Ash vs Tobias (tal pai, tal filho)

Já imaginou se você estivesse no lugar dele?
Batalhar contra o seu próprio Pai, sem ao menos saber o que está acontecendo...




          O fogo que entrelaçava os dois Pokémon, lá no alto, começava a se dissipar. Enfraquecia aos poucos, a medida que a fumaça ia se espalhando e permitindo aos espectadores e aos treinadores observarem o que acontecia no céu devastado de poder e fúria... Ash não prestava atenção a nada que não fosse o chão. Sua cabeça estava baixa, seu semblante machucado, mal conseguia expressar o que sentia naquele momento. Acabara de ouvir algo que o deixou louco, tonto, enjoado, eram várias sensações o bombardeando e mesmo que tentasse responder algo, não conseguia. Sabia que teria de reagir, ao menos tinha consciência disso, mas ainda sim era complicado.

          A emoção serpenteava em seu corpo e dos vários sentimentos que ocorriam, não sabia qual deles era certo transparecer. De fato, sentia-se reduzido a apenas aquela revelação, ou melhor: a verdade crua dela. Toda uma vida havia se passado e conhecê-lo daquele jeito, no meio de um torneio e em lados diferentes, fora brutal. Ash não conseguia acreditar, mas ao mesmo tempo algo dentro de si o impulsionava a fazer.

          Ele estava ali, bem à sua frente, tenso e cheio de expectativas, esperando uma resposta que custava muito a sair. Ash a tinha na ponta da língua, uma resposta bem lógica e adequada, no entanto, quando finalmente levantou a cabeça e encontrou o olhar do pai, do seu pai, preferiu se calar.. Uma estranha felicidade subiu por seus pés, de súbito. Fora pego desprevenido, e ainda que se sentisse confuso, deliciou-se com o fervor dela.

          Igualmente compartilhando daquelas sensações, seu pai o observava ainda de longe, não se preocupando com o que ocorria com a batalha. Sem a máscara, ele estava exposto. Era como se suas vergonhas e anseios o acusassem de uma forma que nem ele mesmo conseguia compreender. Doía olhar para o rosto de Ash. Doía mais do que ele podia interpretar. Só depois que uma grande explosão atingiu o chão, espalhando poeira e pedaços de pedras grossas e ríspidas, a atenção dos dois se voltaram a apenas um ponto, sem que fosse o olhar um do outro. E sem que receassem algo...

          Charizard, íngreme, irrestrito como nunca conseguiu ser antes, erguia chamas para o alto, enquanto Mega Blaziken se debatia no chão, embaixo dele, desmaiado. Ash voltou a se ajoelhar. Ganhara? Finalmente? Era isso mesmo que estava acontecendo?

Imagem meramente ilustrativa

          Seu pai devolveu Blaziken à pokébola e o guardou no bolso do casaco. Passou alguns segundos observando o chão como se ali, realmente, tivesse algo interessante para ver além da sua própria vergonha exposta. O silêncio e a mobilidade, interrompidos apenas pelos gritos e berros da platéia, eram insuportáveis. Se o ambiente pudesse ter refletido os sentimentos que dominavam o pai de Ash, a platéia estaria gritando de dor. O homem andou pelo ambiente silencioso, respirando depressa, tentando não pensar. Mas precisava pensar...

          Então suas pernas se moveram sozinhas e em outro instante, ele estava perante seu filho. Observando-o de cima, como nunca fez antes, ele não acreditava que as sensações fossem tão poderosas. Ele ergueu sua mão como forma de se libertar, como forma de cessar a dor e a angústia... Sua mão tremia e sua boca salivou:

          — Levante a cabeça! Lugar de campeão não é de joelhos... — disse o homem, a voz trêmula, impaciente. Estava ansioso, queria logo saber qual seria a reação de Ash ao vê-lo assim, tão de perto. Ele poderia ver suas feições, agora. E era o que ele mais queria.

          — Quer dizer então que... — Ash permaneceu quieto e em silêncio, quem respondera aquela pergunta no seu lugar fora Delia, sua mãe. Que estava com as mãos em cima uma da outra, abaixadas. Suas bochechas vermelhas e redondas, seus cabelos bagunçados e ao mesmo tempo arrumados. Delia não parecia expressar más emoções, apenas estava sossegada — Você finalmente decidiu voltar, Tobias? Depois de tantos anos...

Eu sei que eu não posso parar você

          Tobias ao ouvir a voz de Délia sentiu algo diferente do que sentira quando viu Ash. Queimava e o congelava, ao mesmo tempo. Era frio e calor. Gelo e fogo. Tudo dentro de si, borbulhando, chacoalhando... Depois de tantos anos, Tobias ouvia aquela voz que estava acostumado a ouvir todos os dias. E o cheiro parecia o mesmo, mas como era possível? Ele levantou o rosto devagar, receoso, os olhos lacrimejantes...

          — Eu sei que devo explicações. A vocês dois. E pretendo fazer isto.

          — Sim, nos deve — desta vez fora Ash quem falara, ainda de cabeça baixa.
          
          Ash se levantou com a ajuda de Delia. Ele não voltou a olhar para o pai. Seus amigos vieram parabenizá-lo e ele os abraçou, normalmente, como se nada tivesse acontecido. Agradeceu pelo apoio, principalmenta a Serena, que o olhava com suspeita. Claro que sabia que estava acontecendo algo ali, entendia Ash, entendia toda a pressão que ele estava depositando nela apenas com seu olhar. Como se pedisse socorro. Como também sabia que precisava fazer alguma coisa par ajudá-lo, amenizar qualquer coisa que ele estivesse sentindo. Então, sem perceber, seus instintos responderam a isto. Mas Delia a interrompeu quando ela se aproximou para conversar com Ash. Olhando-a de relance, com uma expressão de "está tudo sob controle". Serena entendeu e sorriu. 

Ela compreendeu
          Depois da cerimônia de premiação, Ash não viu mais Tobias por perto. Ele recebeu seu prêmio, sorridente, junto com os seus Pokémon que se balançavam, voavam e rugiam com alegria. Ash não acreditava muito que tudo aquilo estivesse acontecendo e por mais que os sentimentos e a ansiedade continuassem o incomodando, ele tentava ao máximo sentir aquele momento e saboreá-lo da melhor forma possível. Era vitorioso. Finalmente conseguiu. E por mais que tudo aquilo parecesse imaginação da sua cabeça, o ar, as pessoas e os seus Pokémon faziam com que tudo aquilo se tornasse palpável, real e impactante.

          Enquanto esperava por sua mãe, sentado em uma das três cadeiras que ocupavam o Centro Pokémon, Ash não conseguia colocar os pensamentos em ordem e muito menos encontrar alguma coisa que o fizesse se acalmar e ficar menos preocupado. Sabia que acabara de conquistar uma das suas maiores vitórias, um dos seus sonhos realizados e materializados em um imenso troféu que o esperava em casa, mas, ainda assim, não era tão fácil relaxar, não naquele momento. Ele estava sozinho, agora, e sabia que ninguém o incomodaria, mesmo que ele torcesse muito para que Serena quebrasse essa regra e aparecesse, do nada, para lhe fazer companhia. Sabia que a amiga o ajudaria, não sabia como, só confiava que sim.

            — Eu realmente fiquei bastante surpreso com você, Ash... — disse Tobias, deprimido. Depois de examinar o lugar alguns segundos, tentando compreender se poderia ou não sentar ao lado do filho, ele tomou a iniciativa, ficando próximo dele, o suficiente para falar e ouvi-lo. Ele não olhava para Ash, mesmo que quisesse e tentasse, algumas vezes. Era difícil demais lutar contra a sua própria verdade — Com apenas 11 anos você se tornou um treinador que eu nunca fui capaz de me tornar. Você tem muito mais coragem do que eu nunca tive.

            — Você sabe que me deve explicações, Tobias, então trate de fazer isto... — vociferou Delia, visivelmente irritada e perturbada. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, por certo havia chorado antes de estar ali. Ela fez o possível para que Ash não a visse daquele jeito e virava o rosto todas as vezes em que o filho a olhava diretamente. Ela se sentou mais próximo dele e esperou que Tobias continuasse. 

          —  Muitas pessoas veem a guerra como algo que aconteceu há muitos anos. Elas acham que todos os seus efeitos ficaram para trás, que as coisas aconteceram no início e no início mesmo terminaram. Elas estão redondamente enganadas. —  começou Tobias, tagarelando. Sua voz estava rouca e miúda. Era claro seu desconforto ao lembrar de todas as lembranças que foram responsáveis pela sua tortura — As feridas superficiais são as mais difíceis de tratar, são as que deixam as piores marcas. Quando tudo começou, Ash, as pessoas ficaram loucas. Por mais que Kanto tentasse resistir ao governo, por mais que tentasse não oferecer os seus melhores soldados, todos sabiam que chegaria um momento em que nada do que eles pudessem fazer seria o suficiente. As famílias já se preparavam para se despedir, sabiam que era uma missão suicida e que todos aqueles que participassem não voltariam mais. Delia estava grávida... E, bem, eu estava desesperado. Decidimos fugir, enganá-los, tínhamos meios para isso e íamos usá-lo sem pudor, mas passamos tanto tempo planejando o futuro que nos esquecemos de chegar lá e isso é muito frustrante. Sua segurança era mais importante do que qualquer coisa...

          "No início, só era caos. O governo não permitia que as pessoas usufruíssem da democracia, eles apenas ordenavam e exigiam que todos se ajoelhassem perante o que eles achavam ser o correto. E por todo o tempo em que todos achavam que eram apenas eles os responsáveis por todo o caos, as coisas não eram tão aterrorizadoras, afinal sabiam que existiam leis e estatutos que iam além de simplesmente ordenanças. Contudo, as coisas ficaram descontroladas depois que a sociedade descobriu que o governo era apenas uma marionete"

          — Marionete? Como isso é possível? Pensei que existissem Pokémon que conseguissem evitar esse tipo de coisa. Como por exemplo, Pokémon psíquicos que conseguem ver o futuro e tudo que armam contra eles — interrompeu Ash, pela primeira vez, deixando Tobias satisfeito por saber que o filho realmente estava prestando atenção em tudo que dizia e explicava. Era reconfortante.

          —  Eles que nos ajudaram a descobrir, Ash. Existia uma organização que estava por trás de tudo. Eles quem colocava o medo dentro do coração de todos e eram eles quem incentivavam a guerra. O mais interessante nisso tudo, era que a organização fazia isso com um grande propósito. Eu não entendia também. Fazia parte daquela porcentagem dos revoltados... Sim, no processo, muitas pessoas e Pokemon morreriam, mas, de qualquer forma, se eles não conseguissem o que queriam, essas pessoas morreriam de qualquer forma. Depois que descobri qual era o verdadeiro propósito dessa organização, passei a vê-los com outros olhos. Quando descobri, não consegui acreditar até que eles me mostraram... O futuro"

          "Acreditem, todas as mortes eram necessárias. Existe um mal, um mal terrível que está prestes a chegar. E acreditem quando digo que ele vai chegar e infelizmente não podemos impedi-lo. Não mais. Naquele tempo, eu os ajudei a conseguir o que queriam, mas como a guerra tomou proporções maiores do que todos nós esperávamos, eles tiveram que abortar a missão, deixando as consequências agirem gratuitamente, já que não conseguiram o que queriam e só causaram destruição. Alguns deles morreram e deixaram um legado. Não cabe a mim contar mais detalhes sobre isso. Só precisamos, agora, nos precaver. Eu que nada do que eu fiz no passado foi em vão, hoje posso ver respostas... Respostas do nosso passado e do nosso presente. E quanto futuro, só posso lamentar"

          — Você me prometeu que não iria se envolver com a guerra, Tobias, me prometeu que voltaria, mas depois que a porta da nossa casa foi fechada eu nunca mais te vi.  Eu sempre soube que não era sensato confiar nas pessoas. A vida é bem mais segura assim... Mas você não era qualquer pessoa. Você era o pai do meu filho e eu confiava nossas vida em suas mãos, para depois você trair dessa forma? E que motivos são esses?

          — Delia, eu realmente entendo o que você está sentindo. É revoltante ser traído por aquele a que mais amamos. Mas entenda que existiam propósitos superiores. Não é inteligente e muito menos nobre neglicenciar os seus deveres, mas eu realmente nao tive escolha. Eu fui obrigado e usaram argumentos manipuladores e doentios... Acredite, não foi por querer tê-la deixado junto com o nosso filho, abandonada a mercê da guerra, da fome e da crueldade da organização e do governo. Mas saiba que eu nunca te abandonei, mesmo de longe e preocupado com outras coisas, eu assegurei, pessoalmente, que você estaria segura. Eu tenho motivos, mas não posso falá-los agora, para o seu próprio bem.. Apenas entenda que acima do meu próprio medo de deixá-la, existiam o desejo de mantê-la viva e construir um futuro seguro e digno para o nosso filho.

          Delia se levantou abruptamente. Ash também levantou, igualmente com sua mãe. Ele olhou, por detrás, diretamente para o seu pai. Desejou que ele fosse com eles de volta para casa. Sabia que tinha passado por uma das etapas mais difíceis, que era vencer a liga, mas sabia que existiam etapas muito piores e mais dolorosas a serem enfrentadas e ele, fielmente, acreditava que não conseguiria sem que alguém o ajudasse. Por mais que ele tivesse ouvido tudo que ouviu e não ter entendido quase nada, Ash sabia que existia algo de bom dentro do seu pai, e que o remorso o machucava por si só, ele não precisava do desprezo dele e da sua mãe para sentir dor. Sendo assim, ele tomou a iniciativa de falar...

          — Por que você não vem conosco? — perguntou Ash, quase como um sussurro. Mas foi alto o suficiente para que Tobias ouvisse e erguesse sua cabeça imediatamente. Ele foi invadido por uma sensação de calmaria muito grande e satisfação. Ash compreendera o que dissera, finalmente. Não estava com raiva...

          — Seria uma honra para mim, mas, bem, sua mãe não gostaria...

          — A casa também é sua, Tobias, não posso impedi-lo de ir.

          — Não, Delia, a casa é sua. Só vou se me permitir ir...

          Delia ficou um pouco em silêncio, as manchas rosadas em seu rosto se intensificando. Ela queria que ele fosse. Adoraria, na verdade. E por trás de toda aquela pose de "pessoa ofendida" existia uma mulher que sentia sua falta. Afinal de contas, ele não era somente um conhecido, mas pai do seu filho e o amor da sua vida. Ela lutou todos os dias com o tempo para tentar esquecê-lo, e agora que falhara desgraçadamente na tarefa, não custava nada se recolocar no mesmo ponto de início.

          — Você pode vir conosco, Tobias... 





          Quando chegaram a Kanto, Tobias esperou até que Delia e Ash se acomodassem em casa. Ele ficou do lado de fora, observando aquela casa por cada detalhe, até o menor deles. Como tudo parecia mudado, mas suficientemente nostálgico. A cor da casa havia mudado, mas o tom claro e sofisticado continuava impregnado, era a mesma cor que ele teria escolhido se a tivesse pintado. A grama, muito bem aparada e arrumada, o fazia se lembrar das vezes em que levavam uma tarde toda para deixá-la com as mesmas medidas. A cerca, agora mais espaçosa e tomando mais espaço do que ele jamais pensou que seria possível, o separava da casa. Ele ousou atravessá-la, mesmo sabendo que aquilo lhe custaria muita coisa. Quando chegou próximo de sua casa, ele foi atacado por Mr. Mime, que pulara, praticamente, em cima dele com muita felicidade. Ao olhar um bom tempo para aquele Pokémon, Tobias se lembrou do Mime Jr que precisou deixar em casa. Era seu melhor amigo. Eles se abraçaram por um tempo longo e Mr. Mime só saiu de perto dele porque Delia o chamou para ajudá-la na cozinha. Ele saiu e Tobias ficou a sós com Ash, em frente de casa.

          — Um dos motivos que me fez vir com vocês, Ash, foi a maneira que eu te vi duelar. Você conhece estratégias bem elaboradas, sem falar que as executa com muita experiência, mesmo não tendo a idade necessária para isso. Você foi capaz de derrotar um dos meus Pokémon mais poderosos. E eu sou honrado por isso. Contudo, encontrei muitas falhas na maneira como você age com seus Pokémon e o uso dos poderes deles.

          — O que quer dizer com isso? — perguntou Ash, confuso.

          — Não quer dizer muita coisa... Mas o suficiente para lhe impedir de fazer muitas coisas, por exemplo. Eu gostaria de batalhar contra você agora. Eu gostaria de usar o meu Pokémon mais poderoso. O que acha?

          Uma alegria tomou Ash por completo. Batalhar novamente com ele? Sentir tudo que sentiu como da última vez? Não recusaria aquele pedido mesmo que seu cérebro dissesse que não e precisasse usar a força bruta para convencê-lo. Ash estava de pijama, ainda, mas não estava com vergonha, afinal de contas, eles moravam basicamente perto da área rural, então não existiam muitos vizinhos. Eles se colocaram um em frente do outro e ambos retiraram sua pokébola. Batalhariam usando apenas um Pokémon cada um.

          — Pidgeot, mostre-se!

          O grande pássaro aterrissou no solo arenoso e o chão correspondeu a sua presença. A areia começou a se espalhar, boa parte de grama se espalhou e as flores enfeitaram o lugar. Tobias temeu por aquilo, sabendo que Delia iria puxar sua orelha depois daquela batalha. Pidegot era incrível. Suas asas eram imensas e seu pelo brilhava incansavelmente. Era notável que Tobias cuidava muito bem dele.

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          — Um Pidgeot, que incrível... — disse Ash, admirado. Passou alguns segundos observando aquele grande pássaro e tentando procurar na sua mente um Pokémon que pudesse combatê-la da melhor forma possível. Existia Pikachu, mas não iria usar um Pokémon tão óbvio assim. Também tinha Charizard, mas ele também não gostaria que seu pai pensasse que ele só podia vencer por conta da mega evolução. Então, depois de pensar bastante, Ash decidiu usar Pikachu, de qualquer forma — Pikachu, vamos acabar com ele!

          — Excelente. Pidgeot, suba para o céu e desça rodopiando...

Que pássaro esplêndido

          Pidegot obedeceu ao seu treinador e ao bater suas asas para voar, Pikachu fora arrastado pelo poder da sua presença. Era formidável, o pássaro rasgava o céu como se ele não representasse nada. Uma vez que ele estava lá em cima, íngreme e intocável, ele mergulhou para baixo. Várias de suas penas começaram a se rasgar no processo, caindo sobre todos os lados da casa e do jardim. Delia ficaria uma fera quando visse isso. Pidgeot, então, fez o que lhe fora ordenado. Descia com grande velocidade e quando o chão estava a poucos metros, ele começou a rodopiar com muita velocidade, formando um redemoinho gigantesco de ventania e trovões.

          — Isso não é nada. Pikachu, Electro Ball!

          — Era isso mesmo que eu queria que você fizesse, Ash. Já encontramos um erro no seu modo de agir. É preciso disciplinar sua mente para que ela entenda o que está acontecendo ao seu redor. Veja, Pidgeot está rodopiando muito rápido, por conta disto, o vento se envolveu e se fixou apenas em um único ponto, que o corpo do ser que o está provocando. Ao juntar a atmosfera, o oxigênio e todo esse ar com o próprio poder do Pidgeot, foram formados trovões. Não machucam Pidgeot, mas servem como escudo de poder. E agora que você usou mais um golpe feito a partir de eletricidade, o que vai acontecer?

Pikachu usando Electro Ball

          Ash caiu na real e se preocupou.

          — Vai aumentar o campo de força...

          — Isso mesmo. Pigdeot, Hurricane! Mande essa energia de volta para Pikachu!

          Pidgeot abriu suas longas asas e saiu de dentro do redemoinho. Ao batê-las, todo o ar correspondeu as suas atitudes, sugando mais energia do céu e, agora, com a bola de eletricidade enviada por Pikachu, ficando ainda mais destrutivo. Pidgeot o controlava com muita facilidade e não demorou para ordenar o ataque. O poderoso Hurricane se aproximava de Ash com muita velocidade e energia. O garoto precisava pensar em algo o quanto antes ou seria atingido pelo golpe e Pikachu sofreria sérios danos.

          — Precisamos usar a estratégia dele contra ele. Pikachu, use Thunderbolt e comece a girar, da mesma forma. Não se preocupe se sofrer o impacto do chão, use-o ao seu favor.

          —  Mas o que ele está pensando?

          Pikachu começou a rodopiar o pequeno corpo e os raios que saiam das suas bochechas tomaram grandes proporções e começaram a se espalhar por todos os lados, envolvendo-o com muita energia. Quando o Hurricane se chocou contra aquela energia, os dois poderes liberaram ainda mais impulso, afastando Ash do campo de batalha e empurrando Tobias para trás. Pikachu permaneceu daquele jeito, mesmo sentindo que o Hurricane era muito poderoso para ser parado apenas com aqueles raios.

          — Muito bem, Iron Tail no chão e salte!

          Pikachu, ainda com a eletricidade reunida em volta do seu corpo, protegendo-o, bateu com sua cauda no chão no chão e saltou muito alto. Depois de alguns segundos, Pikachu estava em cima do Hurricane, ao invés de em cima dele. Lá do alto, ele via suas proporções assustadoras. Era assombroso.

          — Não precisa ter medo, Pikachu. Mergulhe dentro do Hurricane!

          — Está louco, Ash?

          Pikachu confiou plenamente em Ash e mergulhou dentro do tornado. Uma vez lá dentro, ele foi envolvido por aquela energia e suas bochechas passaram de rosa para um vermelho da cor de sangue. Seu rabo se intensificou e seu corpo jamais experimentou tanta energia junta. Viajava por cada fibra, por cada parte...

          — Consegue sentir o poder, não é mesmo Pikachu? É dele que precisamos!

          — Pikachu não vai conseguir contê-lo, Ash!

          — E quem disse que quero contê-lo?! Pikachu, Volt Tackle!


          Pikachu usou Thunderbolt para o céu e as nuvens responderam com ainda mais energia. Ele cravou suas patas no chão, usando o rabo para não ser arremessado para longe. Todo o tornado se envolveu ao seu corpo e ele não era mais um ponto pequeno e insignificante, mas uma máquina de destruição preparada e esquematizada apenas para atacar e nada mais. Seu corpo se preparou para o impacto que iria sentir como retorno, mas não estava muito preocupado com isso. Pikachu saiu avançando em alta velocidade me direção a Pidgeot, que continuava no céu, observando sua energia ser devolvida com ainda mais poder.

          —  Por mais que você tenha tido uma ótima ideia, Ash, Volt Tackle é um golpe que devolve dano ao Pikachu. E ele usando tanta energia assim para usá-lo, não acha que o dano de retorno será ainda maior?

          — Não está machucando Pikachu...

          — Olhe bem, olhe para dentro do tornado — disse Tobias apontando para o pequeno ser amarelo que sofria drasticamente para continuar usando aquela energia. Ele se debatia, em alguns momentos, mas permanecia guiando todo o Hurricane de volta para Pidgeot.

          — Ah, não! Pikachu pare, pare agora!

          — É tarde demais, Ash. Pidgeot, Brave Bird! Vá de encontro com aquele redemoinho e pegue Pikachu com as suas garras. Traga-o para o céu!

          Pidgeot transformou seu corpo em chamas. Saiu mergulhando como uma flecha em direção ao Hurricane, que ao sentir seu corpo se desfez imediatamente. Por seu corpo ainda conter velocidade, Pikachu foi arremessado para o alto e Pidgeot o pegou com as garras, levando-o para o céu.

          — Pikachu, Thunderbolt!

          Pikachu usou um pequena carga elétrica, mas isso nem ao menos fez com que Pidgeot perdesse o equilíbrio. O pássaro continuou subindo, subindo e subindo, até que ficaram acima das nuvens.

          — Não estou fazendo isso para machucar Pikachu. Estou fazendo isso para mostrar a você quais são as consequências de tomar decisões erradas, Ash.

          — O que está pensando em fazer? Vai machucá-lo demais!

          — É um preço que você precisa pagar. Pidgeot, desça em alta velocidade. E quando tiver perto do chão, arremesse Pikachu no chão! Não precisa ter pena...



          Pidgeot obedeceu e cortou as nuvens com a sua grande velocidade. Aproximavam-se do chão sem que precisassem usar muito tempo. Pidgeot era rápido demais, quase não conseguiam vê-lo! Era apenas um grande borrão que se espelhava pelas nuvens e humilhava o céu, dominando-o. Quando o chão estava a poucos centímetros, quando Pidgeot se preparou para arremessar Pikachu no chão, Ash tomou uma iniciativa.

          — Use Iron Tail para amortecer a queda e arremessá-lo para cima de Pidgeot, Pikachu!

          Pikachu rapidamente se livrou das garras de Pidgeot e usou Iron Tail no chão, afundando-o e rachando-o, mas por conta do impulso de retorno, ele saltou e ficou acima de Pidgeot, olhando-o com gosto de vingança.

          — Electro Ball!

          Pikachu rapidamente criou uma bola de energia na ponta da sua calda e arremessou em direção as costas de Pidgeot, que permanecia no mesmo lugar, como se nada temesse.

          — Acha mesmo que eu não sabia que faria isso?

          — O quê?

          — Gire sua asas e manda o poder de volta!

          Pidgeot, com apenas um rodopio, foi capaz de enviar aquela bola de energia maciça de volta para Pikachu, que foi atingido em cheio e caiu no chão, fraco e debilitado. Não perdera a consciência, só que não conseguia mais ficar de pé. Estava sem energia e seu corpo só conseguia permanecer no chão.

          — E agora o golpe final! Brave Bird!

          E antes de Pikachu receber o dano, Ash o pegou, colocando seu corpo em frente ao golpe!

          — Pare Pidgeot, pare agora!
          
          O pássaro precisou cravar as patas no chão.

          — Que tipo de batalha é essa? Você coloca os Pokémon a prova como se eles fossem bonecos. Pikachu já estava ferido, não podia mais batalhar, por que ainda assim você iria atacá-lo? Esse não é meu jeito de lutar, Tobias, e não quero colocar mais nenhum dos meus Pokémon em perigo batalhando contra você!

          — Entenda que eu precisava mostrar a você quais eram as consequências de se tomar uma má decisão, Ash. Você precisa disciplinar sua mente e seu gênio. Você é inteligente, astuto e perspicaz. Só precisa usar isso ao seu favor. Não se coloca seus Pokémon em perigo por qualquer coisa, Ash!

          — Eu não quero mais saber do que você quer me mostrar. 

          Com o Pikachu em mãos, Ash saiu correndo de volta para casa, deixando Tobias sozinho e amargurado. O que ele fez errado? Foi dessa forma que ele aprendeu a ser o que ele é, a ser um verdadeiro mestre... Não fez por querer, não tinha a intensão de machucar Pikachu, apenas queria mostrar ao filho o que o aguardava se caso fizesse escolhas sem pensar. E agora, o que faria?

          — Ash ainda é uma criança, Tobias... — era Delia... Ela não estava com raiva por conta da bagunça que provocaram e nem por suas flores terem sidos mortas. Ela estava preocupado com ele — No início, lembro que você também era que nem ele. Não conseguia compreender... E você levou um tempo até que as coisas ficassem claras, não é mesmo? Dê esse tempo ao Ash e tenha paciência... se quiser entrar, ele está no quarto. Vá falar com ele, por favor.

          Minutos depois, Tobias deu duas batidas na porta do quarto de Ash, que estava aberta.

          —  Pikachu está melhor? —  ele perguntou, mas não obteve resposta — Eu realmente sinto muito. Não é fácil para mim conseguir controlar todas essas emoções que apareceram de repente. Eu só queria te mostrar o que eu aprendi em todos esses anos de experiência, te mostrar que as coisas não são fáceis e que se você não se disciplinar e pensar nas coisas antes de fazê-las, as consequências serão ainda mais devastadoras. Me de mais uma chance, Ash... Me deixe treiná-lo. Me deixe ser seu mestre!

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Os próximos desenhos serão lançados primeiro na página do Ricardo Lira, responsável pela criação de todas as artes dessa fanfic. Para acompanhar de perto, curta a página dele e fique por dentro das novidades: CLIQUE AQUI

É isso, espero que tenham gostado. Vale lembrar que a fanfic é atualizada sempre aos Sábados, certo? Hoje foi apenas uma exceção. Por favor, não deixe de comentar e me falar o que achou sobre o capítulo e qual foi sua parte preferida, combinado? E não deixe de conhecer minha redes sociais que estão abaixo da minha foto, principalmente meu canal no YouTube. Até a próxima!




7 comentários:

  1. Putz... o pai do Ash tem o mesmo nome do Tobias, ou é o Tobias? Deu nó na cabeça agora. Ri um pouco da "Imagem meramente ilustrativa", o Zard Y não tem muito destaque comparado com o X, mas tem essa aqui: http://nganlamsong.deviantart.com/art/Mega-Charizard-Y-The-rise-of-Lizardon-581624339

    Fora o combate, as emoções conflitantes dos personagens, o perdão seguido da raiva, "você tem muito o que aprender, Ash", o que mais eu curti? Isso aqui:

    "Muitas pessoas veem a guerra como algo que aconteceu há muitos anos. Elas acham que todos os seus efeitos ficaram para trás, que as coisas aconteceram no início e no início mesmo terminaram"

    Teoria detectada! Aquela que diz que Kanto estava em guerra, por isso seu pai não está presente, há poucos adultos e muitos idosos e crianças, e Surge menciona que seu protagonista não duraria muito numa guerra, e que os Pokémons dele o salvaram paralisando o inimigo... Claro que a coisa deve ter se resolvido rápido (rápido até demais...) para Ash não se lembrar disso.

    Se você estiver com...
    Poison nos comentários?
    Burn por conta de flamers?
    Paralysis nas postagens?
    Ideias no Frezee?
    Sleep enquanto escreve?

    Promessa é dívida, tá aí o Casteliacone: http://imgur.com/rfQaVN2 (Link tava funcionando quando postei)!

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    1. HAHAHAHAHAA eu viiii, você que fez? rsrs

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  2. Esse cara não é o Looker na primeira imagem?

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  3. Velho, que massa! Nunca pensei no Tobias sendo pai do Ash. Bem que isso poderia acontecer no anime. Eu gosto de pokemon, mas to cansado dessas repetições em todas temporadas, Ash nunca ganha, só captura os pokemons e depois deixa-os em Kanto.
    Gostaria muito de ver uma evolução em pokemon, um anime não só voltado para as crianças, mas até para adultos, com histórias interessantes, como as que vc faz. Serena x Jessie, Tobias x Ash, etc, mas com todos mais velhos, mais maduros. Aposto que o anime daria muito mais ibope assim, incluindo as crianças de sempre, além dos mais jovens, adultos. Seria muito massa! Iria me animar muito mais!

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    1. Mas esse Tobias não é o mesmo Tobias que ele batalhou em Sinnoh, pow, é outro rsrs E valeu man, tamo junto o/

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  4. É o mesmo Tobias da Liga Sinnoh?

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  5. Quem é esse Tobias ? Me explique ! É o pai do ash ou seu filho ?e se for seu filho quem é a mãe ?

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