Capítulo 5: O lar de Arceus e a árvore da vida!


             Mega Gyarados tornou aqueles escudos que prendiam Red e Green em cinzas. No céu, os restos se desfaziam e eram levados pelo vento gélido da noite impenetrável. Misty, que era muito próxima aos garotos, sofreu ao ver o amigo desabando no chão quando o escudo se desfez. No chão, Red era apenas mortal... – o que diriam as pessoas que sempre o idolatravam se o vissem naquele estado deplorável? O rosto, que deixou de lembrar a de uma criança no início da sua adolescência, era tomado pela sua barba escura e suja de poeira. Seu boné vermelho lendário deixara de ser considerado um símbolo de um deus, ao contrário disto, o objeto estava rasgado e despedaçado na cabeça de Red, que insistia em deixá-lo naquele mesmo lugar. Não podia perder a dignidade.


             — Onde ele está? Por... O que... — sussurrou Red com a mão erguida, procurando por ajuda. Não entendia o que estava acontecendo ainda, nem onde estava, por mais que as lembranças da sua derrota estivessem vivas e ardentes como fogo — Onde está o Pokémon de metal?

             Misty, com as sobrancelhas juntas e em sinal de dúvida, apenas acariciou a mão erguida do amigo, apertando-a com força e mostrando que estava ali, com ele — Do que você está falando?

             — Do mesmo Pokémon que está aterrorizando a cidade de Lumiose, Misty, nesse exato momento — respondeu Brock, ao longe, pois ajudava Green a levantar e recobrar os sentidos.

             Misty continuava sem entender... — Desculpe, mas não estou entendendo nada!

             — Foi ele quem fez isso conosco. E Venusaur? Onde está Venusaur? — perguntou Red, aflito, olhando para os lados com desespero.

             — Venusaur e Charizard já foram mandados para o Centro Pokémon, não se preocupe. Eu os enviei com ajuda do Alakazam da Sabrina. Ele os levou usando Teleport! Mas preciso que se acalme, Red, por favor...

             — Você não está entendendo. Se Peter conseguir... Se ele conseguir, todos nós estamos perdidos — murmurou Red, agora conseguindo se sentar.

             — Se ele conseguir? O que você quer dizer com isso, Red? — perguntou Brock, apoiando Green em suas costas e o levando para onde Misty e Red estavam.

             — Que Peter tem um plano... Aquela armadura, Brock, ele estava tentando fazer uma nova armadura. E ele precisa de um item, um objeto que ele acha que está nas mãos de Blaine e N. Se ele conseguir esse objeto... bem, não sei se estaremos vivos para ver o depois, porque ele nos matará com muita facilidade. Por favor, me leve até Lumiose, se ele está lá eu quero lutar, eu tenho que impedi-lo de cumprir, de ir para o lugar...

             — De ir para onde, Red? Para onde? — perguntou Misty, acariciando o ombro do garoto.

             — Para o lar de Arceus, Misty. É lá que está a árvore da vida! Depois que ele levar o Pokémon de metal para lá, só vai faltar o item...

             — E esse item está mesmo com Blaine e N? — perguntou Brock, calmo.

             — Não... — respondeu Red, agora mais confiante. Esboçou um sorriso e depois apalpou o casaco sujo de areia — Está comigo!





             Peter voou pelo multidão de pessoas e saiu para os jardins escuros: mal conseguia divisar três vultos que corriam pela praça em direção ao Pokémon de metal. Peter sentiu o ar frio da noite dilacerar seus pulmões quando disparou atrás deles — Não se aproximem! — griatava o pobre rapaz desesperado, enquanto viu um lampejo ao longe que momentaneamente recortou a silhueta dos expectadores; apesar de não saber o que seria, continuou a correr, ainda não se aproximara o suficiente para fazer o teletransporte...

             Outro lampejo, gritos, jorros de luz em resposta, e Peter entendeu: Cynthia estava se aproximando com o seu Togekiss seguindo a multidão e, embora cada hausto parecesse rasgar seus pulmões e a pontada em seu peito ardesse como uma labareda, Peter acelerou enquanto uma voz em sua cabeça dizia: Não o destrua, Cynthia... Não o destrua, por favor...

             Alguma coisa atingiu Peter, com força, nos rins, e ele caiu; seu rosto bateu no chão, o sangue espirrou das narinas: concluiu, mesmo enquanto se virava, com as mãos em punho, que Cynthia se aproximava às suas costas. Furiosa, chorando e sem piedade alguma...

             — Por que está correndo? — perguntou Cynthia enfurecida, descendo do seu Togekiss e se aproximando com passos longos na direção de Peter. Ela ainda não estava satisfeita com o que fizera com o Pokémon de metal — Não era você quem dizia que não tinha medo de nada? Mostre-me sua falta de misericórdia agora, seu covarde!

             Peter a olhava, ainda no chão, com os olhos vermelhos e lacrimejantes. O que era aquilo? A que ponto de humilhação chegou com a sua sede de vingança sem freio?

             — Togekiss, Air Slash! — urrou Cynthia, sobrepondo-se ao ruído das chamas, aos gritos das pessoas e as ganidos alucinados do Pokémon de metal, que, agora, sangrava.

             Togekiss balançou suas asas e formou uma bola de ar suprema e maciça, arremessando-a, imediatamente, na direção de Peter. O golpe se chocou contra o garoto e o fez gemer de dor. Mas, mesmo diante daquilo, ele continuava com as expressões imaculadas — Você não tem a coragem e nem a habilidade... — começou ele, mas foi interrompedo por outro golpe de Togekiss.

             — Revide então... — gritou Cynthia — Revide, seu covarde, revide! Onde está sua falta de clemência? Não é você que ataca sem olhar a quem, sem se preocupar com as consequências dos seus atos. Não era você que nos atacava sem piedade? Humilhado outra vez e outra e mais outra, até você aprender a manter a boca fechada, seu idiota! Togekiss, Sky Attack! Termine o trabalho de Mega Rayquaza e reduza esse resto de Pokémon a nada!

             Mas, antes mesmo que Togekiss se preparasse para usar o golpe, o Pokémon de metal conseguiu criar um Flash Cannon forte o suficiente para arremessar o Pokémon fada para longe. Cynthia, que mal conseguiu ver seu gesto, se enfureceu ainda mais ao ver Togekiss no chão, inconsciente, com várias penas ao seu redor. Olhou de relance para Peter e viu, pela primeira vez, o Pokémon de metal sem a sua armadura. Sua boca se abriu, seus olhos se arregalaram e todas as pessoas que ali estavam gritaram de horror. 

             Por detrás daquela armadura de aço, existia um Celebi... Mas não era qualquer Celebi. Este, que agora tentava se equilibrar, estava totalmente deformado. Metade do seu rosto estava na carne viva, suas asas, que deveriam ser brilhosas e verdes, estavam anemicas e amareladas, também derramando sangue, assim como a metade do seu corpo todo. O que acontecera com aquele Pokémon? Como ela ainda poderia estar vivo depois daquilo?


             — Seu monstro, o que você fez com esse Celebi? — urrou Cynthia, novamente com lágrimas nos olhos. Não era uma cena boa de ver, muito menos normal.

             — Isso não importa! Acredite, há um propósito muito grande por trás disso. Mas, se me der licença, preciso ir. Yang, você ainda consegue ir? — disse Peter, se aproximando do seu Pokémon e o olhando com tristeza e pena.

             Celebi fez que sim com a cabeça e quase caiu no chão com a força do vento. Olhou uma última vez para Cynthia e seu Togekiss e fechou seus olhos em carne viva. Concentrou o resto de poder que tinha e, em segundos, desapareceram dali...

             Reapareceram em um lugar muito misterioso. Era a Ilex Forest, lugar onde Celebi descansa. O Pokémon deixou Peter ao lado de uma árvore e depois se deitou em cima de uma casinha abandonada. Ao fazer isso, seu corpo começou a brilhar e iluminar toda aquela floresta escura. Um campo de força eletromagnético se formou ao redor da casinha e de todo o ambiente aberto, Peter observava aquilo e se aproximou de Celebi quando o Pokémon fez que sim com a cabeça. Uma vez lá dentro, o homem se sentiu arrependido por tudo que fez. Sentiu, até mesmo, vontade de retornar a Lumiose e ajudar Cynthia e Diantha, mas ele também sabia que esse era um sentimento passageiro. Influenciado, somente, por aquele lugar puro.

             Segundos depois, Peter viu a floresta desaparecer dos seus olhos e, como num passe de mágica, viu o lugar mais incrível e fenomenal do mundo. Não era nada que já tivesse visto no mundo dos humanos. Na realidade, ele mesmo duvidava se algum humano, na vida, já tivesse visto aquilo.



             Peter não acompanhou Celebi quando ele, lentamente, atravessou um muro feito de folhas. O homem se deitou no gramado fofo e molhado e, apenas, esperou que Celebi terminasse o que foi fazer.

             O Pokémon, desesperado, não hesitou em sorrir quando viu a árvore da vida diante dele. E se admirou ainda mais ao perceber que não estava sozinho. Xerneas, o Pokémon lendário, se alimentava da grama verde. Celebi esperou até que ele percebesse sua presença, mas isso não aconteceu. Ele não podia aguentar mais, pois seu corpo estava altamente ferido e mal tinha energia para permanecer consciente. Então foi quando ele se aproximou de Xerneas e chamou sua atenção. O Pokémon, que estava calmo, logo se assustou ao ver Celebi naquele estado. A árvore da vida se balançou com a fúria de Xerneas, que procurava entender o que havia acontecido. Celebi, afetuosamente acariciou a bochecha de Xerneas com sua própria face, acalmando-o. Depois, pediu permissão para entrar na árvore da vida e se reconstruir. Xerneas, preocupado, logo se afastou e sorriu para Celebi, que não perdeu tempo e entrou no grande buraco que ficava na raíz daquela árvore. 


Pronto, galera, por enquanto é só. Sábado que vem tem mais o/ Comentem, sério, me digam o que acharam desse capítulo e do que eu preciso mudar. É NOIZ 

4 comentários:

  1. Você não precisa mudar nada. Sua fanfic é fantástica, retrata os detalhes muito bem retratados e tem uma ótima escrita e raramente se encontra erros que nem teve nesse capítulo; eu realmente aprecio sua fanfic e digo: Obrigado por fazer essa fanfic fantástica para lermos, a cada dia eu fico mais ansioso para um novo capítulo e quase surto quando chega sábado de felicidade. Eu espero que essa fanfic tenha vários capítulos e que ela continue no mesmo rumo que começou, e que, agora está.

    Essa fanfic foi a que me deu mais inspiração para a minha. Me ensinou algumas coisas sobre o universo Pokémon que eu também poderia relatar na minha. De verdade, muito obrigado por criar essa fanfic.

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    1. Nossa, cara, fiquei totalmente sem palavras. Muito obrigado mesmo, de verdade, você fez com que meus esforços valessem a pena kkk E boa sorte na sua fanfic, aposto como ela deve estar divina também. Depois me envia pra eu dar uma lida, cara, tamo junto o/

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  2. Adoro sua fanfic.Não tem nada pra melhorar porque tudo já ta otimo. Parabéns.

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