Gallade e Gardevoir, uma história que retrata a morte...


          Ainda há muito de você em mim. E ainda há muito de mim em você. Passamos tanto tempo juntos, que acabamos nos tornamos os mesmos. Idênticos. Iguais. No falar, no agir, no pousar, no amar. Nosso orgulho também se tornou idênticos, inigualáveis, impossível de ser quebrado. E esse foi nosso erro, nós nunca andamos em equilíbrio. Não fomos feitos um para o outro. E agora, por favor, olhe bem nos meus olhos e me diga o que posso fazer para consertar o meu erro?


          Nos seus olhos vejo a janela escura e solitária que me acompanhou por tantos e tantos anos... Nela eu não enxergava meu reflexo, mesmo que ali existisse um espelho. Ajoelhada perante o seu corpo sem vida, consigo entender o que os humanos sentem quando dizem que não aguentam mais a vida e seus obstáculos. Sinceramente, eu poderia morrer também, agora, e ninguém que eu me importo se importaria. E se seus olhos estivessem abertos, você poderia me questionar quanto a isso. Diria, de boca cheia, peito estufado, olhos sinceros, que existem milhares de pessoas que sofreriam caso eu deixasse de existir. E eu rebateria suas palavras com um pensamento que alimento por algum tempo: "Eles se preocupariam com o que perderiam se eu desaparecesse para sempre, não com a minha perda em si". Difícil de entender? Sim, talvez.

          É triste ver você indo embora e não poder fazer nada, você vacilou, eu deveria ir e não você. Melhor do que qualquer outro que convivesse comigo, você sabia dos limites, entendia os perigos, por qual razão tentou? Não há beleza na morte, quer dizer, não para quem a presencia, mas para quem a sente, sim, há beleza. Diga-me... Se eu sorrisse ao ver meu sangue, estaria sendo uma psicopata? Se eu aceitasse o fato de sumir e possivelmente não te encontrar do outro lado, eu seria rotulada de imbecil?

          Estou usando seu vestido preferido. Ele está sujo de sangue, desculpe, mas eu precisava te tocar por uma última vez. Não entendo porque te fiz sangrar, afinal de contas, minha voz te matou por dentro e não por fora. Não entendo o porque de tanta cor vermelha espelhada pelo meu palácio... Espero que deixe cheiro, preciso senti-lo quando o mundo desabar, daqui há algum tempo.


          As cicatrizes do teu amor me fazem lembrar de nós, me deixam sem fôlego... me fazem pensar que nós tínhamos quase tudo e agora não temos mais nada. Interessante a maneira como as coisas somem. E depois, Gallade, quando eu precisar procurar outro para substitui-lo? Se, mesmo sabendo quem eu procuro, não consega achar... Como vou achar quem eu procuro se nem sei como é?

          Eu mato as pessoas que amo.

          Na próxima vez...

          Não ouça mais minha voz, Gallade, nem me veja cantar. Eu não controlo. Eu não tive opção.

          Por quê? Diga-me, responda-me... Digo, há muita coisa que poderia falar sobre você, agora. Que é teimoso, intenso, impaciente... E, de longe, a melhor coisa que já me aconteceu. Sabe, é engraçado te amar, aqui dentro de mim até que é bonito, mas do lado de fora é um grande desastre... Pensando bem, isso não tem nada de engraçado agora. Nenhuma gota de lágrima te trazerá, mas já é automático querer te ter. Pois me perco nesses absurdos, nos teus sorrisos, nas histórias retratadas, me perco no teu semblante pouco expressivo.

          É muito duro dizer que perdi o amor da minha vida porque me permiti cantar para ele. Agora, permita-me, Gallade, me retirar. Não quero presenciar seu corpo ser levado para longe de mim.

          Adeus, e perdão...

Não esqueçam de comentar, por favor, e me dizer o que acharam do texto. Eu fui muito sincero nele :) Créditos dessa imagem são do Ricardo Lira, galera. Um desenhista formidável. Conheçam o trabalho dele: CLIQUE AQUI

4 comentários:

  1. Vc brinca com meus sentimentos usando histórias tão bemas e tristes

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  2. Nossa serio melhor história do mundo :'] ficou muito boa Parabéns mano

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  3. isso so quem leu a cronica do galede sempai vai enteder *-*

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  4. mega_unown19/01/16 21:05

    Verdade, as crônicas de bolso do Gallade e da Gardevoir também.

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