Capítulo 6: O mundo de Atlântida e o julgamento de Arceus


               Cynthia permanecia no mesmo lugar. Estava menos preocupada com Togekiss, que havia ficado bastante ferido, mas já estava sendo medicado pela enfermeira Joy. Cynthia não conseguia processar todos os acontecimentos recentes. De onde surgiu aquele cara? Ela tinha uma leve impressão de já conhecê-lo de algum lugar... "Peter, Peter", ela sussurrava o nome dele na expectativa de trazer à tona a recordação que precisava, mas nada acontecia. Mas ainda assim queria entender. Não fazia sentido ele aparecer assim, de repente, e falar de uma maneira que mostrava claramente um ódio, um desejo de vingança. Mas pelo quê? Quem o fez tanto mal?

               — Cynthia?! — era Diantha que a chamava. Com a voz rouca, fanhosa, trêmula... A pobre mulher não se aguentava em pé. Cambaleava a procura da amiga — Aconteceu alguma coisa? Está ferida?

               Cynthia se virou de vez para Diantha e a olhou por alguns segundos. De longe, a garota via o sofrimento estampado, cravado, penetrante... Ela via as consequências da morte de Gardevoir, ela via e sabia que Diantha não iria sobreviver aquilo, ou pelo menos iria demorar muito. Agindo pelo impulso, Cynthia a abraçou com força. Queria mostrar o tanto que sentia pelo que aconteceu. Diantha, já emocionada e frágil, se rasgou em prantos sileciosos ali, abraçada, e depois desmaiou. Cynthia sustentou o corpo da amiga e esperou que alguém viesse socorrê-las.





               Era fascinante. Raramente algum Pokémon aparecia naquela floresta encantada. Os poucos que ousaram não tiveram a oportunidade de descrever o acontecido, uma vez que, ao se aproximarem, eram banidos pelo próprio Arceus. Afinal, qual o deus que se agrada ao ver seu paraíso ser invadido?

               Contudo, Celebi não pertencia a classe dos menos favorecidos ou daqueles que não são dignos. Por dentro, era o Pokémon mais puro, limpo e imaculado diante de todos os outros do tipo grama. Por fora, uma aberração criada pelas mãos de um humano incapaz de amar e respeitar. O Celebi que agora se aproximava do lar de Arceus não era, nem de longe, digno o suficiente – ele já matou... sem piedade, sem olhar a quem. Mesmo que não tenha sido uma decisão própria, ainda assim, submeteu-se ao seu treinador e destruiu uma vida.

               Celebi esperava receber o perdão, pelo menos. Sabia que Arceus, talvez, o ajudasse a reconstruir seu corpo deformado. Mal conseguia voar, mal conseguia respirar, sentia seus pulmões serem exprimidos pela dor latejante que o induzia a uma alucinação da própria morte – sim, Celebi estava desejando a morte.

               Ao se aproximar o suficiente, ele sentiu o mundo parar. As árvores começaram a balançar como se dançassem, as folhas caídam no chão formavam redemoinhos na mesma medida que o solo tremia. A luz, que lá de cima descia, iluminuou Celebi de tal forma que o fez parar. As nuvens se rasgaram, o vento parou, as estrelas não brilharam mais, muito menos refletiram sombra. Arceus, imponente e autoritário, cravou suas patas no solo daquele lugar sagrado. Celebi, admirado e quase paralisado, tentou abaixar sua cabeça, mas não conseguiu.

               — O que você está fazendo aqui? — urrou Arceus, alto e grave. Sua voz era semelhante ao barulho que ouvimos ao colocarmos uma conxa no ouvido. Era sincero, imperial e graúdo.

               — Preciso... de... ajuda, por favor. Não... sei... mais... a quem recorrer... Não... me... abandone! — respondeu Celebi soluçando. A dor era tão forte que mal conseguia pensar. Suas asas já não batiam mais, e Celebi era sustentado apenas pelo vento emanado da presença de Arceus.

               — Você não matará mais ninguém — disse Arceus, ainda imponente, enquanto rodeava Celebi e se encaravam nos olhos, branco e verde. O Pokémon deus olhava para Celebi sem piedade... — Você não será capaz de matar nenhum deles, nunca mais. Você não está entendendo? Eu vi o que você fez. Eu vi a sua falta de clemência. Eu vi você matar um inocente... Achou que poderia voltar aqui? Achou que poderia me enganar?

               — Não, eu... — começou Celebi, o medo o devorando.

               — Basta... Basta! — disse Arceus e tudo parou.

               As árvores se recolheram, as folhas pararam, o ar cessou e Celebi caiu no chão. Arceus ergueu suas patas dianteiras e seus olhos, que antes eram brancos, se transformaram em um preto avermelhado — Que a justiça seja feita a todos! — Arceus urrou, e do céu a luz que o iluminava se tornou uma bola de energia. Na qual, rapidamente, explodiu e arremessou Celebi para longe do paraíso. O golpe "Judgment" de Arceus fora tão poderoso que foi capaz de destruir a abertura da grande árvore da vida.

               Por consequência das suas atitudes, Celebi estava banido.

               O impacto do golpe fora tal que Celebi se chocou contra a galhada de Xerneas e caiu, no chão, como se não representasse nada, como se fosse um saco de lixo e estivesse no lugar onde, posteriormente, seria levado para ser reciclado. Será que era isso mesmo? Será que Arceus estava preparando esse castigo para o Pokémon que, um dia, representou a pureza da natureza? Fosse o que fosse, Celebi havia recebido o maior dos julgamentos: ser rejeitado. Estava acostumado a ser idolatrado por todos que o viam, afinal, era dono e responsável pelo tempo... Protegia o meio ambiente, defendia a preservação dos seus semelhantes, merecia respeito, glória...


               Xerneas o olhou com ternura, sem conseguir entender o que estava acontecendo. Peter veio logo em seguida, e, quando viu seu Pokémon caído no chão, se desesperou e saiu correndo ao seu encontro. Xerneas viu a sua reação e se comoveu... haveria algo bom dentro daquele homem?

               — Celebi, Celebi?! — chamou Peter, sacudindo o Pokémon com carinho. Acariciou a cabeça dele e viu, dentro dos olhos de Celebi, a dor da rejeição. Viu as lágrimas descerem e as limpou com seu dedo indicador — Não precisamos dele. Posso reconstruir seu corpo, sabe disso!

               — Não precisa! — respondeu Xerneas. Sua voz não era semelhante a nada que Peter já tivesse ouvido. Era calma, cheia de amor e carinho, sem julgamentos ou pena — Eu sei para onde você deve levá-lo.

               Peter se interessou e olhou Xerneas diretamente na face.

               O Pokémon continuou: — Leve-o para o mundo de Atlântida. Ele será restaurado lá.

               — E como posso chegar lá?

               — Eu o levarei!
                

               Peter ficou pensativo por alguns segundos. Por mais que estivesse preocupado com Celebi, precisava voltar ao laboratório e finalizar a armadura de ferro. Precisava, também, ainda com mais urgência, ir atrás da peça que faltava para o seu experimento. E nem ao menos sabia por onde começar... O que deveria fazer?

               — Mas só o Pokémon, você não pode ir! — concluiu Xerneas, a pata dianteira mais próxima deles.

               — Tudo bem! Mas pode me levar para outro lugar? Digo, depois de levar o Celebi para Atlântida.

               — Para onde você quer ir?

               — Johto, por favor. Deixe-me no deserto perto da cidade de Azalea. 

               Xerneas ergueu as duas patas e não espalhou ar, nem agitou as árvores. Tudo que o Pokémon fazia era com calma, amor e dedicação. Não precisava destruir nada ou pedir reverências. Celebi olhou por última vez para seu treinador e depois sentiu seu corpo se mover e sumir, em segundos. Peter, logo em seguida, também sentiu alguém puxá-lo e tempos depois, a grande árvore da vida havia sido substituída pelo ginásio de Azalea.


               — Pronto! Agora preciso dar continuidade ao meu plano! Absol, saía! — Peter jogou a Pokébola para o alto e o objeto se abriu imediatamente, libertando o que prendia com esplendor e brilho. Absol encostou as patas no solo com leveza e graciosidade. Com o chifre negro erguido, esperava as ordens do treinador — Você já sabe o que precisa fazer. Eu vou voltar para o laboratório para finalizar a armadura do Yang, enquanto isso, traga-me o que eu preciso, Absol. Aquele item... Pegue o meu exército, estão todos nesse pingente, basta você rugir que todos eles serão materializados para ajudá-lo — Peter pegou uma rocha triangular do bolso e depois a amarrou no pingente onde estava a pedra da mega evolução do Absol — Mate, se for preciso. Não tenha piedade! Aterrorize as cidades, começando por Johto mesmo. Chame a atenção, atrai-os. Quero vê-los por todos os lugares, quero ver desespero, Absol, está me ouvindo? Não me decepcione! Ah, outra coisa... Traga o professor Carvalho para mim, que essa seja a sua primeira parada, fui claro?


               Absol fez que sim com a cabeça e a ordem já havia sido dada.


Espero que gostem desse capítulo :D Não esqueçam de comentar,  me falem o que estão achando da história. Ouvi algumas pessoas comentarem que as fanfics da PBN estavam horríveis. Ai fiquei meio assim, pensando que talvez vocês tivessem odiando minha história. Me digam ai nos comentários XD Ah, não se esqueçam que eu vou trazer uma curiosidade sobre o mundo de Atlântida em Pokémon ainda essa semana. Fontes oficiais, como sempre. E será me forma de vídeo, quero mostrar imagens, gifs, vídeos, enfim, tudo para que vocês vejam que em alguns episódios de Pokémon esse mundo apareceu. Por isso, se inscreva no canal para ser avisado, isso é fundamental: clique aqui 

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11 comentários:

  1. Está bem escrito, o enredo está bem dramático e fora dos padrões e vc está se esforçando em melhorar a história, não está ruim, e está bem melhor que a fic ruim do Danlobl...

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    1. Ah, obrigado, anônimo, assim você emociona :')

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    2. A fic do Danlobl não é ruim. Ela só tem um ritmo acelerado, tipo menos de 30 capítulos e o protagonista já tem 5 insígnias. É que todo mundo é acostumado com o ritmo lento do anime.

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    3. Sou o mesmo autor anônimo do comentário,com todo respeito, a fic do danlobl é ruim sim, e eu leio todos os capítulos mesmo assim porque gosto de fanfics,inclusive as ruins, os diálogos são rápidos, o texto é pobre de detalhes, pouca ação nas batalhas, os personagens são pouco profundos, fora algumas coisas sem noção tipo: A Korrina dizendo que se eles perdessem a batalha tinham que desistir da jornada e voltar para casa e eles toparem esse absurdo como se fosse a proposta mais normal do mundo ¬¬'

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  2. A história é muito boa,pode acreditar,é diferente de qualquer outra fanfic de Pokémon! Meus parabéns!

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  3. Belo capítulo. Tive que aplaudir de pé.
    Espero os próximos capítulos mais longos, por que ler essa história é uma maravilha, e aliás, tente adicionar mais músicas pros próximos episódios também, por que ouvir músicas, como você mesmo sempre alerta, dá um pouco mais de emoção ao ler.

    Até o próximo! xD

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    1. Ah, eu pensei que vocês não tinham gostado das músicas XD Na próxima eu colocar sim, pode deixar. E muito obrigado pelo comentário, é bom vê-lo de novo por aqui, Richard :D

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  4. Estou escrevendo uma fanfic tambem, mas não chega aos pés da sua! continua assim, ta perfeito *o*

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    1. Aposto que sua fanfic deve ser incrível, Nicolle *O* Muito obrigado pelo comentário, por ter lido e dado uma chance aos personagens. Espero te ver mais por aqui, não some, hein? <3

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  5. Hal, sua fanfic é ótima!Tem um texto muito bem trabalhado e rico em detalhes,isso é difícil de encontrar em fanfics de pokémon.Eu gosto muito de histórias que trabalham o psicológico dos personagens, por isso sou fan de animes como Code Geass e Death Note e esse detalhe nem sempre está presente em fanfics de Pokémon.Continue com seu ótimo trabalho,parabéns!

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    1. Poxa, cara, muito obrigado mesmo :') Espero te ver aqui mais vezes comentando, participando, adoro quando vocês interagem <3

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