Review SPECIAL - Pokémon: Black & White #4

Continuando as festividades de cinco anos da PBN, trago hoje a quarta review de Pokémon: Black & White, o mangá de Pokémon que adapta as aventuras dos Treinadores em Unova.
Este volume 4 é o meu favorito da saga atual, cheio de muita emoção, então espero que eu tenha conseguido transmitir minha empolgação com a leitura através deste meu texto ♥ que foi originalmente publicado em 06 de abril de 2015 no meu blog.

Pokémon: Black & White #4

Por ter tendência de assistir tudo muito depois de todo mundo - o que sempre gera reclamações de meus amigos que querem comentar os acontecimentos mais recentes comigo -, não é raro eu receber spoilers aqui e ali. No caso de Pokémon: Black & White, eles são menos culpa minha do que da janela imensa que existe entre os lançamentos dos capítulos no Japão e aqui no Brasil. Portanto, já faz algumas semanas que eu tinha ciência de um grande evento desta saga: Pipig abandonaria White e seguiria com N. O lance dos spoilers, porém, não é tanto saber o que acontece, mas como acontece e desde então tenho lido prestando bastante atenção a essas duas personagens.
A Ascensão e Queda de White

Não foi preciso mais que uma olhada na capa desta quarta edição (Volume 46 na contagem japonesa) para saber que o tão aguardado momento havia chegado. Numa imagem que já dá pra dizer ser a mais linda, memorável e emblemática de todas, é resumido muitíssimo bem os eventos principais desta edição do mangá. White é a personagem central deste volume, mas o fato de estar tão pequena em relação aos outros na capa só serve para enfatizar o quão diminuta a personagem se sente no momento de sua queda (além do fator estético, claro, de que ela não caberia de corpo todo sem deixar a imagem muito poluída =P).
Ao fundo, N, o homem por trás (literalmente) de toda a situação. Seu olhar impassível reflete sua tão grande certeza de ter feito a coisa certa. A forma como suas mãos são desenhadas, como se ele regesse uma orquestra (o que remete ao comentário de Yamamoto lá na introdução do Volume 2 desta saga) ou como se controlasse marionetes, parece refletir como ele manipulou a situação totalmente a seu favor. Temos também Black: uma parte de si completamente voltada para o problema de White, mas seu Pignite claramente focado nas batalhas refletindo os dilemas do próprio personagem nesta edição, além das presenças significativas de Servine e Victini (presente mais pelo seu status de Pokémon Mítico do que pela relevância).
  
Pokémon: Black & White tem sido um mangá maravilhoso de acompanhar e talvez grande parte disso venha do fato de que sua atração principal são seus personagens. Em RGBY e GSC, os personagens recebiam atenção decente, mas a trama principal sempre vinha em primeiro lugar, então o que temos é basicamente Red, Green, Blue, Yellow, Gold, Silver e Crystal agindo do mesmo jeito do começo ao final da série, com alguns leves amadurecimentos acontecendo aqui e ali. Black e White, porém, são a atração principal de sua saga. Se o Volume 1 concentrava-se exclusivamente em apresentar o rapaz e o 2 em mostrar White e como ambos eram completos opostos, o Volume 3 mostrou como a presença de um foi mudando diretamente a vida e a personalidade do outro. Eles aprendem a conviver com suas diferenças e vão passando a se admirar mutuamente. Mais que isso: eles passam a se importar profundamente um com o outro.
Depois de White ter a oportunidade de assistir ao triunfo de Black sobre Burgh, agora é hora do rapaz sentar no banco do carona enquanto a chefe toma as rédeas do Musical Pokémon. Depois de vermos White sugerir a nova atração de Nimbasa no volume anterior, nos é revelado que ela também ficou encarregada de liderar uma equipe para colocar o projeto para funcionar (ninguém conseguia sem ela). Com a cidade lhe fornecendo o dinheiro necessário, White lidera seu time de organizadores para estabelecer como o musical funcionaria: os temas musicais, os cenários, os acessórios que os Pokémon usariam e até as apresentações iniciais para atrair a atenção do público. Seu espírito de liderança não apenas deixa Black, mas o povo da Cidade de Nimbasa, em especial Elesa, muito impressionados e a quantidade absurda de sonhos que lhe tomam a cabeça atraem um faminto Musha mais que uma vez (um detalhe maravilhoso).
A modelo profissional e Líder do Ginásio de Nimbasa se torna uma grande admiradora do senso de liderança e confiança da chefe da Agência BW e as duas desenvolvem um ótimo relacionamento. Elesa ajuda White em tudo aquilo que ela precisa, inclusive adiando a batalha com Black para poder ficar totalmente disponível para o que a chefe precisar, fazendo a primeira apresentação do Musical Pokémon, com lisonjeio, a convite da própria White. Ainda assim, a Líder não deixa que a amizade amoleça suas exigências sobre sua nova amiga, não permitindo que Black use seu Modo Detetive para ajudá-la em um momento de crise - o que também demonstra grande confiança na capacidade de White de cuidar de si mesma.
A própria garota demonstra um grande nível de exigência consigo mesma. Ela não aceita terminar o Musical Pokémon de uma forma diferente da que planejou, se dando ao trabalho de pagar com dinheiro da sua própria agência o Serviço de Entregas aéreo de Mistralton para fazer uma entrega emergencial de acessórios para distribuir para o público do evento - afinal, são eles quem farão o show de amanhã. Em todo o processo, White demonstra um senso de liderança muito forte e grande determinação. Ela acaba gritando com umas pessoas no processo e se estressando, mas isso porque, apesar de jovem, White sabe o peso da responsabilidade e é extremamente comprometida naquilo que faz e é por isso que o primeiro dia do Musical Pokémon é um imenso sucesso!
Porém, se a capa do mangá já não reforçava a ideia o bastante - assim como a pequena introdução de Kusaka -, os grandes sucessos da garota são intercaladas com frases misteriosas que parecem querer não só instigar a curiosidade dos leitores para o próximo volume, mas também prepará-los para algo ruim que se aproxima (afinal quando esses capítulos foram originalmente lançados, não foram nesses volumes, mas em revistas periódicas diferentes). E é então que, antes de sequer poder se recuperar do cansaço gerado por uma estreia perfeita para o Musical Pokémon, White se vê diante de ninguém mais ninguém menos que N!

Logo no começo de Pokémon Black & White Versions, N surge como uma grande incógnita. Seu discurso se assemelha ao da Equipe Plasma e sua música e suas aparições certamente tem o poder de impressionar e até assombrar o jogador, porém ele nunca parece alguém mau. Sua afiliação à equipe que busca a libertação dos Pokémon é uma incógnita até ele te puxar para uma roda gigante e fazer a revelação, da forma mais sinistra o possível, de que na verdade é o rei da Equipe Plasma! A cena se tornou uma das mais memoráveis da franquia e Kusaka tomou a decisão certa ao usá-la para o momento mais crucial nesta jornada de White.
Pokémon sendo abandonados por seus Treinadores é uma visão comum, especialmente quando já vimos acontecer tantas vezes no anime, mas um Pokémon virar as costas para seu Treinador é algo raro, afinal o que poderia levar um monstro de bolso a abandonar seu parceiro humano a quem ele segue com tanta fidelidade? Em todos esses anos de anime, algumas situações foram apresentadas. O Marowak de Otoshi abandonou seu Treinador depois que este perdeu todas as Insígnias que ambos obtiveram com tanto esforço para a Equipe Rocket. O Froakie de Ash havia abandonado e sido abandonado porque não conseguia entender nem ser compreendido pelos seus Treinadores originais.
Mas, e a Pipig? Que motivo ela poderia ter para trocar White por N? Ao longo desses três volumes em que acompanhamos as duas, fomos testemunhas de sua amizade e do imenso carinho que a jovem agente tinha por sua Pokémon: ela fazia questão de lhe pagar os melhores hotéis, massagens e mimá-la das mais diversas formas, inclusive mantendo-a afastada de qualquer confronto que pudesse machucá-la. O problema é que, ao tratar Pipig com tanta preciosidade, White acabou negligenciado o instinto básico de uma Pokémon: batalhar. E isso remete a uma outra Pokémon, do anime, que outrora abandonara o lar cheio de paparicos em que vivia para buscar uma vida cheia de aventuras: a Snubbull Preciosa!
O problema de N com batalhas é certamente a maior falha na trama tão bem costuradinha de Pokémon Black & White. Afinal de contas, ao longo de todos esses anos essa era tratada como algo não apenas natural aos Pokémon, mas é o único meio aparente que o misterioso Treinador tem para conseguir ouvir a voz dos Pokémon. Além disso, sua reprovação a batalhas se torna uma grande hipocrisia considerando que, só nesses jogos, ele tem um total de cinco batalhas só contra o protagonista, usando ao todo um total de 18 Pokémon diferentes no processo!
Se o N dos jogos certamente poderia admirar White por proteger sua Pipig de machucados, o N do mangá não é nem um pouco tão tapado (como eu interpretara mal no charithought da segunda edição). O diálogo que White e o rapaz trocam dentro da roda gigante é excelente porque mostra um homem que verdadeiramente procura entender o mundo ao seu redor e não apenas mostra o valor da garota como também expõe a motivação por trás de seus sonhos. Não há como N acusar que o Musical Pokémon seria apenas mais uma forma humana de dobrar os Pokémon aos fetiches estranhos dos humanos diante do argumento tão sentimental e sincero de White de que sua ideia partiu de uma experiência na infância, em que ela testemunhou um Cubchoo que livremente subiu no palco de uma apresentação musical porque queria fazer parte daquilo.
Porém, N é igualmente honesto e coerente quando diz que Pokémon como aquele Cubchoo são uma exceção e que o grande pecado da Treinadora é negligenciar aquele fator que é natural a todos os Pokémon: o direito de batalhar. Diferente de suas contrapartes, o N do mangá é contra humanos usarem Pokémon, mas é a favor das batalhas como um instinto básico e necessário ao seu desenvolvimento. A forma que o rei da Equipe Plasma utiliza para expor seu argumento - atacando Pipig com a Servine - é genial porque expõe duas grandes verdades: a primeira a de que, ao não preparar Pipig para confrontos e batalhas, White tornou-a extremamente vulnerável (algo que já havíamos testemunhado antes, como no primeiro confronto com N em Accumula) e a segunda a de que a Pokémon tem um potencial e um desejo para batalhar (algo que também já podia ser observado na forma como Pipig admirava o progresso que seu parceiro Nite vinha fazendo).
Kusaka e Yamamoto também são precisos ao mostrar que, logo após conseguir atacar Servine e causar algum dano considerável, Pipig fica não apenas feliz, mas sua primeira reação é olhar para White. Ela está feliz consigo mesma e orgulhosa e vira para sua Treinadora em busca de uma aprovação ou elogio… que vieram somente de N. A reação da garota ao ver aquele lado de Pipig aflorando foi de medo, insegurança e desespero. White viu ali uma ameaça aos seus próprios sonhos. E se Pipig decidisse que poderia vencer o Campeão? Poderia White ajudá-la naquele sonho? E o quanto isso atrapalharia a Agência BW? São esses pensamentos que fazem com que White abra a porta da roda gigante e, num ato desesperado, convide sua Pokémon para saltar. O problema é que ao só levar em conta seus próprios sentimentos, White confirmou que N estava certo e a decisão de Pipig de não pular com ela, mas seguir com N pareceu de repente extremamente justa.
É preciso muita coragem para justificar que uma Pokémon abandone seu Treinador, especialmente se este for um dos protagonistas da história e Kusaka e Yamamoto fizeram-no com maestria! Apesar de reconhecer o erro de White, é impossível não entender a pressão que ela sentiu por estar presa ali com alguém que ela enxerga como potencialmente perigoso e ameaçador, ou o desespero que lhe atingiu quando sua Tepig começou a ser atacada e ela simplesmente se sentiu a pessoa mais indefesa do mundo. É impossível não lamentar a queda, quando White não apenas vê sua amada Pokémon lhe dar as costas, mas cai de uma altura considerável para o chão, sozinha e absolutamente sem algum consolo, com apenas um trauma em sua mente.
Da mesma forma, seria injusto alimentar qualquer sentimento de hostilidade pela atitude de Pipig. Não importa o quanto alguém te ame, se essa pessoa te impede de ser você mesmo e viver seus sonhos, então certamente vai chegar o momento em que você terá que escolher entre você mesmo e a outra pessoa a quem você quer agradar. Pipig fez sua escolha e é uma escolha justa, afinal Pokémon também são seres com sentimentos e vontades próprias. White teve o seu momento de triunfo e sua queda. E que trabalho de narrativa maravilhoso roteirista e ilustrador conseguiram realizar!

Os desafios de Black

Apesar de White ter certamente o maior destaque neste volume, Black continua sendo nosso bom e velho protagonista. O primeiro capítulo de Pokémon: Black & White #4, "VS Victini - Farol", nos mostra Professora Juniper finalmente conseguindo entrar em contato com o portador da Pokédex e lhe passando instruções para visitar o Jardim da Liberdade para investigar o Pokémon mítico Victini. Baseado na aventura promocional dos jogos Black & White, trata-se de uma história bem simples de encontro com a Equipe Plasma e apresentação de Pokémon lendário que serve para provar à professora a real serventia do garoto para sua missão.


Além disso, é legal o pequeno flashback de Cheren insistindo que seu amigo fosse recrutado para a missão. Apesar de não ser informação nova, saber que o rapaz sério insistiu de forma tão veemente serve para nos mostra o quanto ele admira Black e acredita nele. É uma pena também que esta seja a única aparição tanto dele quanto de Bianca nesta edição, afinal é em Nimbasa que temos o acerto de contas entre Bianca e seu pai nos jogos, mas acredito que Kusaka fez o mais certo ao focar esses capítulos mais em Black e White e suas evoluções. Além do mais, temos uma cena do Professor Juniper com um Samurott que deixa um mistério no ar.
Falando em introdução de personagens, é neste volume que somos introduzidos a dois dos quatro membros da Elite dos 4 de Unova, ao Campeão e aos Mestres do Metrô! Se os Líderes de Ginásio já ganham uma participação maior na trama nos jogos mais recentes, os membros de Elite ainda ficam muito tempo confinados na Liga Pokémon, com pouco ou nenhuma oportunidade de permitir que os conheçamos melhor fora de suas funções. Isso acaba permitindo aos responsáveis pelas adaptações uma maior liberdade na forma como abordar tais Treinadores. Se a decisão do anime consiste em basicamente fingir que a maioria deles nem existe, o mangá aproveita para lhes tornar personagens, no geral, interessantíssimos!
Autor desconhecido

É ótimo o clima de mistério que Kusaka e Yamamoto usam para cobrir a verdadeira identidade de Grimsley em sua estreia em "VS Bisharp - Deserto". Algumas pistas estão ali, como os jogos de sorte e o próprio Bisharp, mas tais detalhes podem muito facilmente passar despercebidos justamente pela falta de destaque que é conferida a elas nos próprios games. O especialista em tipos Noturnos também demonstra grande astúcia ao usar seu joguinho com Black para capturar o intruso da Equipe Plasma na tempestuosa Rota 4 e ainda descobrir que eles tramam algo no Castelo Relíquia (algo que neste volume não passa de um breve vislumbre no Resort do Deserto, com os Darmanitan adormecidos em Modo Zen e as Barras Doce da Fúria e a revelação de que Ryoku dos Sete Sábios está atrás de Volcarona para propósitos ainda desconhecidos).

A interação de Grimsley com Black também é outro momento de ouro nos dois capítulos em que o Elite aparece. Primeiro porque mostra o quanto ambos curtem disputas, independente do que esteja sendo disputado. Segundo porque é legal ver como eles criam um vínculo antes da vindoura luta na Liga Pokémon; acaba dando um significado maior ao desafio. Além disso, o momento em que Grimsley revela sua identidade é seguido por um desafio a Black em que o Treinador tem que apostar algo que lhe seja mais importante e ele imediatamente pensa em suas Insígnias, levando-o a um conflito que lhe causa um pane no sistema.
Há um bocado de foco no Modo Detetive neste volume e em algumas de suas implicações, ainda que ninguém mais fique explicando o que ele é ou como ele funciona - um grande alívio. A habilidade única do Treinador chama atenção de Elesa, que fica curiosa sobre o porquê de o Treinador a usar para resolver o quebra-cabeça do Ginásio, mas não para ajudar a vencer a batalha (ele quer vencer por mérito próprio, sem ajuda externa - motivo pelo qual ele também rejeita a ajuda extra que Victini poderia providenciar com sua Estrela da Vitória).
Falando no Ginásio, é fantástico ver o trabalho que Kusaka e Yamamoto fizeram com a batalha contra Elesa! Se o anime fez deste um dos momentos mais constrangedores do Ash de todos os tempos, ambos roteirista e ilustrador fizeram um trabalho extremamente primoroso. Usar a montanha-russa do Ginásio como uma arena de batalha obrigatória rendeu um dos momentos mais brilhantes desta saga atual! Além de o cenário inusitado permitir estratégias impossíveis num típico local plano - como o ataque que Nite usa para derrotar Emolga -, há um bocado de movimentos inteligentes de ambos os lados - como Black ter ensinado Tremor (Bulldoze) para seu Pignite ou Elesa usando a Bola Elétrica de Tula a seu favor para fortalecer Zebstrika com seu Impulso Motor (Motor Drive) ou apostando na própria Troca Elétrica para atrapalhar as ofensivas do desafiante.
É também neste volume que Kusaka e Yamamoto nos revelam o que acontece quando os muitos pensamentos na cabeça do Treinador se descontrolam e entram em conflito com seu sonho de vencer a Liga Pokémon: ele entra em pane. A análise de Grimsley, de que o Treinador "segue em linha reta até demais" é precisa e funciona até como precursora do segundo dilema que Black enfrenta mais ao final do volume, quando hesita em aceitar desafiar os Mestres do Metrô para respeitar o momento ruim pelo qual White está passando depois de ser abandonada por Pipig.

 
Falando na chefe, é fascinante ver o trabalho feito com Black diante da grande perda sofrida pela sua parceira. Acompanhar como ele oscila do amigo compreensivo e carinhoso para irritadiço e levemente invejoso quando ela decide aceitar o desafio que ele recusou apenas ajudam a reforçar o quão humanos esses personagens são. Afinal, eles são jovens e sentimentos como esses são extremamente comuns. Porém, acima de tudo, é a amizade de Black e White que prevalece e vê-lo ajudando-a a pegar um Pokémon pela primeira vez e, em seguida,  se despedindo, com o rapaz lembrando que ainda trabalha para a Agência BW e prometendo usar a camisa da agência na batalha como ela queria, é um momento extremamente emocionante e apenas reforça o quão próximos esses dois ficaram.
Roteiro e ilustração

A trama de Kusaka continua progredindo de forma suave e muito bem tecida. Além do ótimo desenvolvimento das histórias principais, ela se enriquece ainda mais com as introduções de personagens como Alder e Marshal e seu envolvimento com o surgimento do Metrô da Batalha como a segunda nova atração da Cidade de Nimbasa, focada nas batalhas. Ambos Campeão e membro de Elite são bem apresentados com sua relação de mestre e pupilo e apesar de Alder viver tão despreocupadamente quanto suas contrapartes dos jogos e do anime, ele ainda consegue mostrar alguma seriedade e imponência. É legal também ver como ambos acabam se relacionando com White e Black de forma particulares, seja com Alder atraindo a atenção da garota pela forma como se envolve com Pokémon e atraí-los por isso - mesmo os selvagens - ou com Marshal salvando White e conversando com o garoto sobre como era importante que ele apoiasse sua amiga nessa hora difícil.

Há também uma grande riqueza nos detalhes da trama. É legal Kusaka fazer questão de mostrar, por exemplo, que o Zorua parceiro de N foi o grande responsável pela sabotagem ocorrida no Ginásio - para impedir que Black terminasse sua batalha logo e atrapalhasse o encontro de N com White e o resgate do Plasma que fora detido por Grimsley e estava sob custódia dos jovens. O retorno da Snivy misteriosa do volume anterior - agora evoluída em uma Servine - também levanta muitas questões: por que ela seguiu White? Ela é mesmo uma espiã de N? Ela sentiu empatia pela Treinadora e decidiu cuidar dela?
 
Questões que apenas se somam às outras levantadas durante os capítulos aqui: o que é que Grimsley estava fazendo realmente na Rota 4? Qual é a função de Volcarona? Quais serão as consequências das bruscas mudanças no time de Black, com a aquisição de um Tirtouga que Marshal não foi capaz de treinar (mais um vínculo criado entre o Treinador e um membro de Elite) e decisão de Braviary de ir ajudar White em seu treinamento? Será que Black e White passarão muito tempo afastados? E que papel terá Thundurus na história?
A ilustração de Yamamoto continua sendo outro ponto bastante positivo para esta saga. Utilizando muito do design dos jogos e acrescentando seu toque pessoal, ele consegue deixar os Pokémon superfofos com os apetrechos do Musical Pokémon. Em especial o Emolga e o Zebstrika de Elesa ficaram particularmente fenomenais - sendo o visual da zebra inspirado no Blitzle de uma arte oficial dos games. Além disso, seu traço consegue captar cada momento com perfeição: é dramático na medida perfeita para explorar toda a tensão entre N e White na roda gigante, é fofo o bastante na hora do Musical, é cheio de ação na batalha de Ginásio e com a dose certa de humor sempre que necessário.
Os diversos personagens que povoam a trama também ganham características bem distintas no seu traço (Grimsley ficou particularmente charmoso com seu risinho sinistro e Juniper continua extremamente sexy). Os pontos positivos são tantos que não fica difícil considerar Pokémon: Black & White #4 o melhor momento desta saga até aqui e ainda há tanto potencial! A história tem progredindo utilizando-se dos melhores elementos dos jogos Black & White, mas sem deixar de acrescentar diversos novos empolgantes elementos. A cada capítulo sinto-me mais conquistado por Black e White e suas histórias e quero ver mais desses personagens. No fim das contas, a parte mais difícil é esperar os dois meses para conseguir a nova edição.
Considerações finais:
  • O fato que White testemunhou um Pokémon subindo no palco e conquistando a plateia vai de encontro ao que é dito ser a origem do Musical Pokémon nos jogos. Um NPC afirma que antes, o teatro era para humanos até que um dia um Pokémon subiu no palco e começou a imitar os artistas, tornando-se a mais nova sensação. Sim. É basicamente uma história sobre como um Pokémon fez com que vários artistas profissionais fossem mandados para o olho da rua e trocados por mão de obra gratuita de Treinadores Pokémon entusiasmados e seus monstrinhos. Não é à toa que a Rota 5, logo ali ao lado de Nimbasa (e tão bem representada neste volume), está cheia de artistas de rua;
  • Não sei o que houve com a Panini, mas depois de eu ter elogiado o trabalho deles na semana passada e ter até comemorado - pelo visto cedo demais - o fato de finalmente termos um trabalho de tradução consistente, este volume foi cheio de inconsistências! Eu agradeci eles terem me ajudado a atingir o veredicto final sobre a tradução definitiva do Dark-type como tipo Noturno e aqui ele é traduzido para "tipo Trevas" no caderninho de Black. Além disso, o nome de Tula passou a configurar no cartão dos personagens, algo que não aconteceu nos volumes anteriores e eu havia até atribuído ao fato de Black não ser seu Treinador original. Outro problema, inexistente nas edições anteriores, foi a tradução de Grass-type. Nos três primeiros volumes lançados pela Panini, havia sido traduzido para tipo Planta - tradução que o anime inclusive tem usado na dublagem atual. Porém, na ficha da Servine, vem tipo Grama. O caso de Noturno/Trevas e Grama/Planta não são erros, mas o lance é que eu realmente esperava que o mangá fosse ajudar a definir versões definitivas para esse termo, algo que o anime nunca foi capaz de fazer. No mapa que Grimsley pegou do intruso Plasma, havia um círculo com "raiva" escrito no centro, porém se a palavra se referia às Rage Candy Bar, essas foram traduzidas como "Barra Doce da Fúria", logo isso é outra possível inconsistência. Em um momento, o nome de Alder foi escrito Adler. Esta edição saiu mais cedo do que as anteriores - 10 de março (meu aniversário yaaaay!) -, mas talvez tivesse sido melhor terem esperado um pouco mais para revisarem melhor;
  • Na parte das traduções polêmicas para golpes, Brave Bird foi chamado de Pássaro Bravo e Aerial Ace ficou Ás dos Ares. Na tradução da PokéPlus para Elaine Pagano da Centauro, os nomes eram Fúria dos Pássaros e Golpe Aéreo. Enquanto nunca fui muito fã de Fúria dos Pássaros (sempre curti mais o nome Bravura Alada, que nunca foi usado porque não foi aprovado =P), Golpe Aéreo era definitivamente melhor que Ás dos Ares e certamente combinava bem mais com o ataque. Imagina agora que o anime tem um Frogadier regularmente usando o "Ás dos Ares";
  • Há um bocado de imagens de mulheres em poses sugestivas nesta edição. Vez ou outra, Yamamoto tem dessas sensualizações;

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