubados pela Máquina Furtiva?

   Só havia um modo de descobrir. Ele montara na moto, levaria uma hora ou mais, dependendo das condições meteorológicas, para chegar lá. O tempo estava bom, no entanto. O único vento que sentia na pele era o causado pelo deslocamento da moto, que levantava a parte de trás do sobretudo de brim azul.

   Desta vez ele decidira deixar a moto perto das minas que cercavam a cidade, indo por um atalho até chegar perto da casa de Duking. Wes cruzara as ruas da cidade, passando pela Praça do Duelo sem que ninguém o desafiasse, afinal, sempre vencera. Era considerado tabu por ali recusar uma batalha, um sinal de fraqueza, mas isso não queria dizer que as pessoas lutavam contra quem quer que aparecesse na frente. Ninguém ali gostava de perder.

   O jovem fora em direção a um prédio aparentemente abandonado, mas cujo elevador era a única forma de acesso ao Subterrâneo. Ao invés de ficar indo e vindo das minas da região, os trabalhadores ficavam naquela cidade artificial, revestida e sustentada por placas de aço. O que certamente lhe parecia imprudente e arriscado. Na opinião de Wes, era um lugar depressivo, os poucos raios de sol que ali chegavam vinham do abismo em que a cidade estava. Muitos negócios que seriam malvistos à luz do dia eram feitos por ali.

   Wes recebera olhares mal-encarados de alguns habitantes, muitos eram a favor da Cipher, que movimentara o Subterrâneo quando as minas foram fechadas. Mas ninguém dissera nada. Seu cenho fechado e seus olhos amarelos penetrantes forçavam as pessoas a manterem distância. Apesar de não gostar do local, e nem simpatizar muito com seus habitantes, havia um lugar ali que valia a pena visitar.


   Na porção ocidental da cidade, ao lado de uma enorme antena parabólica, ficava a sede do Kids Grid. O que parecia ser só um armazém de tralhas eletrônicas na verdade era um esconderijo secreto muito bem aproveitado. Ao descer as as escadas, ele notara que a porta no final do corredor estava aberta, o que indicava que havia ao menos uma pessoa por ali.

   — Olá, Wes, há quanto tempo! – a garotinha morena do Shroomish o cumprimentara, mas ele apenas peguntara, lacônico.

   — Oi, Megg. O Nett se encontra?

   — Sim, ele está no laboratório, nerd do jeito que é. – um outro garoto que estava ali comentara.

   — Bitt!!!!


   O “laboratório” era uma sala que tinha vários processadores, um pouco defasados mas ainda operantes. Também tinha um computador de mesa mais avançado, pertencente à Nett. O garoto de cabelo de cuia era um gênio da informática, responsável por toda a comunicação do grupo.

   — Olá, Wes. Alguma novidade?

   — Não. E vocês, souberam de alguma coisa?

   — Não, nada ainda. A OBS chegou a publicar um pedido de desculpas, mas foi por escrito, no site. Duvido que mais alguém vai ver.

   A OBS (Rede Nacional de Orre) fazia parte do conglomerado de comunicações da região. Fizera pouco caso dos planos da Cipher mas um grande estardalhaço a respeito de seu impostor. Wes só poderia supor que a rede estava na folha de pagamento do ex-prefeito de Fenaq.

   — Foi uma grande injustiça que fizeram com você. As pessoas deveriam saber da verdade, deveriam ter um meio mais imparcial.

   Só conseguiram localizar o impostor porque a repórter transmitira a localização ao vivo. Para ser justo, Ancha também filmara a luta contra ele, inclusive gravara quando Wes o desmascarara. Porém, foi só isso. Nenhuma reprise, nenhuma tentativa de correção, nada.

   — Bem, acho que você não veio até aqui só por isso. Precisa de ajuda em outra coisa?

   Nett comentara, já sabia como era personalidade de Wes. Ele não pedia ajuda, a menos que realmente precisasse de alguém, o que fazia a muito contragosto.

   — Sim. Preciso sim. Você conseguiu recuperar os dados daquele disco. Será que conseguiria recuperar os dados da Máquina Furtiva? Mesmo que tivesse que desmontá-la?

   — Talvez. Vai ser bem mais difícil, não haveria uma interface direta. Mas, Wes, eu não sei como ela foi montada, como ela funciona. Se eu desmontar, talvez não dê mais para usar.

   — Tanto faz. Essa parte do trabalho já foi feita.

   Pelos dados do CD de Ein, conseguira capturar todos os Pokémon Sombrios. Logo, não tinha mais necessidade da tal máquina.

   E é um saco ficar usando-a o tempo todo. Eu ia detoná-la mesmo. Mas…

   — Mas eu gostaria de saber de quem são os Pokémon que eu peguei, de quem eles foram roubados. Se dá para capturar um Pokémon como se fosse selvagem, então ela deve apagar ou anular o ID.

   Wes comentara, casualmente, como se nem fizesse ideia do funcionamento da máquina.

   — Creio que seja a segunda opção. Seria… plausível que a máquina lesse o sinal e o replicasse.

   Sim, eu também pensei nisso. Seria muito mais fácil anular do que apagar, a estrutura usada poderia ser bem menor. Eu sei que de alguma forma o ID é sobrescrito após a captura. Resta saber se dá para recuperar o original.

   — Pode deixar, assim que eu terminar de pegar os dados, eu mando um e-mail para você.

   — Obrigado.


   ###
   
   O jovem se despedira de Nett e Megg, saindo do Subterrâneo. Tendo pegado o almoço numa birosca ali perto, Wes resolvera voltar para o Monte Batalha. Pelas suas estimativas, estaria atrasado, mas, ao chegar lá, descobriu que Rui ainda batalhava contra o último treinador do circuito. Koffing versus Beldum. Pelo que via no telão, ao menos ela estava tentando por em prática a tabela de tipos. Mas o Beldum só tinha golpe baixo {Take Down}, e estava cansado. O treinador do Koffing por sua vez, usara o vínculo do destino {Destiny Bond} sem nenhuma necessidade. A batalha dera em empate, o último golpe do metálico noucatera o venenoso mas também causara dano pelo recuo {recoil}.

   Tudo bem que era o circuito mais fácil, mas os golpes dos Pokémon poderiam ser melhores*. Ambos os treinadores se cumprimentaram e saíram da arena, minutos depois, Rui saía pela cancela.

   — Como foi?

   — Péssimo. Quatro derrotas, dois empates e só uma vitória. – ela comentara, amuada, fazendo biquinho.

   — Não fique tão chateada, lembre-se que a prática leva a perfeição. Ao menos você ganhou experiência.

   Wes ponderara, e os dois voltaram à entrada, indo pelo jardim. Demonstrando um pouco mais de consideração do que o esperado, o jovem estacionara a moto fora da grama. Com cuidado, Rui retirara o empadão e a bolsa dele, se acomodando no carro lateral, enquanto o jovem retirara a trava e montava na moto.

   — Então, vamos para Fenaq?

   — Fenaq? – ele estranhara.

   — É, para o Centro de Preceitos Prestigiados em Batalha.

   — Hm. Um nome muito pomposo para definir o que é simplesmente o básico. – ele ironizara, mas logo comentara. — Achei que você ia preferir voltar para Ágata e ficar um tempo num lugar só, depois de ficar zanzando por todo o continente.

   — Não foi tão ruim assim. – ela colocara. — Ao menos eu estava em boa companhia.

   Wes nada respondera, enquanto rumavam para a Fenaq, o ruído da moto em movimento impossibilitava de ouvir qualquer outra coisa a não ser seus próprios pensamentos.
  
   SAVING… 

  • Imagens: screenshots do jogo, xxxsak-hi.deviantart.com
  •  Matérias relacionadas: Mt. Battle, Projeto Pokémon GX - capítulos
  • Duel Square = Praça do Duelo, The Under = Subterrâneo, Orrean Broadcasting Station = Rede Nacional de Orre, Phenac City = Fenaq (do nome do minério), Prestige Precept Center = Centro de Preceitos Prestigiados em Batalha.
  •  Quanto à tradução de Take Down, sei que Golpe Baixo não é a mais precisa. Mas certamente é a mais sonora, então optei por essa.
  • O circuito de empréstimo corresponderia à opção “Battle Now” no menu principal do Colosseum. E realmente, os movesets são bem ruinzinhos no modo fácil.

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