Fanfic Capítulo 03: Idealidade

Por pior que que fossem as experiências que tinham passado, eles estavam dispostos a perdoar e esquecer, a deixar tudo para trás e tomar um novo rumo. Quem dera fosse assim.


Capítulo 03 (Idealidade)

   A tarde caía sobre Orre, e Wes tratara logo de sair da cidade. Desde que deixara a Snagem, estadia se tornara um problema. Diferente de Unova, por exemplo; os Centros Pokémon eram um estabelecimento médico e . Não ofereciam mais nada, a não ser o acesso ao Sistema de Armazenamento Pokémon. Rui ficara um tanto surpresa com a informação, mas ela podia ficar na casa dos avôs. Ele é que teria que se virar quanto a isso.

   O jovem fora até a moto, estacionada perto da entrada. Ele retirara a trava e subira, suas Eeveelutions já se acomodando no carro lateral. Wes dera a partida no motor, manobrando o veículo rumo a Pirite. Não havia rotas ou regras claras de trânsito em Orre, contanto que não se circulasse dentro das cidades, tudo era válido. De trato-ônibus e jipes a motos-monstro como a sua, que conseguia arrancar até 300 km/h. Conhecendo os trajetos menos acidentados, e como o vento a favor, não iria demorar a chegar ao seu destino.
 

   A cidade de Pirite ficava entre os planaltos ao sul de Orre, tendo a má fama de ser lar de picaretas, patifes, trombadinhas, e por aí vai. Deixara sua moto em uma das entradas mais afastadas da avenida principal, colocando uma trava de segurança só por precaução. Ao andar por aquelas ruas, seu olhar não se deteve em nenhum ponto específico. A cidade era repleta de entulho e escombros, a ferrugem cobrindo as construções em folhas de aço galvanizado. O ouro e as pedras, ao invés de riqueza, só trouxeram caos para Pirite. Mas três edifícios conseguiam se destacar naquela paisagem degastada: a delegacia, o hotel e o coliseu; os dois últimos caindo aos pedaços. 

   Entretanto, apesar da propaganda um tanto enganosa, o Super Grand Hotel oferecia a hospedagem mais barata da região. Por fora, a tinta estava descascada, mas por dentro, o ambiente era vibrante e espalhafatoso o suficiente para disfarçar as condições do imóvel, era estampa e neon para tudo quanto era lado.

   Ignorando o discurso do proprietário acerca das qualidades dos quartos, ele pedira por qualquer cômodo disponível, pagando cem contos pelo quarto três. Ao entrar lá, Wes trancara a porta e largara suas coisas em cima da cama, inclusive o casacão. A ausência dele destacava o quanto sua camiseta preta estava puída, e sem as botas e a Máquina Furtiva, seu porte não impressionava muito. Ele tirara da bolsa um pacote de ração, um conjunto de vasilhames, um punhado de bagas tipo Oran, e um canivete. Colocando a ração conforme a quantidade necessária para cada Pokémon em sua equipe, ele também misturara um pouco de pedaços de Oran.

   Ciente da atenção de suas Eeveelutions, Wes pusera as tigelas no chão, liberando também o restante do time. Os Pokémon logo trataram de se servir, e Wes se jogara na cama, descascando o restante das bagas como jantar. Não tardou para ele comentar a respeito do dia.

   — Quem diria que a Srta. Observadora nunca parou para ver as variáveis de uma batalha. Vocês viram? Ela achando que psíquico teria algum efeito contra noturno!

   O Espeon chiara, mas o Umbreon dera ombros, e continuara a comer sua refeição. Wes dera um sorrisinho que misturava ironia e descaso, mas logo ponderara.

   — Apesar disso, ela pode ser bastante perspicaz. Afinal, só ela que consegue ver as sombras. É mais do que isso… ela consegue ver o que os demais não notam ou não tem a sensibilidade de perceber.

   Ela não faz julgamentos antes de conhecer toda a situação.

   — *Tchu tche ric*!

   O Togetic concordara, feliz. Poderia dizer que ele gostava de Rui, a maioria de seus Pokémon era a favor da garota. Quem via aquele Pokémon todo feliz e radiante nem imaginara o que ele passara, como ele estava. Diferente dos demais Pokémon de Fein, ele era bem fraquinho. Apesar da agressividade típica dos Pokémon Sombrios, aquele Togetic parecia exausto, doente.

   As palavras de Rui também não o animavam. Ele se lembrara de quando ela tentara descrever o que via, quando saíram da cidade de Pirite.

   “Bem… é como uma sombra, mas etérea, como fumaça. Como uma névoa em volta do Pokémon. Normalmente ela é azul. Mas… naqueles Pokémon, ela é…”

   “Negra.”

   “Não, é mais como uma mistura de púrpura com preto. É… horrível. É como uma toxina {Toxic}, parece uma nuvem de veneno.”
 

   Aquele Togetic estava debilitado, até a enfermeira do Centro notara que não havia nada de errado quanto à saúde física dele, mas que aquele estado não era normal. Ele tentara usar alguns aromas instigantes {Excite Scent}, andara de um lado para o outro em busca de alguém para batalhar, mas todos os métodos que conhecia para purificar um Pokémon não pareciam ter efeito na velocidade desejada. Se aquele Pokémon não fosse purificado logo, poderia vir a falecer.

   Nenhum outro Pokémon Sombrio teve aquele agravante. No fundo, Wes sabia o porquê… a Cipher devia ter se empenhado nele mais do qualquer outro, ele ainda se lembrava do que Gonzap dissera, da indecorosa proposta de seu ex-chefe.

   “Não sei bem os detalhes mas isso faz com que seja impossível o Pokémon se sentir feliz ou coisa assim. É por isso que Ein quer tanto um Espeon ou um Umbreon --- deve ter algo a ver como eles evoluem por felicidade, por isso ele quer testar o que o processo faria com eles. Eu comentei que você tinha os dois”

   O que temia que acontecesse com suas Eeveelutions acabara acontecendo com outro Pokémon. Mesmo sendo de outra pessoa, mesmo não tendo relação nenhuma consigo, o sofrimento dele o atingira com força total. Não podia simplesmente fechar os olhos. Tinha que fazer alguma coisa. Mas o quê?

   “Nada ao nosso alcance está funcionando. Talvez… devêssemos tentar algo além do nosso alcance.”

   “Ahãn? Como assim?”

   “A flauta temporal do Vander… não teria o poder de invocar Celebi?”

   “E você acredita nisso?” ele questionara, descrente, quando voltavam de Pirite.

   “Sim.”

   “Poderes paranormais, lendários… Falta o quê agora? Fadas?”

   “Togetic é uma fada.” ela replicara.

   “Certo.” ele ironizara, mas concordara só para não continuar a discussão. “Deixando os tipos de lado… se não resolver, ao menos tentamos.”

   Saindo da vila, ele fora até o complexo subterrâneo, até a Pedra Relíquia. A plataforma estava deserta, o bosque silencioso como sempre. Wes retirara o instrumento da bolsa, e também liberara o Pokémon da Pokébola. A questão era…

   “Você sabe tocar?” o jovem perguntara, com uma careta.

   “Não.”

   Ela respondera, mas também notara sua expressão, e logo constatara.

   “Você sabe.”

   “Bem… só sei aquelas músicas básicas e constrangedoras como “Parabéns para você” e “Bom dia flor do dia. ele admitira a contragosto, entredentes.

   “Acho que a melodia não importa muito. Se fosse, poderia ser qualquer instrumento, certo?”

   “Está bem. Vamos ver no que vai dar.”

   A flauta era bem diferente do instrumento que antigamente tocava, parecia no mínimo improvável que aquele objeto emitisse algum som. Apesar dos furos e do entalhe do bocal, a flauta parecia mais um pedaço de galho, levemente curva, cheia de folhas. Um tanto hesitante, ele tocara as primeiras notas de uma melodia conhecida, tentando despertar o poder do instrumento.

   “Sabia que n---”

   Mas o que viu fez com que se calasse. Uma esfera esverdeada surgira, rodopiando até se dispersar, revelando a figura do lendário Celebi. O Pokémon parecera confuso por um momento --- não, estava intrigado com a situação --- mas logo percebera o que o levara ali. Ele fora até o Togetic, dando voltas em torno do Pokémon Sombrio. Até Wes, que não conseguia ver a aura, podia ver os rastros da energia que o lendário emanava.
 

   “Inacreditável!!!! Funcionou, funcionou mesmo!!! Obrigada, Viajante do Tempo!”

   Rui exclamara, já que Wes estava completamente sem palavras. O lendário se afastara, flutuando com graça, e desaparecera numa esfera de luz, enquanto o jovem ainda estava boquiaberto, atônito com a visita do lendário.

   “C-como?”

   Ele notara o Togetic, completamente curado e pulando de alegria, acenando em direção ao bosque. Em sua mão, a flauta se reduzira a um pedaço seco de madeira, seja qual mágica ela tivesse, fora toda dissipada em seu uso.

   “O tempo cura todas as feridas.”

   O jovem refletira sobre aquela frase, sua vivência lhe dizia que não. Mas notara que talvez se aplicasse aos Pokémon. Por pior que que fossem as experiências que tinham passado, estavam dispostos a perdoar e esquecer, a deixar tudo para trás e tomar um novo rumo.

   Quem dera fosse assim.



   — *Kuro kyaoo*?
 

   O psíquico indagara, consternado com o estado dele. De tão pensativo, ele até parara de descascar a Oran. Seus outros Pokémon também o olharam, alguns preocupados, outros curiosos com a baga que sobrara em suas mãos.

   — Ah. Desculpe, eu só estava pensando em algumas coisas.

   Wes sorrira, um sorriso breve, tentando tranquilizar o Espeon e o restante da equipe, voltando a se concentrar na fruta, procurando algo mais banal para comentar.

   — Estava pensando no que faremos agora. Talvez… seguir como um caçador de recompensas? De qualquer forma, acho que ter acabado com a Cipher deve contar para alguma coisa.
   
   SAVING…
 
 

  • Imagens: screenshot do jogo, xxxsak-hi.deviantart.com, tumblr.com, screenshot do anime
  • Matérias relacionadas: Pokémon Sombrio
  • Pyrite Town = Pirite (nome do minério em português de Portugual), Snag Machine = Máquina Furtiva, Berry = baga, Flauta temporal = Time Flute.
  • Wes carrega a maior parte dos itens (tipo: poções, PDA, TMs) nos inúmeros bolsos do seu casacão (por isso o design incomum da parte da frente, é um amontoado de bolsos). Nesta fic, o restante dos seus pertences (tipo: muda de roupa, itens pessoais, etc) fica na bolsa, que durante o jogo fica jogada no carro lateral da moto.
  • Claro que os Pokémon terão voz na fic. Só que diferente do anime, tentarei descrever o som emitido nos jogos. Caso alguém queira ouvir mas não tiver Pokédex a mão, há esse site: (http://veekun.com/dex). Se preferirem que a voz seja como no anime, é só comentar.


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