Ash vs Red: O sacrifício de Serena!

   

          Desta vez Serena vai ter que se sacrificar para proteger Ash. Mas não da maneira que você está pensando. O que acontece quando tudo que você construiu se torna cinzas? Quando a esperança não existe mais e a única coisa que predomina é o medo. Contemple a continuação da batalha de Ash vs Red em um combate emocionante entre Serena e Jessie.




          Quando o grande televisor do alto do ginásio se apagou, Ash logo foi engolfado pela multidão que saía do estádio e regressava aos seus carros, procurando se afastar daquele lugar. O ar da noite trazia aos ouvidos de Asy gritos desafinados enquanto, de joelhos no chão, tentava se levantar. No céu, criaturas negras sobrevoavam a área em alta velocidade, rindo, tagarelando, sacudindo uma espécie de bandeira. À luz das poucas lâmpadas que ainda estavam acesas, Ash viu Red correndo para a floresta, fugindo de alguma coisa que avançava pelo estádio em sua direção, alguma coisa que emitia estranhos lampejos e ruídos que lembravam tiros. Caçoadas em voz alta, risadas e berros de pessoas machucados se aproximavam; depois uma forte explosão, que iluminou a cena.

          Um grupo de pessoas com máscaras de palhaço, que se moviam ao mesmo tempo, vinha marchando pelo estádio. Ash apertou os olhos para enxergá-los... a máscara não tinha muitos detalhes... então ele percebeu que tinham as cabeças encapuzadas. No alto, pairando sobre ele no ar, quatro figuras se debatiam, forçadas a assumir formas grotescas. Era como se as pessoas com máscaras de palhaço fossem titereiros e as criaturas no alto, marionetes movidas por cordões invisíveis. Mais criaturas foram se reunindo ao grupo que marchava, riam e apontavam para alguns corpos da multidão que berravam de dor no chão frio. Pokémon caíam e se machucavam à medida que a multidão engrossava.

          — Que coisa doentia — murmurou Serena, agora ao lado de Ash, ajudando-a a se levantar. Ela observava uma criança rodopiar feito um pião, quase vinte metros acima do chão, a cabeça sacudindo molemente de um lado para outro — Que coisa realmente doentia... Levante-se, Ash, precisamos ajudar o pessoal a sair. Eles vieram cumprir o que prometeram a nós — Quando Ash finalmente se firmou em pé, Serena se virou para Brock, Gardenia, Yellow e Whitney — Vocês... vão para a floresta e fiquem juntos. Vamos apanhá-los quando resolvermos este problema aqui! Protejam as pessoas que correram para lá assustadas, certo? Red está também, encontre-o, ele não pode fugir!

          — Serena... — sussurrou Ash, a voz fraca, fanhosa, mal soletrava as palavras.

          Gardenia e Whitney já estavam correndo em direção aos baderneiros que se aproximavam; Brock saiu depressa em direção a Yellow. As policiais Jane convergiam de todas as direção para o foco do problema. A multidão acelerada e assustada, desta vez ainda mais violenta, se aproximava sempre mais...

          — Anda, Ash, precisamos ir — disse Serena, agarrando a mão do esposo e começando a puxá-la para a floresta. Eles olharam para trás ao alcançarem as primeiras árvores.

          Os manifestantes eram mais numerosos que nunca; Serena e Ash viram os policiais tentando chegar ao grupo de pessoas com máscara de palhaços no centro, mas encontraram grande dificuldade. Aparentemente estavam com medo de usar os golpes mais poderosos dos seus Pokémon e ferirem ainda mais as pessoas. As lanternas coloridas que antes iluminavam o caminho para o estádio tinham sido apagadas. Vultos escuros andavam perdidos entrem as árvores; crianças choravam; ecoavam gritos ansiosos e vozes cheias de pânico por todo o lado no ar frio da noite. Ash se sentiu empurrado para cá e para lá por pessoas cujos rostos ele não conseguia distinguir. Ele ouviu Serena dar um berro de dor.

          — Que aconteceu? — perguntou Ash ansioso, parando tão abruptamente que quase tropeçou — Serena, onde é que você está? Ah, mas que barbaridade... O que você está fazendo aqui, Jessie?

          Uma mulher com um sorriso malicioso e delineado de uma bochecha a outra o olhava de cabeça erguida. O cabelo liso avermelhado esvoaçante por causa da ventania, os olhos cheios de lágrimas encharcando seus cílios. Estava irreconhecível. Não era mais a mesma pessoa. Algo em suas expressões denunciava suas verdadeiras intenções, o que a motivara a atacar Serena, e o que a motivara a estar ali, naquele lugar. Ash temeu, os olhos arregalados de susto, o corpo ainda ferido, fraco, o boné surrado solto no chão... Serena se levantou com a ajuda de um galho de árvore, ergueu os cabelos e viu Jessie. O terror também a dominou e ela se deixou levar pelos instintos.

          — Faz muito tempo, Jessie — Serena caminhava com passos rápidos em direção a Ash, que a esperava de cabeça baixa, a mão erguida em direção ao corpo da amada, implorando por ajuda. Serena pegou sua mão antes que ela caísse, depois a colocou sobre o seu pescoço, sustentando o peso de Ash sozinha — Desculpe, mas infelizmente não estamos com tempo para apreciar sua visita. Volte outro dia, sim?

          Ash e Serena se viraram rapidamente, procurando fugir, mas foram atacados por várias energias maciças minúsculas, que os fez fraquejar enquanto caminhavam. Ash disse a Jessie que fosse fazer uma coisa que Serena sabia que o esposo jamais teria se atrevido a dizer na frente dos seus filhos.

          — Olha a boca suja, Pirralho — disse Jessie, seus olhos claros reluzindo — Não é melhor você se apressar, agora? Não quer que descubram o que sua marido fez, não é, Serena? — ela indicou Ash com a cabeça e, neste instante, ouviu-se no estádio uma explosão como a de uma bomba, e um relâmpago amarelo iluminou momentaneamente as árvores à volta deles.

          — Que é que você quer dizer com isso? — perguntou Serena em tom de desafio.

          — Serena, eles estão caçando lideres dos rebeldes — disse Jessie — Você vai querer mostrar seus podres no ar? Porque se quiser, fique por aqui mesmo... eles estão vindo nessa direção, e todos vamos dar boas gargalhadas, ao menos que eu impeça isso. Você não sabe ainda, mas eu tenho privilégios e alguns favores que ofereci de bom grado ao governo, de certo eles não me impediriam caso eu quisesse fazer isto com as minhas próprias. Que, se quer minha opinião, é o que quero fazer. Vocês me devem muito! E eu vim me vingar...

          — Ash não tem culpa com o que aconteceu ao James — rosnou Serena.

          — Ele não tem culpa? — Jessie se enfureceu, mordeu os lábios com tanta força que o sangue escorreu pelos seus lábios, e era impossível distingui-lo do batom vermelho — Foi por sua culpa, Ash. Quem mandou você planejar aquele plano furado de quinta categoria? Estava na cara que todos iriam fracassar, mas você insistiu, você se aproveitou da boa vontade de James e o mandou para a concentração dos guardas do governo.

          — Ele que me pediu, Jessie... — sussurrou Ash com fraqueza, sua voz quase não era ouvida.

          — Mentiroso!

          — Deixa pra lá, Serena — disse Ash depressa, agarrando a esposa com dificuldade pelo braço para contê-la, quando ela fez menção de avançar em Jessie. Ouviu-se um estampido do outro lado das árvores mais alto do que qualquer dos anteriores. Várias pessoas que estavam próximas gritaram.

          Jessie deu um risinho abafado.

          — Vocês se assustam à toa, não é? — disse com a fala mole — Imagino que o seu mestre disse a você para se esconder depois que tudo acontecesse, né? Que é que ele está fazendo agora, tentando salvar as pessoas que estão morrendo naquele estádio? Ah, esqueci, ele também morreu tentando salvar sua vida. Você não consegue ver o tanto de mal que fez a todos ao seu redor, Ash? Desde que venceu aquela liga ridícula, desde que deixou de ser um mísero pirralho, você se engradece mais do que lhe cabe.

          — Pare de falar besteiras, Jessie, ou não vou responder pelas minhas atitudes — disse Serena, a raiva crescendo, quase fumegando — E onde estão os membros da sua organização? Lá no estádio, usando máscara de palhaço, é isso?

          Jessie virou o rosto para Serena, ainda sorrindo — Ora... se eles estivessem, eu não iria dizer a você, não é mesmo, Serena? E eu gostei do que você disse. Não responderia pelas suas atitudes? E desde quando você fez isso, sua imbecil? Querendo ou não, eu vim aqui me vingar e não vou deixar que vocês fujam. Você vai pagar, Ash, por ter tirado a vida de James. Por ter o arrancado de mim.

          — Não se atreva, Jessie, ou vou ter que...

          — Eu quero ver o que você vai fazer para tentar me impedir. Lopunny, mostre do que estou falando!

          Lopunny apareceu, com as patas cravadas sobre o solo arenoso e esburaco, solenemente. Parecia compartilhar das mesmas expressões da sua treinadora: confiança, raiva, fúria e pena. Serena não se lembrava de já ter visto um Pokémon tão magnífico e belo. Os pelos de Lopunny brilhavam por conta das explosões de luzes amareladas e esverdeadas que chamuscavam por todos os lados. Seus olhos, negros, redondos, profundos, miravam especificamente em apenas uma pessoa: Ash.

          — Quanto tempo será que você vai aguentar? — perguntou Jessie. Sua voz revelava certo nervosismo.

          Serena recuou alguns passos, assustada.

          — Não imaginava que eu fosse cumprir minha promessa, não é? Recuar não vai salvá-la. Lopunny, use Return. Acerte Serena diretamente, mire no corpo todo, não precisa machucar Ash, não agora.

          Ash colocou as duas mãos no chão. Segurou o capim do solo com bastante força e gritou, tentando se levantar a tempo de proteger Serena, mas foi em vão. O ataque foi rápido demais. Um impacto perpassou as pálpebras de Ash e ele ouviu alguma coisa pesada cair no chão ao seu lado; a dor do seu corpo atingiu tal intensidade que ele teve ânsias de vomitar, em seguida diminuiu; aterrorizado com o que iria ver, ele abriu os olhos ardidos.

          Serena estava estatelada no chão ao seu lado, os braços tentando apoiar o corpo para que ele não desabasse no chão de vez. Por um segundo que continha toda a eternidade, Ash fitou o rosto da amada, seus olhos cinzentos abertos, vidrados e expressivos como as janelas de uma casa deserta, a boca entreaberta num esgar de surpresa. Então, antes que a mente de Ash pudesse aceitar o que seus olhos viam, antes que pudesse sentir alguma coisa além de atônita incredulidade, ele sentiu Serena se levantar.

          — Continua de pé, não sabia que era tão resistente — murmurou Jessie, que se aproximava de Serena. Ash colocou a mão para impedi-la, mas ela o chutou com bastante força, arremessando-o para longe. Serena ouviu uma respiração rápida e rasa se aproximando dela; ela se debateu e Jessie lhe deu uma bofetada – uma bofetada com uma mão à que se destacava uma cicatriz. E Serena percebeu de quem Jessie era aliada...

          — Eu não posso batalhar contra você... — sussurrou Serena...

          — Claro que não pode! Lopunny, use High Jump Kick e arremesse Serena para longe de mim!

          Lopunny saltou com uma velocidade absurda. Pegou impulsou com a ajuda do barro e saiu em disparada em direção a Serena. Jessie correu para o lado, deixando o caminho livre para o seu Pokémon. Serena mal conseguiu pensar em esquivar, logo foi atacada por um chute tão forte e violento que ela precisou cuspir. Ela saiu rolando para perto de onde Ash estava, inconsciente. Lá ficou, impotente, fraca, sem conseguir proteger a si mesmo e aquele que amava. Jessie gargalhou, vitoriosa, Lopunny ao seu lado. Ela jamais pensou que seria tão fácil... Logo Ash Ketchum, o grande líder dos rebeldes do Sul, o idolatrado, o imaculado, o intocável... Agora não passava de um meres mortal.

          — Lopunny, acabe com isso de uma vez. Cumpra minha vingança. Focus Blast!

          Lopunny abaixou um pouco os joelhos para pegar equilíbrio e começou a formar uma esfera de energia na palma das suas duas mãos juntas. O brilho encandeou a escuridão da floresta e Jessie era capaz de ver as pessoas correrem com medo, assustadas, sem ao menos saber para onde iam. Mas aquilo não a incomodava, na realidade, nem ao menos atraia sua atenção. Ela só queria se vingar, nada mais que isso. Depois que seu desejo se realizasse, estaria satisfeita. Lopunny concluiu a concentração de energia e, com apenas uma mão, ela saltou e arremessou o poder em direção a Ash e Serena.

          Mas o golpe nem ao menos fez sombra sobre os dois...

          Pikachu saltou e ficou entre o poder e os seus donos. Deu uma cambalhota e aumentou sua calda quatro vezes mais que o normal, transformando-o em um ferro afiado e resistente. Com isso, ele cortou aquela energia em duas bandas, atirando-as para longe do lugar de batalha e deixando Ash e Serena protegidos.

          — Pikachu você não pode fazer nada para me impedir. Lopunny, use Return!

          Pikachu foi arremessado para longe de Ash e Serena. E, no chão, ele ficou. Serena, que acabara de ficar de joelhos, sustentando o corpo apenas com as mãos, não respondeu de imediato; seus dedos tremiam descontrolados, apalpando a grama. Uma vez convencida de que Pikachu estava bem, Serena se levantou totalmente, tirou um pano branco de dentro do bolso da sua calça e limpou seu rosto sujo de lama; depois, sem dizer palavra, virou as costas e se afastou depressa de Ash; a garota não conseguia emitir som algum; não conseguia virar a cabeça para ver além das árvores; só podia ver o que estava diretamente em frente. Jessie se encontrava a uns seis metros de distância. Mais adiante, refulgiando à luz das estrelas, o fogo se alastrava queimando as árvores. As pessoas continuavam ali perto, junto as árvores, se protegendo. Algumas pareciam pedir por socorro. Serena observou-as e seu coração queimou de dor... e, de repente, ela concluiu que não queria ajudá-los... não queria que seu fardo aumentasse... Serena ouviu, então, um ruído em cima de si. Levantou os olhos e viu Lopunny em cima de uma árvore gigantesca. Sua respiração asmática e rápida estava se tornando mais ruidosa agora. Mas ela sabia o que iria fazer...

          — O que pretende, Serena? Não pode salvar Ash! Lopunny, Return!

          Serena foi arremessada para mais perto de Ash agora. Ela novamente, com as pernas machucadas, o joelho sangrando, se reergueu, olhou, com lágrimas nos olhos para Jessie, e não se conteve.

          — Você é melhor do que isso, Jessie! Por favor, nos deixe em paz. Para de nos machucar. Não quero brigar com você. Eu só quero salvar minha família. Eu não sei se meus filhos estão bem, não sei se meus amigos se salvaram, e se os guardas do governo nos apanhar, eles vão levar Ash. O que será de mim? O que será dos meus filhos sem o pai deles, Jessie, me diga?

          — E agora que você diz isso? E James, vocês pensaram em James? Pensaram em mim? No Meowth?

          — O James pediu, Jessie, acredite...

          — Parem de falar asneiras, seus pirralhos. Lopunny, Return!

          — Desculpe, Jessie, mas não posso deixar que você nos machuque mais. Delphox, nos proteja!

          Delphox, assim que saiu de sua Pokébola, seus olhos ferozes se fixaram em Lopunny. Ela ergueu a barinha antes que sua adversária pudesse fazer alguma coisa para se defender, antes que pudesse sequer se mexer, e Lopunny foi atingida por um golpe de fogo em forma de Salamandra, que a envolveu dos pés até a ponta da cabeça. A dor foi tão intensa, e tão devastadora, que Lopunny já nem sabia onde estava... facas em brasa perfuravam cada centímetro de sua pele, sua cabeça, sem dúvida alguma, ia explodir de dor; ela gritava mais alto do que jamais gritara na vida... Então tudo parou. Lopunny se virou e tentou ficar em pé; tremeu descontrolado, cambaleou para os lados na direção da sua treinadora, e Jessie a olhou petrificada.

          — Nunca. Mais. Ouse. Machucar. A. Minha. Família, Jessie. Delphox, Psyshock! — disse Serebam as narinas se dilatando de excitação — Isso doeu, não foi? Você não quer que eu faça isso outra vez, quer? Delphox não ataque ainda, por favor. Jessie, me escute. Eu não quero machucá-la. Não quero batalhar. Só te peço que nos deixe ir em paz, Ash precisa de ajuda médica, e meus filhos precisam dos seus pais. Prometo que nada vai acontecer a você...

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          — Você promete demais, Serena! — gritou Jessie, os olhos cheios de lágrimas — É ai que está o erro. Lopunny, contra ataque, use Focus Blast!

          Lopunny, ainda se recuperando do ataque anterior, se esforçou para ficar de pé e formou uma esfera de energia embranquecida, que não se comparava com o tamanho da interior. E, com apenas uma mão, a arremessou em direção a Delphox. O Pokémon de fogo, com a varinha de madeira em punho, atiçou-a duas vezes e vários pedaços de metais cobertos por uma aurea lilás a protegeram do dano. Posteriormente, com movimentos rápidos Delphox contra atacou com outro balaço da sua varinha. E Lopunny teve, pela primeira vez na sua vida, a sensação de que todos os pensamentos tinham se apagado de sua mente... Ah, foi uma felicidade, não pensar, foi como se estivesse flutuando, sonhando... apenas responda "eu desisto"... diga "eu desisto"... apenas responda... Não direi, falou uma voz mais forte no fundo da cabeça de Lopunny, tentando ajudá-la a vencer o poder hipnótico de Delphox... apenas responda "eu desisto"... Não vou responder, não vou dizer isso... Apenas responda "Eu desisto"...

          — ELA NÃO VAI RESPONDER COISA NENHUMA, SERENA! — E essas palavras explodiram da boca de Jessie; ecoaram pela floresta agora basicamente vazia, e o estado onírico em que Lopunny mergulhara se dissolveu repentinamente como se tivessem lhe atirado um balde de água fria – renovaram-se as dores que a Salamandra de fogo deixara por todo o seu corpo –, renovou-se a consciência de onde estava, do que estava enfrentando...

          — Não vai, Jessie? Deixa-a desistir, não quero machucá-las! — disse Serena suavemente — Não vai dizer? Jessie, a obediência é uma virtude que preciso lhe ensinar antes de lhe ajudar a se libertar desse mal... talvez mais uma dosezinha de dor, Jessie, vai fazer com que você caía na real.

          Delphox ergueu a varinha, mas desta vez Lopunny estava preparada; com os reflexos nascidos da prática em guerras a mando do governo inimigo, ela se atirou para um lado no chão; rolou para trás de uma árvore e a ouviu rachar quando o feitiço errou o alvo.

          — Não estamos brincando de esconde-esconde, Jessie — disse a voz suave e fria de Serena, aproximando-se, enquanto Delphox preparava um novo ataque — Você não pode se esconder... Será que isso significa que já se cansou do nosso duelo? Será que significa que você prefere que eu o encerre agora, Jessie? Saia daí, Lopunny... saia e venha enfrentar o que você começou, então... será rápido... talvez até indolor... Eu não saberia dizer...

          Lopunny continuou agachado atrás da árvore e percebeu que chegara o seu fim. Não havia esperança... nenhuma ajuda de ninguém. Quando ouviu Delphox chegar ainda mais perto, ela soube apenas uma coisa que transcendeu o medo e a razão – ela não ia ser derrotada agachada ali como um Pokémon indefeso; não ia ser derrotada ajoelhada aos pés de Delphox... ia morrer lutando, ia ser derrotada tentando se defender, mesmo que não houvesse defesa alguma possível... Cadê sua treinadora, que não dizia mais nada?

          — Saia daí, Lopunny. Você melhor do que ninguém sabe que estamos preparadas para tudo. Serena, sua pirralha, você não sabe do que está reservado para você. Prepare-se, pois agora não terei piedade de você. Lopunny, transceda o nível do seu poder. Mega Shinka!

          Antes que Delphox pudesse meter a cara atrás da árvore, Lopunny se levantou... Uma energia superior a tudo que ela já sentiu antes, a dominou. A fez se ajoelhar perante a floresta e abaixar a cabeça. Jessie fechou os olhos, ergueu a pedra da mega evolução e ela trascendeu e ultrapassou a barreira da realidade. O poder iluminou o céu, a floresta, tudo ao redor dela, deixando ciente a todos que algo acontecia ali. Lopunny foi abocanhada pela energia liberada pela pedra e gritou, mas não de dor, mas de um extasse inenarrável. Suas orelhas cresceram, seu pelo brilhoso sumiu, e Mega Lopunny se ergueu ingreme, absoluta...

          Quando Serena gritou "Overheat", Jessie gritou "Focus Blast".

          Um jorro de luz avermelhada e coberta de fogo saiu da varinha de Delphox na mesma hora em que um jorro de luz branca em forma de esfera disparou das mãos de Lopunny. E os dois se encontraram no ar –, e de repente, a varinha de Delphox começou a vibrar como se uma descarga elétrica estivesse entrando por ela; sua mão estava presa à varinha; ela não teria podido soltá-la se quisesse. E um fino feixe de luz agora ligava os dois poderes, nem vermelho e nem branco, mas um dourado intenso e rico. E então – nada poderia ter preparado Delphox para isso – ela sentiu seus pés se elevarem do chão.

          — Isso é mais uma arma que eu estava preparando para o fim. Lopunny, descarregue tudo!

          A varinha de Delphox voou para o mato alto e ela, como se fosse uma boneca de trapo, voou em direção a Serena, que caiu, batendo a cabeça na árvore. O fio dourado que ligava os poderes se fragmentou: embora os poderes continuassem ligados na atmosfera do ar, mil outros fios brotaram e formaram um arco sobre os dois, e foram entrecruzados a toda volta, até encerrá-los em uma teia dourada como uma redoma, uma gaiola de luz, para além da qual os guardas do governo rondavam como chacais, seus gritos estranhamente abafados.

          — Eles chegaram, finalmente. Ash será levado... — concluiu Jessie sorrindo.

          — Você está enganada, Jessie. Eu prometi aos meus filhos que eu voltaria. Eu prometi que os protegeria de tudo. Eu prometi que Ash voltaria para casa comigo. E não vai ser você e nem ninguém que irá me impedir de cumprir minha promesa. Todo esse tempo eu tentei ter misericórdia com você. Eu sabia que nada disso teria acontecido se James ainda estivesse vivo. Mas infelizmente, Jessie, minha família vem em primeiro lugar. E se você quer parar por bem, vai parar por mal.

          — E o que você acha que vai fazer nesse estado, Serena? Me poupe! Lopunny, acabe com isso! Return!

          Mas Delphox se reergueu, com a chama acesa. Seu corpo todo queimava, como se estivesse dentro de um redemoinho. De repente a imagem de Delphox se uniu com a de Serena, a mesma coisa que aconteceu com o Greninja de Ash, no passado, quando ele venceu a liga. Serena e seu Pokémon se tornaram um só. E o poder, visivelmente, ultrapassava as barreiras da mega evolução.

          — A brincadeira acabou! Delphox, Overheat!

          E Jessie se ajoelho no mesmo instante. E a única coisa que ela ouviu foi o fogo dominar Lopunny e, consequentemente, arremessando-a em direção a sua treinadora. Jessie e Lopunny cairam, e o fogo começou a dominá-las de uma forma brutal.

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4 comentários:

  1. Está magnífico, não sei nem o que dizer. Só ficou um pouco pesado sendo que eu ñ tenho o costume de ver em pokémon a treinadora os seu monstrinho de bolso serem queimadas vivas, mas ñ isso que vai estragar a história.

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    1. Edulipe, isso é porque você não deve ter lido o mangá Pokemon Adventures, disponível aqui na PBN. Leia e você certamente vai se acostumar rapidinho xD

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  2. Viu, essa Serena adulta tá uma coisa de louco, muito bem feita!

    Fikdik: Nada é mais terrível que uma esposa zangada, que dirá duas!

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  3. Sensacional, amei, ficou ótimo, parabéns

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