Capítulo 10: A revanche contra Red - Parte 2 (O Doador de Sonhos)



           Enquanto Mewtwo preparava seu golpe, Celebi preservava seus olhos na grande esfera de energia que se formava em cima das suas mãos. Era um poder surreal, ultrapassava a realidade que ele estava acostumado a conviver. Parecia que o poder do sol estava focalizado apenas na palma das suas mãos... Ou superior, ou algo muito superior à potência do sol. Fosse o que fosse, lhe trazia paz e tranquilidade. O fazia ter a convicção que ninguém ali, debaixo dele, tinha capacidade o suficiente para pará-lo. Ou, até mesmo, pensar em enfrentá-lo. Lá embaixo, Red e seu Mewtwo eram apenas mortais.

           Diferente de alguns meses atrás quando ele conheceu Peter. De repente, ao trazer de volta tal recordação, a memória explodiu em fogo e tomou de conta da sua mente. Estava revivendo o passado...


13 de Outubro de 1998
Oreburgh City, Sinnoh



           Peter era um homem preocupado com sua família. Sempre dava o melhor de si para oferecer o melhor do suor do seu trabalho. Sendo que sua família não era constituída de "esposa e filhos", apenas de "filhos". A esposa de Peter morreu no parto da sua única filha, Yasmin, que nasceu prematura. Desde então, sozinho, Peter vem cuidando de Yasmin com o pouco que tem, e isso já faz 10 anos.

           A garotinha é esperta, bonita e carinhosa. Nasceu com um pequeno problema nos olhos: ela tem Heterocromia, o que faz seus dois olhos serem de cores diferentes. O da esquerda é verde e o da direita é castanho claro. Mesmo sendo uma deficiência, Yasmin não deixava que isso a abalasse, ao contrário, ela ficava horas e mais horas se admirando seus olhos no espelho. Ela fazia questão de dizer a todos que conhecia "Está vendo meus olhos? Eles são lindos, não são? Acho que sou uma super herói" e as pessoas caiam na gargalhada, concordando com tudo que a pequena dizia. Afinal, a mente de uma criança é um universo ilimitado e real. 

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           Peter trazia em sua bolsa amores colhidas por ele próprio nos limites de onde trabalhava. Era proibido, mas ele sempre corria esse risco, pois sua filha adorava amores, principalmente quando seu próprio pai as colhia. Com a sacola firme em sua mão, Peter acelerou os passos e quando chegou alguns centímetros perto da sua casa ele começou a sentir um cheiro de fumaça. E um fogo muito alto desmanchava as nuvens no alto. Ele apressou ainda mais os passos, pois a fumaça partia de um lugar muito perto da sua casa.

           A cada passo que Peter dava, mais o cheiro de fumaça ficava forte. Ele se machucou com os galhos de árvore, quase escorregou, e quando virou à esquina da última rua próxima da sua casa, ele viu o inferno de longe. Sua casa estava pegando fogo. As chamas consumiam o lugar, os arredores, as pessoas que olhavam aquela tragédia, admiradas, mal conseguiam se aproximar. Peter deixou as amoras cair no chão e saiu correndo em direção a sua casa...

           — O que aconteceu? Pelo amor de Deus o que aconteceu aqui? — gritava Peter em meio à multidão de pessoas. Ele abria caminho empurrando as pessoas até que se aproximou da porta da sua casa.

           Ele tomou a atitude de entrar, mas foi surpreendido pelos bombeiros. Foi então que ele percebeu que vários Pokémon aquáticos tentavam amenizar as chamas.

           — Minha filha, pelo amor de Deus, minha filha... — ele soluçava aos prantos. A oficial Jane segurou em suas mãos e balançou sua cabeça em negativo. Peter percebeu e segurou as mãos da oficial com força — ONDE ESTÁ MINHA FILHA?

           — Ela acabou de ser resgatada. Seu corpo foi consumido pelas chamas, tentamos fazer o possível para salvá-las, mais...

           — MAIS O QUÊ?

           — Ela não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo ainda na ambulância.

           Aquilo foi o suficiente para fazê-lo se ajoelhar perante a multidão. Sua filha, sua única filha, sua pequena Yasmin, sua pequena super herói... Como? Como aquilo poderia ser real? Como? Ela era esperta, teria fugido das chamas, teria se salvado. Ele não podia acreditar no que ouvia. Com a mente conturbada, ele saiu correndo em direção ao hospital central. A oficial tentou impedi-lo, mas foi em vão.

           Ele usou toda a velocidade que conseguia. Machucou os dedos dos pés ao bater nas pedras, seus braços se machucaram também quando ele atravessou a pista e um carro bateu nele levemente. Mas nada era o suficiente para fazê-lo parar. Ele insistiu, insistiu, precisava chegar lá. Chegou ao caminho de estrada feita de barro, sem asfalto, e aumentou a velocidade, mas se desequilibrou e acabou caindo no chão. Na lama molhada, na sarjeta mais imunda daquela região. Ali ficou, com os olhos cheios de lágrimas, esperando que algo acontecesse para fazê-lo se levantar. A chuva caia forte agora, molhando-o e o ensopando juntamente com a lama. Nada mais fazia sentido. Seus olhos se fecharam e assim ele ficou!

           Acordou desnorteado, com uma luz forte em cima dele. Não sabia onde estava.

           — Eu sei quem fez aquilo com a sua filha... — disse uma voz sombria, calculista, sem emoções...

           Isso despertou a atenção de Peter e ele se levantou com rapidez — Quem foi? — o rosto do homem não estava totalmente nítido por conta da luz forte, fazendo com que Peter visse apenas uma sombra.

           — Preciso que faça algo para mim antes. Uma tarefa...

           — O que quiser!

           — Você não tem preparo. Diga-me, quais Pokémon você tem consigo?

           — Apenas um Absol, ele era da minha, bem, da minha filha — pronunciar a palavra "filha" machucava Peter como se várias agulhas perfurassem seu corpo. Doia, doia muito...

           — Não é o suficiente. Encontre um Pokémon forte, poderoso, depois traga-o para cá. Eu vou dizer a tarefa a qual você precisa executar e logo depois eu revelo quem matou sua filha. Fechado?

           Peter se levantou rapidamente da cama e vestiu seu casaco. Limpou os olhos sujos de lama e saiu em direção à porta de saída. Antes de abrir a maçaneta, ele olhou para trás: — Eu volto logo!





           Ele conhecia um vilarejo próximo da indústria onde trabalhava. Lá viviam a maioria dos Pokémon do tipo grama, e não era totalmente evoluídos, por isso ele achava que podia conseguir algo lá. Havia boatos nos corredores da indústria que um Pokémon lendário protegia aquele vilarejo. Ninguém nunca chegou a vê-lo de perto, ou presenciar qualquer ato da parte deles, mas sabiam que existia algo superior ali. Afinal, quase ninguém conseguia se aproximar dos Pokémon do tipo grama. Peter subiu em cima de uma pequena montanha onde dava para ter uma vista ampla de tudo lá embaixo, inclusive do vilarejo. Viu que alguns Pokémon se alimentavam e sabia que aquela era a hora perfeita.

           — Absol, saia! — ele lançou sua Pokébola para o alto e o objeto se abriu. Vários ráios brancos iluminaram aquele local e Absol cravou as patas no solo firme — Precisamos atrair o Pokémon que protege esse vilarejo, Absol! Conto com a sua ajuda... — Absol ouviu o que seu treinador ordenou, mas sentiu que algo diferente estava acontecendo. Ele falou alguma coisa e Peter entendeu — Yasmim está em casa, nos esperando. Por isso precisamos fazer logo isso — Falar o nome da filha pressionava sua garganta e seus pulmões, fazendo-o ficar quase sem ar. Era uma dor forte, mareante, sem limites, por isso ele evitava pensar no assunto por enquanto. Precisava se vingar, queria isso mais do que tudo.

           Absol fez que sim com a cabeça e se voltou para o vilarejo — Use Fire Blast e queime tudo! — ordenou Peter, sem escrupulos.

           Absol deu um salto e lá de cima ele concentrou energia o suficiente para criar uma esfera de fogo maciça. Ele atirou contra o vilarejo e ele começou a pegar fogo. Os Pokémon do tipo grama começaram a correr em todas as direções, enquanto Absol continuava usando o golpe repetidas vezes. Peter sentiu pena daqueles Pokémon, do que estava fazendo, de alguns que se queimavam, mas ele precisava fazer isso, por mais doloroso e imperdoável que fosse. Ele queria o Pokémon lendário, o guardião daquele vilarejo... E foi então que ele apareceu. Foi quase como uma explosão. Celebi pousou calmamente no solo daquele lugar e fechou os olhos. Nuvens negras começaram a se formar no céu, ele estava chamando a chuva. Mas Peter não podia deixar que aquilo acontecesse.

           — Absol, Celebi é muito fraco contra o tipo inseto. Preciso que concentre todo o seu poder nesse próximo golpe e perfure o peito daquele Pokémon, fui claro? — Absol relutou um pouco, sabendo que aquilo era errado. Mas os olhos fulminantes de Peter o forçaram a executar tal tarefa — Perfeito! Use Megahorn!

           Absol saltou da montanha e com seu longo chifre brilhoso atacou Celebi pelas costas. O Pokémon invulverável caiu no chão com expressões de susto e dor, provocando gritos e gemidos dos outros Pokémon do tipo grama. Ao ver seu oponente caído, Absol começou a atacá-lo repetidas vezes com Megahorn, até que Celebi sucumbiu e desmaiou. Peter se aproximou dele e arremessou a pokébola, capturando-o. 





           De volta a batalha. Celebi se lembrou da ocasião em que foi traído pelo seu treinador e diminuiu a carga do Hyper Beam, mas o chip implatado nas suas costas era mais forte que a sua consciência e o forçou a voltar à ativa. O Hyper Beam estava concluído, assim como o Psystrike do seu oponente.

           — Sem piedade alguma! Hyper Beam!

           — Eu o quero em minhas mãos, entendeu Mewtwo? Não tenha piedade. Não tenha compaixão. Com força total, quero que concentre o golpe nos seus punhos e vá em disparada em direção ao golpe, perfure a energia e atinga o Pokémon de metal no peito. Vai!

           Mewtwo fez o que Red ordenou e saiu em disparada em direção ao Hyper Beam. O choque dos golpes fora tal que os prédios tremeram, o exército de Pokémon de Peter pararam as atividades e admirou seu mestre em ação, os aliados de Red fizeram a mesma coisa. E Mewtwo, como planejado, conseguiu perfura o Hyper Beam e ia em direção a Yang através do golpe. O Pokémon de metal percebeu isso e abaixou as mãos. Quando Mewtwo ergueu sua pata direita para perfurar o peito de Celebi, o Pokémon de metal parou o golpe e segurou Mewtwo pela mão.

           — Você achou mesmo que eu cairia nisso? Uma pena que isso tenha que acabar agora. Celebi, destrua Mewtwo! Use V-Create!

           — O jeito é explodir tudo com o seu poder. Mewtwo, Mega Shinka! — disse Red, erguendo o bracelete.

           Mewtwo abriu os olhos e uma chama vermelha se acendeu.



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Fiz uma parceria com o Ricardo Lira, galera, um verdadeiro mestre dos desenhos. Ele vai começar a fazer as ilustrações dos próximos capítulos, então, se prepare para não somente imaginar cada cena, batalha, gestos e etc, mas ver com seus próprios olhos. Por enquanto, acompanhe o trabalho desse mestre, segue todas as redes sociais dele:

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9 comentários:

  1. Muito bom o capítulo, como sempre. Mas não seria melhor "Arceus" em vez de Deus? Afinal de contas, a estória se passa no Mundo Pokémon, então, tem uma certa diferença.

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    1. Mas ele se referiu a Arceus mesmo, só usou a palavra "deus" que é a mesma coisa de estar falando sobre Arceus já que ele é o deus do mundo Pokémon! Valeu, Richard, é noiz o/ o/ o/ o/

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  2. Fala Hal,aqui é o Matheus. Parabéns por mais um ótimo capítulo. Continue postando. Flw

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    1. Obrigado Matheus, espero te ver por aqui mais vezes XD

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  3. Pra falar a vdd eu tinha achado a morte do absol muito mal trabalhada, nem senti remorso mas agora a história é outra. E sobre a Yasmin nem preciso dizer né?
    Ninguém pensou em dar um max revive pra coitada kkkkk.
    Obrigado pelo capítulo e por me inspirar a fazer uma fanfic
    By: kaio
    Obs: desculpa pelos erros de português estou no celular.

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    1. Fruta que partiu, Peter!!!!!! Você tem demência, cara? Bateu a cabeça na sarjeta?!!!!! Você acaba de perder sua casa, sua filha, sua pessoa/ser mais querido, toda uma perspectiva de vida num incêndio e você vai lá e faz o mesmo que lhe fizeram?!!!! Taca fogo em tudo?!!! Os Pokémons e pessoas que tavam lá na vila, vivendo as vidas na deles, como você até então, como ficam? Nem parou para pensar nisso? E se essa p**** de incêndio se alastra para a área industrial, pega um tonel e buummmmmmm?!!!!! Tu não pensa não?!!!!!

      *FLAMES MODE OFF*

      Yasmin deve ter levado a sério esse lance de super-heroína, ou ao menos a Absol dela levou... Fire Blasts e Megahorns consecutivos, sem falhas? Tudo move com 120 de power? Isso que é comprometimento. E esse Peter nem para ter um pensamento do tipo: e então, como anda a Absol? Será que ele sabe que ela morreu nos capítulos passados? Ou não? (Puxa, eu também gostava tanto da Absol...)

      Ainda comentando sobre o (Pokémon) desastre: foi um incêndio acidental? Esse cara (a sombra do "hospital") só está se aproveitando da dor e do desespero alheio, ou foi mesmo um incêndio criminoso? E porque o Peter, que *antigamente* era um sujeito na dele, trabalhador honesto? E a Absol não previu isso? Ela estava lá na hora ou não? Ela tentou ajudar? Foi barrada ou coisa assim?

      E como não bastasse o trabalho com as palavras do Hal... Vem o Lira com essa ilustração triste (ainda mais nesse período de queimadas) e faz a gente ficar com mais dó do Celebi e mais ódio do Peter.

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    2. (msm Isaac q do facebook)
      Só uma coisinha, anônimo², o Fire Blast foi no ambiente, é impossível de errar no ambiente '-' tem uma diferença de ERRAR e de FALHAR. Qnd um Pokémon erra, quer dizer que, ou ele n mirou direito, ou o outro desviou. No Megahorn, o primeiro ele pegou o Celebi desprevenido, e dps, com ele no chão, ficou dando outros (de uma distancia dessas é quase impossível de errar).

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    3. A morte do Absol só veio fazer mais sentido agora, né? XD É que eu queria esse efeito mesmo, para que todos achassem que o Absol era apenas um Pokémon qualquer de Peter, mas que na verdade ele era o Pokémon da filha dele :/ Ah e o Peter ainda não sabe que Absol morreu :/

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  4. Cade a continuação, pelo amor de Deus?

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