Capítulo 9: O segredo do Pokémon de metal (O Doador de Sonhos)



             Peter reconheceu aquela ortografia no mesmo instante em que sentiu um pavor. Será que descobriram? Era impossível! Ele sempre se mostrou fiel à organização, nunca recusou uma missão, sempre esteve pronto para receber ordens... Estava demorando, sabia disso, mas mesmo que tivesse outros interesses além do que lhe fora ordenado, não mediu esforços para cumprir a ordem daquele que lhe enviou.

             Peter afastou o medo para o mais longe que conseguiu e encostou seu polegar direito na maçaneta quadrada do quartel general. O sistema leu suas digitais em poucos segundos e, em seguida, pediu outra identificação, fazendo com que Peter se aproximasse do buraco dos portões de ferro e abrisse seu olho no ângulo máximo. A leitora o identificou e os portões se abriram em um ranger assustador. O ambiente era amplo, um pouco estreito, mas suficientemente espaçoso. Peter ligou as luzes no interruptor à esquerda da entrada. Tudo se acendeu e o homem pôde ver sua negligência impregnada em todos os móveis. Havia muita poeira sobre os aparelhos, cápsulas, tubos transparentes, fios e mais fios espalhados pelo lugar. Quanto tempo fazia que esteve ali?


             Acredito que todos que entrassem naquele recinto se assustariam. Haviam duas prateleiras no lado direito do cômodo, sustentando vários frascos amarelados. Dentro deles, borbulhando em uma água suja e cheia de insetos, asas de um Pokémon desconhecido eram afogadas. Eram muitas, tantas que encandeciam por conta das luzes. No centro do quartel, um tubo imenso que crescia do solo até o chão ocupava o máximo de espaço que conseguia. Dentro dele era visto duas asas imensas feitas de metal. Na realidade, era uma armadura, as asas apenas ficavam mais a mostra que o restante do corpo. Essa capsula era ligada a vários fios grossos que eram camuflados por algumas partes do chã esburacado. Peter se aproximou desse cubo e esboçou um sorriso ao ler no painel principal: "100% completo".

             "Finalmente, finalmente...", pensou Peter. Todo o trabalho de uma vida havia se concluído e o rapaz mal conseguia conter a alegria que se apoderava do seu corpo "Agora só falta o último item", ele atravessou o ambiente e, atrás daquele grande cubo, uma cápsula pequena era sustentada por um fio de ferro. Dentro dela uma pequena pedra era mergulhada em um líquido cremoso "Blaine e N, vocês não me escapam. Eu vou pessoalmente atrás de vocês. E, depois que vocês dois estiverem no meu poder, esse brinquedo será concluído. Só preciso do meu Celebi, onde será que ele está agora?"







             Eu não merecia ser salvo por ninguém. Por que não me deixaram se afogar como eu havia planejado? Aquela Celebi não tinha o direito de me impedir! Mas devo admitir que me sinto bem melhor agora. Por mais que os olhos da Milotic ainda insistam em me devorar por dentro, como se lessem minha alma e vissem o que há de mais horrível dentro de mim.

             — Você está totalmente regenerado agora. Pode ir, se quiser — disse Milotic ainda olhando diretamente para mim. Senti um calafrio da ponta das minhas asas até os fios da minha cabeça. Aquelas rugas de expressão expressavam muito mais que um simples altruísmo. Ela acreditava em quê?

             — Senhora, posso levá-lo para conhecer um... bem, lugar? — perguntou a Celebi que me salvou em sussurros, precisei me concentrar nela para ouvi-la (e isso me deixou constrangido).

             — Você tem a minha permissão! — Milotic a respondeu sem a olhar nos olhos. O Pokémon, de costas, começou a nadar rapidamente de volta para os grandes portões brancos que permitiram sua saída no início. Uma vez lá dentro, as portas se fecharam.

             — Milotic me encontrou ferida no fundo do mar — disse a Celebi de repente, olhando para frente — Ela ficou comigo no início, me curou, depois decidiu me levar de volta para a superfície — ela explicou lentamente, seu tom crescendo mais desolado com cada palavra — Mas em poucos dias nós tinhamos nos tornado como mãe e filha... Simplesmente partir, ou voltar, não sei, a deixaria infeliz... Então decidi que era a hora de passar mais tempo com o ser que, de fato, se importava comigo. Por isso, não conheço minha família e muito menos sei de onde vim — O pequeno franzido entre seus olhos se aprofundou.

             — Mas agora você está infeliz, do que adiantou? — murmurei. Eu não conseguia parar de falar minhas hipóteses em voa alta, esperando aprender com as reações dela. Essa reação, entretanto, não pareceu muito longe da marca. Esperei sua resposta enquanto admirava os Pokémon verdejarem pelas águas tranquilas do mundo de Atlântida. Eu queria ir embora, mas estar ali, naquele lugar e perto dela me faziam se sentir calmo.

             — E? — ela perguntou, como se isso nem fosse um aspecto a ser considerado. Eu continuei a encarar seus olhos, sentindo que eu finalmente tinha pego meu primeiro vislumbre dentro de sua alma. Eu vi nessa única palavra aonde ela classificava ela mesma em uma de suas prioridades. Diferente de muitos humanos, suas próprias necessidades estavam bem no final da lista. Ela era humilde. Quando vi isso, o mistério do Pokémon escondido dentro dessa mente inquieta começou a dispersar um pouco.

             — Isso não parece justo — eu disse. Dei de ombros, tentando parecer casual, tentando esconder a intensidade da minha curiosidade.

             Ela gargalhou, mas não tinha diversão no som — Ninguém nunca te disse? A vida não é justa!

             Eu queria rir das palavras dela, embora eu, também, não tenha sentido nenhuma diversão. Eu sabia um pouco sobre a injustiça da vida. Peter me roubou do meu vilarejo, me prometeu que me faria voltar para salvá-los, mas isso nunca aconteceu — Eu acho que já ouvi isso em algum lugar antes.

             Ela me encarou de volta, parecendo confusa de novo. Seus olhos lampejaram para longe, e depois voltaram para os meus — Então isso é tudo — ela me disse — Mas antes que vá embora, porque sei que você vai, quero te mostrar um lugar.


             Eu senti sua pequena mão segurar a minha. O calor seu toque gentil e desejoso não era igual a nada que eu já havia sentido antes. Era quase puro prazer. Teria sido, se não fosse pelo meu medo. Observei seu rosto quando ela sentiu o frio pétreo de minha pele, ainda incapaz de respirar. Um meio sorriso apareceu nos cantos de seus lábios — Não se preocupe, eu vou te devolver inteiro!

             Nadamos em uma direção oposta a que estávamos. Eu me sentia seguro com ela e isso era estranho. Eu queria ir e ao mesmo tempo eu gostaria de voltar para Peter. Respostas, era isso que eu queria dele. Depois, eu o deixaria sozinho (por mais que isso doa em mim). Concentrei minha atenção na paisagem sobrenatural que se mostrava a cada metro que nadávamos. Gyarados, Lapras, Corsolas, todo tipo de Pokémon nadava calmamente ao lado de nós. E não brigavam, não se batiam, apenas sentiam a leve onde levá-los para qualquer lugar que fosse. Haviam alguns navios no fundo do mar, várias estátuas quebradas também. Chegou em um instante em que as algas deixaram de ter um tom escuro para se tornarem claras e mais vivas.

A PARTIR DAQUI, POR FAVOR, LEIA OUVINDO ESSA MÚSICA (CLIQUE AQUI). VOCÊ VAI SENTIR ALGO SOBRENATURAL AO LER.

             Em poucos minutos eu me vi em um lugar que eu jamais pensei, nos meus maiores devaneios, que algum dia eu estaria. Era um campina... Ampla, florida, cheias de árvores, flores, plantas... O sol iluminava aquele lugar com amplitude, deixando o ambiente com um calor agradável de sentir.

             — Quero que dance comigo! — disse Celebi em uma voz baixa.

             Passei alguns segundos para digerir — Está ficando doida?

             — Não acredito que vai me dizer um não!

             — É que não faz sentido.

             — O que não faz sentido? O fato de você estar comigo ou de dançar comigo? — ela disse em um tom de brincadeira e aquilo me fez sorrir. O que custava? Eu tinha tempo! E eu não podia ser rude o suficiente para rejeitar uma dança.

             Peguei pela mão esquerda dela e a levei até o centro daquela campina. Dentro de mim eu deixei que o mais doce aroma emanasse, o chão correspondeu a minha atitude e se abriu, espalhando as flores e as plantas como se uma ventania tivesse passado por ali. Rodopiei a Celebi e fiz com que a sua pele brilhasse e se transformasse em um belo vestido de flores silvestres. Ela me olhou sem ar, diretamente nos meus olhos. Abriu suas duas mãos e um tornado de folhas se formou, uniu-se as flores e o espetáculo estava formado. Alguns Kricketor apareceram e a música os acompanhou. Eles começaram a tocar seus violinos em um único som. Celebi e eu demos alguns passos para trás e eu a aproximei para mais perto de mim. Eu a senti queimar no meu corpo como brasa quente. Seu toque fazia com que meus olhos tremessem e eu os fechei. Unimos nossas antenas e aquele ato representou uma união de corpos além da minha própria compreensão.

             O tempo parecia apenas uma linha pequena, uma pedra minúscula, algo que já não me atrapalhava mais. Aproximei-me mais dela, perto o suficiente para que o calor do corpo dela fosse como um toque físico contra o lado esquerdo do meu corpo. Ela ergueu a cabeça de uma vez e então congelou, surpresa por ver nossos rostos tão perto. Eu também estava estupefato pela proximidade. O calor que emanava dela acariciava meu rosto. Eu conseguia até sentir o toque de veludo de sua pele… As batidas de seu coração hesitaram, e seus lábios cheios se abriram. Mas apenas para respirar. Eu a rodopiei mais uma vez, e mais outra vez...

             Mas aquilo não durou. Logo senti meu coração pulsar com rapidez. Peter estava me chamando — Eu preciso ir... Peter está me chamando... Eu preciso ir...

             — Fique mais um pouco — ela implorou, e sua voz tinha um novo forte timbre.

             — Eu volto, prometo que volto. Fique aqui! Vou apenas me despedir.

             E era verdade. Estava na hora de me colocar no primeiro lugar da lista.







             Peter estava me esperando em frente ao quartel general. Ele sorriu, e eu vi sinceridade naquele ato. Eu vi que ele estava me esperando, que estava preocupado comigo... Mas eu não podia deixar que aquilo me impedisse de voltar e ser feliz. Era uma escolha que deveria ser tomada. Flutuei em direção a Peter com calma, sem pressa, e ele percebeu que havia algo de errado comigo.

             — Por que demorou tanto, Yang, eu estava preocupado. Como você está meu amigo? — ele disse e me abraçou ao mesmo tempo. Fiquei imóvel, sem realmente corresponder aquele ato. Só depois que ele me soltou que eu pude acariciar levemente seu braço.

             — Eu vim para me despedir, amigo. Finalmente encontrei um lugar para me encaixar — eu disse sem pestanejar e temi pela resposta.

             — Do que você está falando? Sua nova armadura está pronta. Já podemos ir atrás da nossa vingança, Yang. Eles vão pagar pelo que fizeram a sua família. Todos eles! E quando eu conseguir o último item, você será invencível.

             Eu sabia que ele iria falar de vingança. Ultimamente eu só ouvia aquela palavra...

             — Esqueça essa vingança. Eu os perdoo pelo que fizeram com a minha família. Agora eu só quero voltar.

             — Voltar para onde, Yang? O que fizeram com você em Atlântida?

             Eu não queria mais discutir com ele. A decisão já havia sido tomada, por que mais eu iria insistir nisso? Afastei-me dele alguns centímetros e abaixei minha cabeça. Eu não podia mais continuar com aquilo porque cada segundo que passava era como uma flecha machucando minha integridade, meus sentimentos. Ele me salvou e eu devia isso a ele, mas chegou uma hora em que isso não faz mais sentido para mim.

             — Pode me abraçar por uma última vez, pelo menos? — Peter me pediu, com os braços abertos. Não parecia ter cedido, mas ainda assim eu confiei. Ele não podia fazer mais nada para mudar minha decisão.

             Nos abraçamos e eu senti minha consciência sumir...






             Peter havia penetrado um microchip nas costas de Yang. O Pokémon sentiu os fios penetrarem na sua mente, influenciavam seus pensamentos. O que ele mais queria agora não era voltar para aquela campina, mas se vingar de todos aqueles que lhe fizeram mal.

             — Está pronto, Yang? — perguntou Peter satisfeito.

             O Pokémon abriu seus olhos e o vermelho se intensificou.


Faaaaala, galera, espero que tenham gostado do capítulo. Próximo sábado tem mais o/ E nele vocês vão descobrir a verdadeira história do Celebi e do Peter. Ah, e me digam nos comentários o que acharam desse capítulo narrado pelo próprio Celebi. Quero um feedback de vocês!

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Fiz uma parceria com o Ricardo Lira, galera, um verdadeiro mestre dos desenhos. Ele vai começar a fazer as ilustrações dos próximos capítulos, então, se prepare para não somente imaginar cada cena, batalha, gestos e etc, mas ver com seus próprios olhos. Por enquanto, acompanhe o trabalho desse mestre, segue todas as redes sociais dele:

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5 comentários:

  1. Mano, tenho que dizer, esse capítulo seriamente me assustou. No começo, foi divino, cliquei para ouvir a música e isso me surpeendeu demais, mano, não sei como, mas realmente eu senti algo sobrenatural dentro de mim. Dentro de minha mente, imaginava as cenas, tudo o que estava acontecendo ali, eles dançando, a Celebi (que eu saiba) criando o vestido de flores, tudinho. Mas, mano, eu achei isso terrível quando tentei usar esse "poder" na cena em que o Peter pede um abraço do Celebi e insere um microchip nele mano. Eu imaginei isso completamente. Eu fiquei muito assustado, serião. Como o Peter pôde? Ele não tem piedade dos Pokémon? Do que eles querem fazer da vida? Depois é que chamam o Ash de treinador ruim. O Ash pelo menos faz a coisa certa e deixa os seus Pokémon se satisfazerem com seus desejos, sem problema algum. Mano, isso me deu uma fúria enorme e me deu uma vontade enorme de socar a cara do Peter de uma vez por todas e tirar esse microchip das costas do Celebi urgentemente, apenas com a ponta do meu dedo fortemente e depois deixar o Peter no chão e depois chutar ele.

    Mas melhor eu nem falar o que eu queria muito fazer com ele nesta hora caso ele existisse, senão esse comentário viraria um livro ou um texto, isso sim. Apesar de tudo, foi muito relaxante e emocionante ouvir a música durante a leitura. Meus grandes parabéns por essa ótima fanfic existir! Ótimo capítulo também! Espero ansiosamente o próximo.

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    1. Você tá com sangue nos olhos de tanta raiva

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    2. Olá, Richard, bem-vindo de novo *O* Esse foi um dos capítulos mais difíceis que eu precisei escrever, sabe? Nossa, eu fui obrigado a presenciar tudo que o Peter planejou na sua mente. Eu precisei entrar nela o suficiente para conseguir descrever os sentimentos podres dele. A música, poxa, a música foi o que me inspirou a escrever essa cena dos dois Celebis dançando. Eu sabia que vocês sentiriam o mesmo que eu. Prometo que trago nos próximos capítulos mais músicas para envolver vocês. Obrigado pelo comentário, de verdade mesmo <3

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  2. Concordo plenamente. Soberbo o capítulo! Ainda mais o contraste do ambiente "sujo" e artificial do laboratório do Peter com a beleza natural da campina. Fica realmente difícil criar simpatia por este sujeito, e cada capítulo eu fico com mais dó do Celebi. Peter parece mais o antagonista, mas vamos ver o que raios ele está planejando… Sinceramente eu espero que N que dê uma surra nele!

    Mas, tenho alguns errinhos a comentar:
    *Peter reconheceu aquela ortografia no mesmo instante em que sentiu um pavor.* Acho que deveria ser caligrafia, não? O sujeito tem que escrever excepcionalmente mal para ser reconhecido por sua “orto”grafia, ou então ter um vocabulário extremamente arcaico, parnasianista ou neologista.
    *Eu não conseguia parar de falar minhas hipóteses em voa alta* Acho que seria voz. O Microsoft Word nem sempre é um bom revisor.
    *Eu queria ir embora, mas estar ali, naquele lugar e perto dela me faziam se sentir calmo* fazia, não? “Naquele lugar e perto dela” estão qualificando o “estar ali” (eu acho. Nesse caso deveria estar separado por vírgula).
    *Alguns Kricketor apareceram e a música os acompanhou.* Kricketot (ou Kricketune, pessoalmente acho que ele toca como um violinista). O Office não tá nem aí para a Pokédex.
    Uma pergunta: O Celebi “do Peter” é shiny ou ele ficou com a coloração do capítulo 05 (e desse também, pelo que parece) artificialmente?

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    1. Doido kkkkkk por favor, releve esses erros. Eu escrevi rápido e não revisei, dependi apenas do Word para fazer isso (o que não vai acontecer mais). E essa foi minha intenção ao criar esse capítulo, sabe? Eu queria mostrar a vocês a essência do Peter, quem ele realmente é. Alguém egoísta, manipulador, maníaco, sem escrúpulos, e apresentar a vocês que Celebi é apenas mais uma vítima, entende? Eu não queria que vocês vissem o Celebi como o vilão e blá blá blá. Sobre o Celebi ser Shiny e sobre as colorações, eu vou explicar nos capítulos seguintes, se eu falar será spoiler e.e Ei, valeu por comentar, viu? De verdade mesmo! É tão bom responder os comentários de vocês cheio de deduções HUEHEUEH

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